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O primeiro ator a atuar, do latim actuare, num festival de teatro...

...e vencê-lo foi o grego Thespis, em 534 a.C. Nessa época as mulheres ainda não usavam bustiê, do francês bustier, nem espartilho, do grego spárton, haste de junco, para modelar os seios e a cintura.

por <b>Deonísio da Silva</b>* Publicado em 05/01/2009, às 19h52

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Atuar: do latim medieval actuare, atuar, representar, fazer algo, praticar a coisa feita, o actus, ato. No teatro, ganhou o sentido de desempenhar o papel dos personagens, fazendo-se passar por ele, fossem deuses, reis ou plebeus, de acordo com o talento dos atores. O primeiro ator a ter mais do que os habituais 15 minutos de fama foi Thespis (século VI a.C.), reconhecido como o melhor na primeira competição dramática, ocorrida em 543 a.C., em concurso presidido pelo juiz ateniense Peisitratos (século VI a.C.). Sua fama perdura mais de 2500 depois. Tudo que se refere a teatro começou em verdade na Grécia antiga: o próprio teatro, o palco, as máscaras, as vestes, os atores, as atrizes e os dramaturgos. Trazido para Roma, o teatro entrou em declínio com a decadência do Império Romano, mas floresceu no Japão, na Índia, na China. No século XV, a arte de atuar consolidou-se na França, na Itália, na Espanha e sobretudo na Inglaterra, onde surgiram os primeiros atores profissionais. Bustiê: do francês bustier, corpete sem alças, semelhando o sutiã, alteração de buste, busto. A origem remota é o latim bustum, crematório, particípio do verbo burare, queimar, porque nos lugares onde eram realizados os funerais eram afixadas estátuas que representavam o morto ou a morta apenas da cintura para cima. Veio daí o italiano busto, que depois passou a denominar os seios da mulher. O francês poitrine, derivado de pectorina, do latim vulgar falado na Gália, está radicado em pectoris, isto é, do peito, pois está no caso genitivo de pectus, peito. O bustiê, que chega à moda na segunda metade do século XX, vindo da França, retoma antigo vestuário de gregas e romanas que, há 2000 a.C., usavam tiras de couro ou de pano para sustentar os seios, deixando-os livres sob a túnica. Só as ginastas amarravam panos também ao redor dos seios, para protegê-los. Dolé: alteração de picolé, provavelmente do italiano piccolo, pequeno. É conhecido também como sorvete, palavra formada por confluências do italiano sorbetto e do francês sorbet, mas com origens remotas no turco xerbet, cruzado com o árabe xarab, denominações para bebidas ingeridas geladas. O dolé é sorvido da mesma forma que o imperador Lúcio Domício Cláudio Nero (37-68) o apreciava em cerca de 50 a.C. O latim clássico já tinha o verbo sorbere, sorver, adaptado para sorbire no latim vulgar. Escravos recolhiam blocos de neve que eram cobertos com mel, nozes e frutas. Ainda que sem as designações picolé ou dolé, bem brasileiras, a iguaria, conhecida como sorvete, era uma delícia cara até o século XIX, restrita a cortes, palácios e mansões, mas em 1851 o americano Jacob Fussell (século XIX) começou a produzir em grande quantidade sorvetes e picolés, que se tornaram muito populares. Entretanto, apesar de sorvete funcionar como sinônimo de picolé, não se pode pedir um sundae no palito, como é conhecido o tipo de sorvete assim chamado por alteração do inglês Sunday, domingo, porque quando surgiu era vendido apenas aos domingos. Pelo formato, afixada em pequeno poste, também recebe o nome de picolé a caixa de correio. Espartilho: de esparto, do grego spárton, pelo latim spartum, junco, haste em forma de cipó, utilizada nos primeiros corpetes usados por mulheres para comprimir a cintura e dar elegância ao tronco. Depois foram utilizadas barbatanas de baleia e/ou lâminas de aço na confecção de tais corseletes, chamados também corpetes ou corpinhos. Entre os séculos XVII e XIX o espartilho tornou-se um acessório muito usado pelas mulheres com o fim de afinar a cintura e modelar os seios, comprimindo-os para cima. E em 1889 uma costureira francesa chamada Herminie Cadolle lançou em Paris, na Exposição Universal, uma peça feita de linho, com tiras apoiadas nos ombros, batizando-a de bien-être, bem-estar. Fazia seis anos que a americana Marya Phelps Jacob (1891-1970) tinha inventado o sutiã quando Ida Rosenthal (1886- 1973) criou um sistema de números baseando-se no tamanho do bojo. Entre as décadas de 1930 e 1940 surgiram estruturas de metal para aumentar os seios, elevando-os, e enchimentos para sutiãs pontudos, que semelhavam metralhar os passantes quando a mulher caminhava. Na década de 1960, feministas radicais queimaram sutiãs em praças públicas, denunciando-os como símbolos da opressão masculina sobre o corpo da mulher. Mas sutiãs, espartilhos e outros artifícios para aumentar ou diminuir os seios, ao gosto da freguesa, incluindo cirurgias plásticas, surgiram com vigor na década de 1990.