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Parceiros que se isolam privam a si e aos filhos de aprender e evoluir

Redação Publicado em 18/09/2012, às 10h52 - Atualizado em 23/09/2012, às 14h28

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No início do namoro,  o casal parece não enxergar mais nada. Tomado pela paixão, tudo gira em torno do sonho de amor enfim realizado. Os dois só falam da relação, perdem até a concentração
no trabalho. Nada é tão importante quanto a descoberta daquele ser complementar e nada mais é necessário, nem amigos, nem distrações, nem família. Qualquer minuto deve ser aproveitado na companhia do outro. Além da vontade de estar junto, o ciúme contribui para que o casal se isole. Essa exclusividade, porém, está longe de ser benéfica.

A quebra de contato com o mundo costuma acontecer mais com recém-casados muito jovens. Eles passam a viver um para o outro e, se há um filho, para a pequena família. No seu mundo idealizado tudo parece perfeito. Às vezes é só um que abdica de tudo, às vezes ambos. Param de estudar, não procuram os amigos, nem gostam de receber visitas. Aos poucos os amigos se afastam e a família, após vários convites recusados, deixa de os convidar. Qualquer aproximação dos pais, parentes ou amigos é vista como intromissão naquele sonho feliz. Talvez o medo de perder o companheiro faça com que os dois passem acreditar que podem suprir todas as necessidades sozinhos. Instala-se, então, um egoísmo a dois, um medo de que elementos estranhos possam ameaçar a felicidade.

Essa convivência tão exclusiva atrapalha a evolução dos dois. Esperar tudo de uma só pessoa é uma carga excessiva e ter vida propria é essencial para a saúde de qualquer relacionamento. Ao se isolar, o casal perde a oportunidade de crescer e cria uma dependência mútua. Quando surge algum problema, aspectos negativos de cada um, que poderiam se expressar fora do casamento, são vividos dentro dele, provocando brigas e discussões. Claro: se alguém é tudo para mim, também será culpado por tudo de bom e de ruim que possa me acontecer. Todo mundo precisa de momentos de individualidade: bater papo com amigos, sair, falar de assuntos do mundo masculino ou feminino. Longe do parceiro, a pessoa pode desenvolver atividades que enriqueçam a sua personalidade, tornando-a mais interessante — inclusive para o parceiro. As vivências e experiências de cada um são incorporadas à vida do casal, enriquecendo-a.

Ainda que pareça ameaçador no início, portanto, é preciso que o casal abra espaço para essas pequenas separações. Da mesma forma, a convivência com a família também não pode ser cortada, em especial quando há filhos. Avós, tios e primos são referências que dão segurança às crianças. É no contato com essas pessoas que os pequenos vão aprendendo a se relacionar e desenvolvem a individualidade.

No filme norteamericano Pequena Miss Sunshine, de Jonathan Dayton (55), vê-se bom exemplo disso. A família é cheia de problemas, mas, na hora em que a criança passa por uma frustração, é a mesma família, com sua sólida estrutura de amor, que promove a segurança e o amparo.

O casal que pensa se bastar está negando a si e aos filhos oportunidades de crescimento  e de convivência com diferenças e com a riqueza de outros seres humanos. Além disso, saber que podem contar com o amor da família, mesmo em momentos difíceis e de sofrimento, pode ajudar não apenas os filhos, mas também os pais, a desenvolver confiança e segurança para enfrentar a vida.