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Sexo na gravidez coloca em xeque a relação e a serenidade do casal

Gestantes inspiram desejo em certos homens e medo em outros. Algumas mantêm a sensualidade e outras fogem do parceiro, escoradas no temor infundado de machucar o bebê.

por <b>Paulo Sternick</b>* Publicado em 21/07/2009, às 13h38 - Atualizado às 13h45

As histórias de cada integrante do casal e da própria relação é que definirão como será vivida essa fase. Se houver afeto, a experiência poderá ser fonte de prazer e de cumplicidade. Enquanto muitos homens sentem o apetite sexual por suas mulheres aumentar quando elas estão grávidas, com os seios mais robustos e o corpo ganhando novas e viçosas formas, outros são surpreendidos por súbita diminuição do desejo, chegando ao limite do desamor. Não são poucos os que se afastam e até se separam. A sexualidade na gestação não é vivida da mesma forma por todos os casais simplesmente por que ela reflete as singularidades das pessoas envolvidas e da relação construída por elas. As diferenças começam na situação do casal quando surge a gravidez: eles estão casados, pretendiam viver juntos, ou um dos dois nem pensava nessa hipótese? Ambos desejavam o filho ou houve tramoias? O casal estava bem ou vivia uma crise? Se prevalecem sentimentos positivos, a gravidez torna-se um momento de extrema intimidade e isso se refletirá numa sexualidade calorosa e emocionada, apesar das preocupações quanto ao futuro. Fora casos excepcionais de risco, o sexo pode ser praticado ao longo de toda a gestação, apenas com algumas adaptações nas posições adotadas, e ganha até significações adicionais, com o bebê crescendo no ventre da mulher. Se a integração afetuosa do casal é grande, mesmo que um ou outro perca um pouco da vontade ou da liberdade, eventuais impasses se tornam pequenos diante da magnitude e da beleza da situação. Não há urgência: uma sabedoria inata adverte que nova etapa, mais favorável para a vida a dois - quer dizer, a três, mas essa é outra conversa. O fato é que mesmo antes de nascer o bebê já tem o poder de testar os sentimentos dos pais, a qualidade da relação deles, sua maturidade emocional. Se, como dissemos, a gravidez pode deixar a união mais íntima e consistente, também é verdade que evidencia fragilidades e fissuras afetivas preexistentes, aumenta dúvidas sobre o desejo em relação ao outro e traz angústias a respeito do futuro. E não só quanto à responsabilidade de criar e manter a prole, mas quanto ao destino da própria relação, tendo em vista sentimentos ambivalentes, como as assombrações relativas ao aprisionamento familiar em contraposição às ilusões de liberdade, entre outros. Sob o pretexto de temer machucar ou perder o bebê, algumas mulheres veem cessar seu desejo e passam a evitar o parceiro, quase dando razão ao filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788- 1860), para quem o amor é uma armadilha que a natureza prega apenas para promover a perpetuação da espécie. Alguns homens usam o mesmo argumento, mas não raro a atitude revela que sua ligação não era com a mulher, mas com as curvas do corpo dela, modificadas pela gestação. Muitas grávidas, porém, são paqueradas na rua, o que aponta para o caráter erótico desse momento de feminilidade. Se o casal vai ou não enfrentar dificuldades na área da sexualidade durante a gravidez, pois, é uma questão que depende mais dos fantasmas que cercam a alma feminina e a masculina do que de questões físicas. Preocupações e angústias competem com o desejo e, às vezes, levam a melhor. Certos homens chegam a se sentir como se fossem transar na presença de uma terceira pessoa - o próprio filho ou filha, ou a própria mãe. Tudo isso, porém, pode ser contornado. Havendo disposição de ambos, os fantasmas são vencidos e a experiência resulta prazerosa e criativa.