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Oscar Niemeyer é enterrado no Rio de Janeiro

Familiares, amigos e populares deram o último adeus ao arquiteto Oscar Niemeyer nesta sexta-feira, 7. Ele morreu aos 104 na última quarta, 5, e foi enterrado no Cemitério São João Batista

Redação Publicado em 07/12/2012, às 18h02 - Atualizado em 10/05/2019, às 11h20

Enterro de Oscar Niemeyer - Roberto Filho/AgNews
Enterro de Oscar Niemeyer - Roberto Filho/AgNews

Foi enterrado às 18h desta sexta-feira, 7, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, o corpo do arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012).

Niemeyer foi velado no Palácio da Cidade, em Botafogo, nesta sexta. Três ônibus de turismo foram usados para levar a família e amigos do arquiteto do velório para o cemitério. Dez motos da Guarda Civil abriram o cortejo. O corpo do arquiteto foi transportado em carro do Corpo de Bombeiros seguido por três caminhonetes lotadas de coroas de flores.

Antes do enterro, ainda no palácio, houve um ato ecumêmico com as presenças dos padresJorjão, da Paróquia Nossa Senhora da Paz, de Copacabana, Omar Raposo, pároco do Cristo Redentor, e o rabino Nilton Bonder. Amigo da família Niemeyer há muitos anos, Padre Jorjão falou sobre o arquiteto. "Convivemos durante muito tempo, ele era um homem bom, apesar de não ter religião, queria ter fé", disse,

Assim que o corpo do arquiteto chegou ao Cemitério São João Batista, a Banda de Ipanema -  da qual ele era patrono - fez uma homenagem tocando a música Carinhoso. Ao final do sepultamento, a banda tocou Cidade Maravilhosa, uma das músicas preferidas de Niemeyer. Emocionada, a viúva do arquiteto, Vera Lúcia, precisou ser amparada.

Antes de deixar o cemitério, o neto do arquiteto, Carlos Oscar Niemeyer conversou com os jornalistas. "O legado que ele deixa para a família é o jeito que nos ensinou, de sermos pessoas preocupadas com as diferenças sociais. A vida é um segundo, por isso temos que aproveitá-la bem, de forma bacana, bem perto da família e dos amigos. A palavra é solidariedade, o mundo precisa ser mais justo".

Na quinta-feira, 6, o corpo de Niemeyer foi recebido no Palácio do Planalto, em Brasília, pela presidente Dilma Rousseff (64) e outras autoridades e políticos. Na capital federal, o velório também foi aberto ao público.

Oscar Niemeyer faleceu na noite de quarta-feira, 5, no Rio de Janeiro, vítima de insuficiência respiratória. Com 104 anos, ele estava internado desde 6 de novembro no Hospital Samaritano. Dois dias depois, apresentou piora da função renal e, por isso, teve que ser submetido a hemodiálise. Na semana seguinte, teve uma hemorragia digestiva.

Vida e obra

Considerado o maior arquiteto brasileiro, Oscar Niemeyer foi responsável por ter projetado Brasília e outros monumentos pelo país, como prédios, igrejas e museus.

Nascido no Rio de Janeiro, filho de funcionário público, Niemeyer entrou para Escola Nacional de Belas Artes em 1929 e se formou cinco anos depois em arquitetura e engenharia. Começou sua carreira trabalhando com Lúcio Costa (1902-1998), um dos grandes nomes da área na época.

O primeiro edifício projetado por Niemeyer foi a Obra do Terço, inaugurado em 1938, no Rio de Janeiro. Em 1943, ele fez o prédio do Ministério da Educação e Saúde, usando azulejos do pintor Cândido Portinari (1903-1962). Seu estilo se destacou como uma síntese da arquitetura moderna.

A convite de Juscelino Kubitschek (1902-1976), na época prefeito de Belo Horizonte, Niemeyer projetou uma área no centro da capital mineira. A parceria entre ele e JK, que tornou-se presidente da República, rendeu frutos em 1956, quando o arquiteto foi novamente chamado para um trabalho pelo político. Mas, desta vez, Niemeyer foi convidado para projetar a construção arquitetônica da capital federal.

Em 1964, após o golpe militar, Niemeyer foi exilado, pois partilhava de ideias comunistas. Cerca de 15 anos depois, ele voltou ao Rio de Janeiro e construiu o Sambódromo carioca.