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Nana Gouvea investe em carreira internacional e rebate críticas: 'A maioria não sabe sequer falar inglês'

Estudando interpretação em Nova York, Nana Gouvea reclama do preconceito do público brasileiro, diz que 'falta amor ao próximo' no País e que não teve chance na televisão por não fazer parte de 'panelinha' e nem ser 'amante' de diretor

Renan Botelho Publicado em 29/05/2014, às 13h40 - Atualizado em 10/05/2019, às 11h20

Nana Gouvea - Divulgação
Nana Gouvea - Divulgação

Em setembro, a goiana Nana Gouvea completa três anos desde que saiu do Brasil para iniciar uma nova vida ao lado do agente musical americano Carlos Keyes, com quem vive em nova York e está casada há dois anos. Durante todo este tempo, ela não parou de estudar. “Tenho uma média de 5 à 6 horas de aulas por dia. Agora é menos tempo de aula, no começo eram 8 horas todos os dias, incluindo domingo. Socorro! Achei que ia ficar doida e fiquei mesmo”, brinca a atriz em conversa com a CARAS Digital.

Nana faz aula de treinamento vocal para corrigir as falhas na pronúncia do inglês. “O objetivo é ter o que aqui se chama ‘Standard American’ perfeito”, conta ela, que também estuda para corrigir a postura, potencializar a respiração, projetar a voz para o vídeo e palco, além de treinar a técnica criada por Sanford Meisner para interpretação. “É muita loucura”, comenta.

Um pouco do resultado destas aulas aparece em dois vídeos que ela publicou no YouTube. Nana conta que o material foi divulgado na internet sem intenção nenhuma, apenas para o registro do aprendizado, e rebate as críticas feitas ao seu sotaque: “Acho que as pessoas que me criticam no Youtube não têm realmente a menor ideia do que estão falando. Certamente, a grande maioria não sabe sequer falar inglês. Isso é apenas mais uma prova do quanto o nosso País está desprovido de amor ao próximo, decência, bom-caratismo. Essa onda de 'haters' é uma verdadeira vergonha para o Brasil”.

Qual foi a parte mais difícil de se adaptar aos Estados Unidos? Já se considera americana?
Nunca serei americana. Nem carioca eu me tornei, mesmo depois de morar no Rio por 17 anos! Eu sou goiana, adoro pequi [fruta típica da região], andar a cavalo, subir em árvores, tomar banho de cachoeira... Sou apenas uma menina da roça. A parte difícil foi me adaptar ao clima e à comida. Aqui é muito frio e venta demais, é irritante e depressivo. E a comida é ‘envenenada’ com todo tipo de conservantes e produtos químicos... Até eu descobrir os supermercados de comida orgânica foi bravo.

Como está o casamento com o Carlos?
Estamos felizes juntos. Creio que ele seja minha alma gêmea. Completamos 2 anos de casados no dia 24 de maio.

Você sente saudades das filhas [Nana é mãe de Angel e Daphynie, de 20 e 21 anos]? 
Ficar longe das milhas filhas é o pior pesadelo que pode existir. O Skype ajuda, mas não resolve tudo. A necessidade de abraçá-las e beijá-las é constante. Não sei como sobrevivemos a isso. Acho que é porque Deus quer. É duro, muito duro! Não desejo isso nem para a pessoa que mais me odeie no mundo! Não sei se você tem filhos, mas vou te dizer uma coisa: um filho nunca está grande para mãe e pai. E, no meu caso, eu sempre fui os dois, mãe e pai. Elas são meus bebês!

Quais são seus planos profissionais?
Não acredito em planos. Meu objetivo é estar 100% pronta para o trabalho como atriz aqui. Já que aqui é onde eu vivo e, me parece, continuarei vivendo para o resto da minha vida. A não ser que Deus mude muito as coisas... Só Ele sabe do nosso futuro, não é? Eu sou Kardecista, e me lembro de ainda na minha infância ler o livro ‘Nosso Lar’, de Chico Xavier, e logo na primeira página vem escrita uma única frase solta, com o resto da folha toda em branco. A frase é a seguinte : ‘Quando o servidor esta pronto, o serviço aparece’. Então, estou me fazendo pronta. E aí, vamos ver o que Deus manda.

Você sente ou sentiu algum preconceito tentando a carreira internacional?
Aqui não. Aqui todo mundo tem oportunidade desde que esteja preparado. Já no Brasil, nem me fale... Eita país do preconceito, viu? É preconceito contra tudo! E as panelas, então? Só Deus na causa!

Que tipo de preconceito você sofreu no Brasil?
Primeiro eu sofria preconceito por ser bonita, depois por ter vindo ‘da roça’, depois por ter sido Rainha da Bateria, depois por ter posado nua... Aí eu fui amadurecendo, corrigi meu sotaque de mineira [ela foi criada em Minas Gerais] e percebi que nem tudo era preconceito. Na verdade, as desculpas que me davam eram apenas desculpas mesmo. Eles precisavam empregar suas esposas, namoradas, amantes, amigas, pagar favores e, nessa daí, sem fazer parte das panelinhas, eu acabava pegando só os papeis pequenos ou participações. É a triste realidade da vida na TV brasileira. Temo que aqui não seja realmente diferente num total, mas ainda assim, me parece que nos EUA se prezam mais pela qualidade, então há uma maior possibilidade de quem está preparado e tem talento, e respeita a profissão, os colegas, os horários, enfim... Quem é realmente profissional, por aqui, me parece que tem mais chance que no Brasil.

O preconceito te desmotiva?
Well... minha reação é de tristeza. Mas nunca de desistência. Estou lutando mais que nunca para poder voltar a atuar profissionalmente. Isso é o que mais quero na vida. Seja aqui, no Brasil, ou em qualquer parte do mundo. Onde tiver trabalho para mim, lá estarei.

Como encara os comentários mais críticos no YouTube sobre seus vídeos?
As pessoas no Brasil tem uma sádica mania de agredir covardemente ao outro quando estão anonimamente por trás das telas de seus computadores. Isso é covardia. Não posso levar em conta, principalmente quando meus professores me elogiam a respeito da mesmo coisa que os haters me esculacham. Prefiro guardar a opinião dos meus professores. Eles são profissionais graduados, internacionalmente reconhecidos, que preparam atores que todos do mundo inteiro amam, musicais que o mundo inteiro vem a Nova York para ver pela qualidade e excelência, atores ganhadores de Oscar... Guardo apenas dos meus professores os elogios e as críticas. De quem mais eu guardaria? Além do mais, eu estou me aprimorando um pouquinho mais a cada dia. E é isso que realmente me importa.

O Carlos te apoia na carreira como atriz?
Sim, meu marido apoia desapoiando. Ele é ciumento e não está a fim de me ver beijando outra pessoa, por mais que seja um ‘beijo falso’. Mas ele não tem opção. É pegar ou largar. Eu sou o que sou e ele só terá de mim o que é real da minha parte.

Existe algum projeto em vista?
Convites sempre aparecem, vou analisando o que dá ou não para fazer. Por enquanto, eu quero terminar meus estudos. Isso é muito importante para mim. Vou voltar ao Brasil em breve, provavelmente esse ano ou em 2015 para gravar um filme para o Vicentini Gomez. O resto o tempo mostra.

Assista aos vídeos de Nana Gouvea: