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Promotor, do latim promotor, é aquele que promove a justiça, mas alguns, como o que cuida do assassínio da menina...

...Isabella não se contentam em fazê-lo silenciosamente e competem, na mídia, com escândalos como o do travesti, do francês travesti, que denunciou Ronaldo no Rio.

Deonísio da Silva Publicado em 09/06/2008, às 11h56

Deonísio da Silva
Deonísio da Silva
Absolver: do latim absolvere, desatar, separar, desligar, absolver. Ganhou os sentidos de despedir, perdoar e libertar. Perdurou no latim eclesiástico o sentido de despedir, pois só pode ir embora quem, depois de confessar os pecados, é perdoado. De acordo com a Bíblia, instado a julgar uma mulher adúltera, cuja pena era o apedrejamento, Jesus pediu que atirasse a primeira pedra quem não tivesse pecado. Na ocasião, Jesus estava sentado. São João conta da seguinte forma o desfecho do episódio: "Levantando-se em seguida Jesus disse a ela: 'Mulher, onde estão? Ninguém te condenou?' Ela disse: 'Ninguém, Senhor'. Disse então Jesus: 'Nem eu te condeno. Vai em paz e não tornes a pecar'."Promotor: do latim promotor, formado a partir de promotum, supino (forma nominal do verbo, que não existe em português) de promovere, mover, tirar do lugar, mudar. Antes de designar o membro do Judiciário que promove a justiça, denunciando crimes, indicava o que, ao mover a verdade do lugar que lhe é próprio, convencia outros de que era verdadeiro o que em realidade não era. Enquanto abnegados promotores exercem silenciosamente o ofício, outros mudaram o lugar de trabalho, do fórum para a mídia, deixando estarrecidos os cidadãos cônscios de um dos direitos fundamentais da pessoa: mesmo os suspeitos são inocentes até que se prove o contrário e não podem ser apresentados como culpados. Contudo, o que vemos é que suspeitos são acusados, não diante das autoridades judiciárias, nem do júri, mas das câmeras de televisão, devendo se defender sozinhos em face de milhões de telespectadores, que só sabem da questão aquilo que a imprensa divulgou, às vezes com base apenas no que os acusadores informaram, sem provas. No caso do assassinato da menina Isabella Nardoni (2003-2008), em São Paulo, cujos suspeitos são seu pai e a madrasta, o promotor Francisco Cembranelli diz na denúncia: "Há notícias de que o relacionamento entre os denunciados era caracterizado por freqüentes e acirradas discussões, motivadas principalmente por forte ciúme nutrido pela madrasta em relação à mãe biológica da criança". O trecho é digno de ficcionista. Acusações desse tipo foram freqüentes na ditadura militar e, não fosse o discernimento da Justiça civil e da militar, que absolveram acusados por falta de provas, muitos dos que hoje fazem ou aplicam as leis teriam sido condenados. "Notícias" não são provas, e "acirradas discussões" não são crimes. Quanto ao trecho em que alega que "um Brasil inteiro profundamente comovido com o triste destino" da menina é ingrediente para assegurar a aplicação da lei penal, convém lembrar que também linchamentos são feitos em meio a emoções semelhantes e a civilização não aprova linchamentos. Travesti: do francês travesti, disfarçado, originalmente apenas um homem vestido de mulher, mas depois com o corpo modificado por cosméticos e, na seqüência, pela ingestão de hormônios e até cirurgias. Formou-se do latim: do prefixo trans, reduzido para tra, além, adiante, através, e vestire, vestir. Antes personagem do carnaval, o travesti ganhou as ruas, passando a oferecer-se como prostituto disfarçado de prostituta, e muitas vezes revelando a verdadeira identidade sexual só quando já está com o cliente entre quatro paredes. Foi o que alegou o jogador Ronaldo (31), envolvido em rumoroso incidente com três travestis num motel da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Dois deles receberam o pagamento pelos serviços sexuais e foram embora, mas um tomou o rumo da delegacia, denunciando falta do pagamento combinado. Antes, porém, percorreu redações de jornal, narrando sua versão do ocorrido. O jogador o denunciou por extorsão. O carioca, bemhumorado, aproveitando que o jogador está licenciado para tratar do joelho, disse que ele não precisa de ortopedista ou fisioterapeuta, mas de oftalmologista, pois admitiu que só foi ver que eram homens quando os quatro já estavam no quarto. Vareiro: de vara, do latim vara, cajado, bastão, vara. Com a influência de virga, ramo, haste, passou a designar o feixe de varas que servia de insígnia aos cônsules e depois aos magistrados, designando ainda a jurisdição onde o juiz exerce o seu trabalho de julgar. Vareiro é o estagiário que percorre as varas, levando e trazendo processos para os advogados. Mas os dicionários ainda não registram este significado, limitando-se a designar guardador de vara de porcos, o indivíduo que conduz o varino, um tipo de embarcação de águas rasas, deslocada com a ajuda de uma vara, e a pessoa excessivamente magra e alta.