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NOVO ANO TRAZ ESPERANÇA DE AMOR A SOLTEIROS E DE RENOVAÇÃO A CASADOS

por <b>Paulo Sternick</b> Publicado em 30/12/2008, às 21h19 - Atualizado às 21h20

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Nada melhor do que o cansaço do fim de ano - do ano velho - para nos lembrar que a vida tem incrível tendência à deterioração. E nada melhor do que um novo ano para reavivar o viço do estimulante e promissor recomeço. Uma expressão óbvia desse ciclo é o envelhecimento dos seres vivos, a morte irremediável dos organismos, mas também o renascimento deles em novas gerações. Na vida de cada um, o ciclo de fim e recomeço é eterno enquanto ela dura. Quantas vezes não perdemos amores e reencontramos outros? Quantas vezes não tivemos de virar a página e cantar, junto com a música do compositor Ivan Lins (64), o começar de novo? Em períodos mais longos do que a existência individual, como na história, a batalha entre a construção e a destruição é constante, assim como dentro de cada pessoa e dos relacionamentos. Mas nada acontece de modo mágico: é necessário um esforço de luta e conquista - caso contrário, o fracasso e a solidão podem dominar. Os que estão sozinhos, ou aqueles que viraram o ano sofrendo as dores de uma recente separação, encontram no ano que começa uma luz de esperança, de renovação, de ousadia para situações inesperadas de encontro amoroso. Não devem se abater e, sim, lembrar-se dessa eterna luta de vida e de morte, ou de afirmação e depressão, que ronda inescapavelmente o psiquismo da espécie. Por acaso pensam que o êxito no amor acontece naturalmente às pessoas? De forma nenhuma! Na maioria das vezes, é resultado de luta e determinação. Primeiro, contra os próprios obstáculos, as armadilhas que fazemos para nós mesmos, as escolhas erradas ou posicionamentos adversos; depois, existe a luta para manter o espírito de conquista e de afirmação, que - sempre com a ajuda da ética, dos bons princípios - favorecem a formação de laços afetivos significativos. O ano de 2009 traz de volta o mito de que o início é sempre um momento ideal e purificado, uma promessa de vida e de amor no coração, de coisas novas e boas. Na verdade, se pensarmos com mais atenção, o impacto de um novo ano apenas nos acorda para o fato de que a cada dia estamos realmente recomeçando. Isso é muito importante para os que vivem com um par, tanto para os que ainda o procuram. A cada dia, ao acordar, renascemos, apesar de carregarmos um passado que não deve nos saturar, ofuscando o que vem pela frente. Só não dá para fazer uma festa de réveillon toda noite, abrir champanhe, espocar fogos - se bem que, de vez em quando, isso faz um bem!... A mudança de ano é um ato ritualístico que consagra e institucionaliza um novo que está, na verdade, emergindo todo o tempo: é só abrir os olhos. Claro que a vida também tem elementos fixos, de continuidade, convivendo com as emergências mutantes. Mas o que perturba essa dança dialética entre o fixo e o novo é uma estranha tendência a que as pessoas obedecem para repetir situações - mesmo as que não são prazerosas e saudáveis. É evidente que há o prazer da reprodução de coisas boas: o escritor tcheco Milan Kundera (79) já disse que o prazer vem da repetição. De fato, por isso podemos ficar com uma pessoa por muito tempo e até a vida inteira. Mas a compulsão à repetição, estudada pela Psicanálise, vem a ser aquilo que impede a necessária renovação de coisas que não estão boas, prejudicando a melhora da vida e a superação dos impasses.