Revista CARAS
Busca
Facebook Revista CARASTwitter Revista CARASInstagram Revista CARASYoutube Revista CARASTiktok Revista CARASSpotify Revista CARAS

Mensagens dúbias criam neuroses e complicam os relacionamentos

por <b>Leniza Castello Branco</b>* Publicado em 07/12/2009, às 17h07

WhatsAppFacebookTwitterFlipboardGmail
Como em outros tipos de relacionamento, a dificuldade de comunicação também é um entrave nas relações amorosas. Quantas vezes fala-se uma coisa e o interlocutor entende outra! E nem sempre sem razão. Nos anos 1960, o antropólogo e sociólogo inglês Gregory Bateson (1904-1980) chegou a criar as expressões "duplo vínculo" e "dupla mensagem", para definir uma das formas de se comunicar que leva à frustração e ao desentendimento. Na dupla mensagem há um desacordo entre o que a pessoa diz e a expressão facial, o tom de voz, o olhar, os gestos. Em geral, o conjunto é contraditório. Revela ao mesmo tempo amor e rejeição. Quem recebe mensagens assim fica confuso, obviamente, e responde da mesma forma. Se esse modo de agir se torna constante há o risco de deixar a outra pessoa neurótica, desconfiada, o que mina sua autoestima e aumenta seu nível de stress. Para se ter uma ideia do poder desse tipo de comportamento, quando ele se repete com uma criança, pode levá-la à esquizofrenia ou à alienação. Entre parceiros amorosos, a dupla mensagem também é desastrosa. Veja este exemplo: um marido não dá atenção à mulher, chega sempre tarde, não ouve quando ela quer falar, não tem mais desejo por ela. Acha que é chata, insistente, que não o elogia e que nunca está satisfeita. Percebendo o distanciamento, ela pergunta se ele ainda a ama. Ao que ele responde sim, claro, ama muito! Afinal, não está com ela há 20 anos? Seu comportamento diz que não a ama mais, mas suas palavras dizem que sim. Ao receber a mensagem contraditória, ela vai duvidar de seus próprios sentimentos, pois aquilo que sente como desamor na verdade é amor. Ela fica confusa e não pergunta mais, pois ele dirá que está louca. É uma situação perversa, sem saída. A realidade é que ele já amou esta mulher, mas a interdependência, os muitos anos de casamento e as diferenças entre os dois fizeram com que seu amor diminuísse. Seria melhor se dissesse: "Sim, você tem razão, estou meio distante e, não sei por quê, meu desejo diminuiu. Vamos conversar sobre isso?" Se ele abrisse o coração, ela poderia também admitir que ultimamente tem sido chata e insistente e não o elogia mais porque sente muita distância. Ele não negaria os sentimentos dela e os dois poderiam entender que toda relação tem altos e baixos. Se a conversa não acontece, cria-se um círculo vicioso: ela vai ficando cada vez mais chata e ele passa a excluí-la de sua vida, um sempre culpando o outro. Outro exemplo corriqueiro: a mulher convida o marido para irem à casa dos pais dela. Ele diz que prefere ficar em casa e pergunta por que não vai sozinha. Ela insiste, começam a brigar. Se ele cede e diz que vai, aí ela fala que não precisa mais, que vai sozinha. Os dois perdem nesse jogo. Se ele for, vai contrariado; se não for, ela ficará infeliz, pois acha que um casal deve fazer tudo junto. Não conseguem entender que são duas pessoas, que podem ter desejos diferentes, que não vão se amar menos por isso. É saudável para um casal que cada um cultive sua individualidade, tenha amigos próprios, interesses diferentes e o direito de não querer as mesmas coisas que o parceiro. As duplas mensagens devem ser identificadas tanto por quem as envia quanto por quem as recebe. E, uma vez percebidas, devem ser esclarecidas, para que não se transformem numa rotina.