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O ADEUS DA ATRIZ ARICLÊ PEREZ EM SP

AMIGOS SE DESPEDEM DA INTÉRPRETE DA MÃE DE KUBITSCHEK NA GLOBAL JK

Redação Publicado em 29/03/2006, às 12h01

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Indignação e choque misturaram- se com dor e saudade no enterro de Ariclê Perez, na segunda- feira, dia 27, às 16 horas, no cemitério Gethsêmani, na zona sul de São Paulo. A atriz paulistana faleceu subitamente no domingo, dia 26, após cair da janela do escritório de seu apartamento, no décimo andar de um edifício situado no elegante bairro de Higienópolis, na capital paulista, onde morava sozinha. A polícia ainda investiga as causas da morte, considerando como primeira hipótese o suicídio. O desaparecimento da artista, que aos 62 anos continuava em plena atividade, pegou a classe artística de surpresa. Ariclê havia acabado de interpretar a mãe do presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976), a dona Júlia, na segunda parte da minissérie global JK, trama assinada por Maria Adelaide Amaral (63) e Alcides Nogueira (56). "Não tenho palavras, estou ferida de morte", desabafou Maria Adelaide. A autora recebeu Ariclê em sua casa, em São Paulo, em um jantar, na sexta- feira, 24, quando assistiram juntas ao último capítulo de JK, e falou novamente com a amiga no domingo, dia de sua morte. "Trabalhamos juntas outras vezes, mas agora foram três meses de muita convivência em JK. Foi uma surpresa para todo mundo a morte dela. Sempre a terei em mente como uma grande atriz e amiga", disse Mila Moreira (57), que viveu a modista Maria Alice na minissérie. José Wilker (61), intérprete do próprio JK na trama, lembrou de passagens de sua vida e de Ariclê. "Eu a conheci em 1970, quando trabalhamos juntos no musical Hair. Tinha muita admiração e carinho por ela. Vou guardar sempre uma bela recordação, de uma pessoa feliz e querida. Foi muito bom trabalharmos em JK. Nossa última cena foi a da morte da personagem que ela interpretou. Foi uma cena de olhares profundos, cheia de emoção", comentou o ator, que não pôde comparecer ao enterro. Iniciada em 1967, a carreira de Ariclê Perez teve seus primeiros anos quase que exclusivamente dedicados ao teatro. A atriz passou a trabalhar mais assiduamente na Globo após sua estréia na novela Meu Bem, Meu Mal, de 1990, um texto de Cassiano Gabus Mendes (1929-1993). Ela fez sete minisséries e sua trajetória na telinha foi marcada por personagens elegantes em novelas, caso da Ametista, de Felicidade (1991), da Gilda, de Salsa & Merengue (1996), e da Elisinha, de Anjo Mau, (1997). No cinema, ela participou de três filmes, incluindo Pixote (1981), e Quanto Vale oué Por Quilo?, de Sérgio Bianchi (60), que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival Cine Ceará, de 2005. Criada em Campinas (SP), a artista sempre levou uma vida discreta e não teve filhos. Casou-se duas vezes, a segunda com o diretor Flávio Rangel (1934-1988), com quem viveu muito feliz durante seis anos, no Rio de Janeiro. Após a morte do marido, ela voltou para a capital paulista para viver perto da família. "Ela ficou muito sentida com a morte do Flávio, mas tocou a vida com garra. O que se comenta é que em seu último trabalho ela estava retraída, sempre num canto, sozinha", disse o ator John Herbert (77). Os irmãos de Ariclê, Roberto e Thaia Perez, também atriz, e sua mãe, Leonor, estavam consternados diante da tragédia ainda não solucionada, que dividiu a opinião de todos. "Ariclê era uma enorme amiga, há mais de 30 anos. Ela era expansiva, alegre e comunicativa. Ninguém sabe o que aconteceu, é o tal mistério da vida", analisou o ator, diretor e autor Juca de Oliveira (70), muito abatido. "Ela foi minha esposa em uma novela, amante em outra e amiga na vida real. Que a Ariclê encontre agora a paz que procurou de forma tão desesperada", desejou o ator Lima Duarte (75), o Murat na novela das 8 da Globo, Belíssima. O depoimento mais contundente foi o da atriz Marília Pêra (63) à Agência Estado. "Ariclê parecia irritada com a vida e, nos últimos dias, dava a impressão de ter desistido. Mas nada disso atrapalhou seu trabalho, pois ela era muito profissional. Quando eu soube da notícia, me veio à cabeça que é preciso sempre dizer às pessoas o quanto as amamos e o quanto elas são importantes para nós", declarou a estrela, que interpretou Sarah Kubitschek em JK. Em entrevista ao jornal O Globo, em 1984, Ariclê disse: "Sonho morrer suavemente: descobrir um dia que está na hora de ir embora e sair caminhando por uma estrada até desintegrar-me, de jeito tênue."