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Se você está sempre de mau humor, cuidado, porque pode ter distimia

Isaac Efraim Publicado em 15/03/2007, às 11h26

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Isaac Efraim
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Qualquer um pode ficar mal-humorado de vez em quando. É normal. Afinal, nem sempre é fácil enfrentar as dificuldades do dia-a-dia. Mas mau humor constante pode ser indicação de uma doença conhecida como distimia. Caracterizou-se a distimia como doença na década de 1970. Ela atinge 5% a 10% da população. A incidência é um pouco maior na população masculina, mas pode se manifestar em qualquer pessoa, até em crianças. Já no berço é possível identificar um distímico. É aquela criança zangada, raivosa, que não sorri ou demora para sorrir. A distimia é uma doença depressiva crônica leve. Mas nem todo mal-humorado é um distímico. Para caracterizar a moléstia é preciso que a pessoa apresente o quadro por um a dois anos. O portador típico é aquele que está sempre irritado e bravo. Reclama de tudo a todo momento. Tem uma sensação crônica de cansaço e de falta de energia. Encontra certa dificuldade para se concentrar. Irrita-se com novas dificuldades e novas tarefas. Se alguém lhe apresenta um problema, acha-o enorme e insolúvel. Isso "contamina" sua personalidade, a ponto de familiares, amigos e colegas de trabalho o tacharem de ranzinza. Vale alertar, porém, que o portador é uma pessoa produtiva. Vai ao trabalho normalmente, embora a sua produtividade possa até ser deficiente. A doença apresenta traços genéticos, ou seja, quando alguém a tem, é provável que haja ou tenha havido outros casos na família. Favorece o seu surgimento uma estrutura familiar mal-humorada, na qual os familiares brigam por tudo e em todas as situações. Já o estresse em geral agrava o quadro. E sedentarismo e ingestão excessiva de bebidas alcoólicas tanto favorecem o surgimento da distimia quanto podem agravá-la. A conseqüência, para o distímico, é perda de qualidade de vida. Ele se torna um mau profissional, que, embora trabalhe, não encontra prazer em seus afazeres. Está sempre descontente com tudo, o que faz os colegas passarem a evitá-lo. Enfrenta dificuldade para fazer amigos e encontrar parceiros amorosos. Quando encontra, vai ser mau pai ou má mãe. A relação de distímicos é sofrível e infeliz. Parceiros nessa situação geralmente não têm energia para se separar e mantêm uma união insatisfatória às vezes a vida inteira. É provável, aliás, que o mau humor seja uma das principais causas de brigas entre os casais. Aos poucos, como são chatos, negativistas, a tendência é que as pessoas se afastem deles, deixando-os sozinhos. Sua auto-estima vai a zero. Nos casos extremos, pensam que nada pode dar certo para eles. Vão desistindo da vida e em geral são tomados por uma depressão grave. Pessoas que se achem portadoras de distimia devem consultar ou ser levadas a um psiquiatra. Hoje há bons profissionais nessa área mesmo no setor público de saúde. Boa alternativa são os serviços específicos das Faculdades de Psiquiatria existentes nas capitais e em muitas cidades grandes país afora. O diagnóstico é clínico; não existe nenhum exame que permita identificar o problema. O tratamento emprega antidepressivos e terapia cognitivo-comportamental. O uso de remédios, dependendo da gravidade do quadro, pode ser por um período de seis meses a um ano ou a vida inteira. Já a terapia consiste em fazer o paciente tomar consciência de que vê a vida de modo negativo, prejudicial a ele mesmo, e se condicionar a adotar outra postura. O distímico tem de aprender uma regra básica: ele está proibido de reclamar. Precisa aprender ainda a ser menos crítico e descobrir os prazeres da vida. Uma das coisas mais importantes nos quadros depressivos é conscientizar os portadores de que a sua visão de mundo é distorcida. O que vêem e acham que é verdade na realidade resulta da disfunção que apresentam. A capacidade de perceber isso lhes abre novos horizontes e permite que passem a lidar com a vida de forma diferente. Infelizmente, é possível haver recorrências. Distímicos têm tendência a se tornar idosos ranzinzas.