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Na globalização, o amor derruba fronteiras e supera as diferenças

Paulo Sternick Publicado em 12/07/2006, às 16h57

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Paulo Sternick
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Cupido, versão romana de Eros, o deus grego do amor, nunca imaginou que as flechadas que provocam paixões irresistíveis teriam esse alcance globalizado, a ponto de unir pessoas de diferentes línguas, nacionalidades e culturas. Aonde vão os humanos, o desejo vai atrás. Ou melhor, na frente, puxando-os: o amor, já dizia a antiga sentença, não tem fronteiras. E o mundo ficou pequeno para o trânsito internacional de pessoas. Mais do que em qualquer outra época, hoje se viaja muito pelos vários continentes - seja a trabalho ou estudo, seja simplesmente a passeio. Em poucas horas se atinge distantes lugares em vôos cada vez mais rápidos e baratos. E mais: em tempo real, os pombinhos podem se falar e até se ver - via Internet e câmeras web -, matando a saudade e continuando vínculos iniciados em algum ponto do planeta. Sem contar que eles se conhecem sem ter saído de casa, na rede mundial de computadores. Essa verdadeira teia de romances a cruzar a Terra na velocidade de uma libido globalizada trouxe problemas adicionais aos futuros casais multinacionais - ou simplesmente tornou mais transparentes os "grilos" que já existem em todo par? Essa é uma questão de interesse, senão vejamos. A diferença de idiomas parece obstáculo de menor importância, porque, não raro, há sempre uma língua que ambos falam, como o inglês ou o espanhol; senão, podem aprender. Afinal, há sintonia mágica, atração inexplicável, uma linguagem de sinais, olhares, expressões que traduzem afetos e conteúdos da alma. Inversamente, não é verdade que pessoas falando a mesma língua podem não se entender? Não apenas porque discordam de muitas coisas, como também pelo fato de que as palavras às vezes têm significados diferentes para cada um. Por exemplo: o que um pombinho entende por "amor", "consideração" ou "respeito" pode ser muito diferente do que o outro entende pelas mesmas palavras faladas em igual idioma. E isso é fonte de muitos atritos, que um casal mais afinado, embora falando idiomas diferentes, pode não sofrer. Mas cuidado com o conto de fadas global. Se os de fora podem ter a tendência, segundo o antropólogo belga Claude Lévi-Strauss, de sentir que o exótico é afrodisíaco, nós temos certa inclinação a idealizar o estrangeiro, como se ele tivesse tudo de bom, livrandonos das limitações dos amores locais. Aliás, apaixonar-se por alguém que mora distante pode até ser sintoma de inaptidão para se relacionar por aqui mesmo, pois não? Mas às vezes acontece um amor real - por exemplo, num trabalho ou curso no exterior - e os pombinhos devem estar conscientes das armadilhas e impasses que terão pela frente numa relação com alguém de fora. Sua união não será uma ponte sobre águas turbulentas, mas certamente sobre dois universos diferentes. A velocidade e a facilidade com que nos locomovemos ou nos comunicamos atualmente pode nos cegar para a realidade da distância geográfica e das disparidades culturais e mentalidades familiares. Mas nada que um amor autêntico não possa enfrentar com bom humor. De forma otimista, poderíamos dizer que a união entre estrangeiros apenas realça diferenças sempre existentes entre duas pessoas: por mais que tenham nascido na mesma cidade, sejam da mesma classe social e até morem no mesmo bairro, dois pombinhos podem descobrir que nada têm a ver um com o outro. A aparente afinidade não passava de um verniz de superfície sobre camadas mais profundas cujos "santos" não se cruzaram. Na verdade, sempre somos estrangeiros uns dos outros, mas existe um mistério, além de aparências e convenções, que une duas pessoas e as faz permanecerem juntas. Se há problemas na relação entre parceiros de países diferentes, há também vantagens no estímulo recíproco e no aprendizado mútuo dos diferentes hábitos, tradições e costumes, sem esquecer, é claro, o próprio amor temperado pela diversidade.