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Selton: 'Renato Aragão é nosso Chaplin'

Divulgando ' O Palhaço' no Festival Paulínia de Cinema, Selton Mello conta a história de um palhaço em crise e usa suas referências de infância para compor trabalho pessoal e comovente

Redação Publicado em 09/07/2011, às 19h19 - Atualizado às 20h07

'É um filme que homenageia o lado suave da vida', disse o ator e diretor. - Francisco Cepeda / AgNews
'É um filme que homenageia o lado suave da vida', disse o ator e diretor. - Francisco Cepeda / AgNews

Para fazer O Palhaço, filme no qual atuou e dirigiu ao mesmo tempo, Selton Mello recorreu às memórias da infância. Para o ator, é na infância que está o segredo da vida. "Existe uma ligação, diante do fascínio com a nossa infância, que exerce uma influência para o resto dos anos", afirmou Selton durante coletiva de imprensa no Festival Paulínia de Cinema. O filme foi exibido na noite de sexta-feira, 8.

A grande homenagem de O Palhaço é para Renato Aragão e Os Trapalhões, cujo tipo de humor Selton fez questão de se aproximar para realizar seu filme. "Renato Aragão é o nosso Chaplin. Sem dúvida, meu nível de ligação com os 'Os Trapalhões' é gigante. Quando pequeno, minha mãe me levava ao cinema para assistir aos filmes desses caras; nós entravamos na sessão do meio dia e ficávamos até as 6 da tarde. Eu assistia três vezes seguidas os filmes", disse.

O tributo, no entanto é simbólico; está no tipo de comédia do longa-metragem, que é mais singela. "Existe uma sutileza no filme e, consequentemente, no humor dele. Eu quis fazer algo delicado, com uma mensagem para o mundo que, eu como espectador, gostaria de ver no cinema". Outras homenagens, porém, ocorreram de forma mais ativa. Selton convocou grandes nomes do humor brasileiro para O Palhaço, caso de Jorge Loredo, o Zé Bonitinho, Luiz Alves Pereira Neto, o Ferrugem, e Moacyr Franco. "Eu assistia, com meu pai, ao programa Moacyr Franco Show. Quando estava preparando o filme, convidei o Moacyr para uma cena saborosa, que ele faz de forma brilhante. Quando terminou a cena, ele se levantou e disse 'tenho 74 anos de idade e nunca fiz cinema. muito obrigado'. foi uma emoção geral", recordou.

Natural de Passos, interior de São Paulo, o ator também fez referências ao citar sua cidade natal ("eu quis homenagear minha cidade, não sei se conseguir fazer isso, ou se denegri a imagem de Passos", disse entre risos) e atuar ao lado do irmão, Dalton Mello. "É evidente que, ao filmar, você deixa algo seu aí. Mas não é uma autobiografia. Se eu tivesse que fazer isso, provavelmente eu deixaria o filme no meio de sua produção (risos)", concluiu.

Palhaço em Crise

Em O Palhaço, Selton Mello dá vida ao palhaço Benjamin, que enfrenta uma crise de identidade que afeta todo o trabalho da trupe do circo que viaja pelo interior de São Paulo levando alegria e riso aos moradores. "Fazer um filme é ter um assunto, de preferência que você queira falar sobre. No caso de 'O Palhaço', quis falar sobre identidade, vocação e o peso do destino", definiu. "Os dilemas da vida são constantes. Em qualquer idade nós passamos por eles, portanto, é um filme para todos. Fiz com a intenção de um médico, insatisfeito com sua profissão, assistir e se ver retratado ali", afirmou.

Na família circense, o veterano Paulo José interpreta o palhaço mais velho, pai de Benjamin. A parceria entre os dois é tão afinada que é impossível não se comover com as relações familiares entre os dois personagens. E Paulo explica o porquê: "O filme se passa através do silêncio, na duração dos tempos. A ação dos personagens é universal, você reconhece, na hora, através de um olhar, de um gesto, porque são coisas que acontecem na vida de todo mundo. Acredito que, por isso, não dá para dizer que é um filme de comédia. Esse filme não tem gênero; é um filme humano, sobre pessoas", concluiu.