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Só será possível controlar a dengue no país quando a população ajudar

Affonso Viviani Jr. Publicado em 05/04/2007, às 12h32

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Affonso Viviani Jr.
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A mídia tem dado destaque ao crescimento do número de casos de dengue no Brasil. A incidência da doença é mesmo crescente em todas as regiões quentes e úmidas do planeta. Em 2006, houve 345 922 casos de dengue no país e 628 de febre hemorrágica da dengue, com 67 mortes. Neste ano já foram notificados - até 12 de março - 85 018 casos de dengue e 55 de febre hemorrágica, com seis óbitos. A situação, como se vê, é preocupante. Mas não só aqui, existe dengue em mais de 100 países. Em nosso caso, embora o governo faça campanhas de prevenção há muito tempo, o quadro não tem mudado. Aliás, dificilmente mudará, pois falta um engajamento maior da população. Enquanto ela não se juntar aos governos no combate à dengue, será impossível controlá-la em qualquer país. Em São Paulo, a Secretaria de Estado da Saúde está investindo 20 milhões de reais só neste primeiro semestre para auxiliar os municípios no combate à doença. Criou-se no Estado o Comitê de Mobilização contra a Dengue, incluindo 35 órgãos e entidades empresariais, governamentais e da sociedade civil, que farão reuniões periódicas para definir ações que auxiliem na prevenção e no combate à dengue. O comitê distribuirá 6 milhões de panfletos nos municípios paulistas com informações e dicas à população. Desde janeiro a Secretaria vem mobilizando um "exército" de 406 agentes, contratados em regime emergencial, para apoiar as atividades de combate à dengue em regiões consideradas prioritárias. Eles dão apoio em atividades como a busca de criadouros de mosquitos. A dengue é uma doença infecciosa causada por vírus. Na verdade, ele tem quatro variações em sua estrutura molecular, o que quer dizer que a moléstia pode ser provocada pelos vírus dos sorotipos 1, 2, 3 ou 4. Tais microrganismos sobrevivem em doentes. Essas pessoas são picadas por mosquitos - nas Américas, pelo Aedes aegypti -, que se tornam portadores do vírus e, após 10 a 14 dias, podem transmiti-lo a humanos sadios. O primeiro sintoma da doença é febre intensa repentina. Então a pessoa tem prostração, fraqueza, falta de apetite, dores de cabeça, no fundo dos olhos, no corpo e nas articulações, náuseas, vômitos e pequenos sangramentos na pele e na gengiva. Em crianças, o primeiro sintoma pode ser dor abdominal. Os sintomas duram em torno de uma semana e somem; mas, em parte dos doentes, se estendem por até 15 dias. O tratamento da dengueé feito em casa apenas com o controle dos sintomas. É importante não utilizar remédios que contenham salicilatos, contraindicados pelo fato de seu uso favorecer o surgimento de manifestações hemorrágicas. A maioria dos doentes não enfrenta grandes problemas e se recupera bem. A partir daí, desenvolvem anticorpos contra o tipo de vírus que contraíram e, se tiverem contato com ele de novo, estarão protegidos. O risco, porém, está em contraírem uma das outras variações virais. Seu organismo pode reagir de modo exagerado e produzir anticorpos em demasia. Ocorre, então, um desequilíbrio orgânico. Os vasos sanguíneos se tornam permeáveis e permitem o extravazamento de plasma. Isso caracteriza a febre hemorrágica da dengue, que é grave e, se não combatida logo, pode ser fatal. O tratamento, também nesse caso, consiste em controlar os sintomas, sobretudo mantendo uma boa hidratação. A mortalidade pela dengue hemorrágica no Brasil é de 10%. O mais importante, enfim, é prevenir-se. A única maneira de combater a doença é eliminando o Aedes aegypti. Pode-se eliminálo acabando com fontes de água limpa onde costuma se reproduzir, dentro e fora de casa.