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Natal é boa ocasião para o casal se perdoar e fortalecer a relação

por <b>Paulo Sternick</b> Publicado em 23/12/2008, às 01h11 - Atualizado às 01h14

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A vida corre apressada e difícil. Nem sempre as pessoas se dão conta de que estão ligadas no automático: vão em frente na luta pela sobrevivência - que cada um inventa à sua maneira. Sim, pois embora o sobreviver tenha um aspecto objetivo, a partir de um certo cardápio básico, cada um o recria conforme o próprio desejo, nível de exigência e estilo subjetivo. Na torrente do dia-a-dia, falta tempo para refletir se não estamos sendo distantes ou egoístas demais, atropelando sentimentos alheios e até perdendo de vista as próprias referências. A indiferença é capaz de atingir inclusive as relações mais íntimas - o amor que está ao nosso lado, os filhos, os pais, os irmãos e os demais familiares. Às vezes, é preciso uma solenidade como o Natal, com seus encontros festivos, ceia e presentes para que aconteça um momento de emoção, uma chance de olhar em volta, redescobrindo entes queridos e prestando atenção ao valor da vida. O momento de afeto propicia mesmo a reconciliação de casais ou familiares que brigaram, além do perdão pelos erros recíprocos. Nesta hora propícia à reflexão, o maior presente que se pode receber, muito mais importante do que as coisas materiais - alçadas na consumista atualidade a fetiches idealizados - serão os sentimentos de gratidão pelo convívio mútuo, a ternura pela sorte de ter um ao outro, com todos os prazeres e os impasses inerentes às relações de um casal. Melhor ainda é não limitar esses bons sentimentos à solenidade natalina. Eles devem ser mais do que mera expressão de astúcia momentânea, representar as reais possibilidades de serem transformados em atos cotidianos. Esta é a proposta de cada Natal aos seres humanos. Costuma-se ver o perdão como algo que acontece após uma falta, ocasionando o célebre pedido de desculpas. Sem dúvida, um gesto civilizado de reconhecimento de que o outro merece uma reparação após ser vítima de ação desastrada, imerecida ou injusta. Porém, nem sempre se atenta ao fato de que o termo perdão também significa poupar, evitar. Invocando responsabilidade prévia por seus atos, eu costumo lembrar a meus clientes que desculpas se pedem antes de se cometer uma injúria, no sentido de evitá-la. Claro que não somos perfeitos e cometemos faltas, especialmente junto à pessoa com quem temos mais intimidade, devido ao convívio que por vezes desmobiliza o cuidado. Mas o pedido de desculpas, tanto quanto as comemorações natalinas, não são reparações mágicas e não devem subtrair a autêntica introspecção sobre nossa conduta. Alguns casais reclamam que chegam ao Natal sofrendo a deterioração de suas relações, sem reparar que ao longo do ano podem não ter prestado atenção ao fato de que o amor requer, além do desejo, uma série de cuidados e atenções recíprocos. Entre eles, a resignação com as inescapáveis frustrações e a tolerância com os paradoxos simultâneos ou alternados de amor e desamor. E há que se ter precaução com a própria pressão - e depressão! - natalina e do fim de ano: o frenesi da época faz algumas pessoas extremar as dificuldades de suas relações. Uma expectativa exagerada a respeito do que é a felicidade no amor e a fantasia de que o Natal e as relações dos outros é que são plenos e invejáveis podem levar a decisões intempestivas, provocando sofrimento desnecessário.