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MARA MANZAN DÁ LIÇÃO DE FÉ E DE VIDA

UM MÊS DEPOIS DE RETIRAR TUMOR MALIGNO DO PULMÃO, ELA MOSTRA FORÇA E SABEDORIA

Redação Publicado em 21/05/2008, às 16h03

Bem-humorada, mostra coleção de sapos e diz esperar que um deles vire um príncipe. - Paulo Marcos
Bem-humorada, mostra coleção de sapos e diz esperar que um deles vire um príncipe. - Paulo Marcos
Mesmo enfrentando um grande drama pessoal, Mara Manzan (55) não é do tipo que se entrega facilmente. Quase um mês depois de retirar um tumor maligno do pulmão, a atriz recebeu CARAS em seu flat, no Rio. Ainda convalescendo da cirurgia a que se submeteu no Sírio Libanês, em São Paulo, ela não perde tempo com baixo-astral. Para a entrevista, pintou o cabelo de castanho escuro e até colocou alguns de seus vestidos de festa. Mas o bom humor deu lugar ao choro em alguns momentos do bate-papo, como ao relembrar a sua alta do hospital. "Quando o médico me tirou o dreno, me emocionei. Percebi ali que tudo estava acabando, que tinha sobrevivido. Na operação, você entrega a vida a Deus", conta a atriz, cercada pela sua coleção de sapos. "Dizem que traz alegria e dinheiro", explica. A luta de Mara contra a doença ainda não terminou. Durante os próximos meses, ela passará por sessões de quimioterapia, em São Paulo, de 14 em 14 dias. "Se o cabelo cair, não me incomodo, cresce depois. Vou comprar várias perucas e sou capaz até de lançar moda. Quero mesmo é me curar", constata ela, que, por conta da doença, deixou a novela Duas Caras, em que vivia a Amara. Disposta a superar tudo de cabeça erguida, Mara, que retirou também, há 10 anos, um câncer do útero, já pensa nos próximos trabalhos: o infantil O Palhaço Imaginador e o monólogo Mulher Invisível. - Qual foi o pior momento? - Três dias antes de me internar, quando vi que seria mesmo operada. Tive medo. Lembro que fui ao show do Roberto Carlos e chorei muito quando ele cantou Emoções (chora). Há quantos anos não o ouço cantando esta música? Pensei ali que podia ser a última vez. Era uma cirurgia de risco. - Por que antes mesmo de confirmar o câncer você tornou público o seu problema? - A ficha só caiu depois. Quando descobri a doença, não sei por que, me deu um excesso de bom humor. Parecia uma louca, só faltava bater nas costas das pessoas e dizer: 'Haha! Estou com câncer'. Na verdade, isso foi uma defesa. Naquele momento, eu não queria me permitir sofrer, sentir medo. - A que se apegou? - Totalmente a Deus. Mas agradeço também à minha filha, Thatianie, meus netos, Júlia e Pedro, e aos meus amigos. O Eri Jonhson, a Marília Pêra, a Susana Vieira, o Wolf Maya, o Aguinaldo Silva, todos queriam saber de mim. Esta força foi importante. - Qual a sua religião? - Acredito em Deus. Nada é por acaso. Não o questiono nunca. - Se perguntou por que aconteceu com você? - De jeito nenhum. Odeio isso. Ora, aconteceu comigo porque, de alguma forma, mereci. E também não poderia ter a pretensão de achar que para o outro pode acontecer e para mim, não. Quando sou convidada para uma novela, não fico perguntando por que ocorreu comigo. Não há motivo para questionar isso (chora). - Se arrepende de ter fumado? - Antigamente, quando me perguntavam qual seria o meu último desejo se eu fosse morrer logo, dizia: 'um café e um cigarro'. Hoje não quero mais o cigarro. É o grande vilão. Tem gente que tem câncer de pulmão e nunca fumou, mas esta pessoa não tem um enfisema pulmonar, como eu tenho. O problema da minha operação foi esse. Poderia ter saído de lá com um aparelho de oxigênio, que se usa pelo resto da vida. Hoje, tenho vontade de me usar como exemplo. Mas, me arrepender de algo, não. Me diverti muito nessa vida. Tenho é que colher o que plantei. Uma das coisas foi a burrice de ter fumado durante 40 anos. - Passado este momento, qual seria um grande sonho? - Que a Marília Pêra topasse me dirigir no monólogo Mulher Invisível, da Maria Carmem Barbosa. Sei que está fazendo várias coisas, mas queria que ela dedicasse um pedacinho do seu tempo para mim. Nem que eu espere um pouco, mas queria fazer a peça com uma grande diretora. - E a sua estréia na direção? - Como agora estou sendo obrigada a ficar quieta, decidi montar o infantil O Palhaço Imaginador, do Ronaldo Ciambrone. Vou fazer com as crianças Gabriel Sequeira, Luana Dandara e Lucas Barros e com o Marcondes Cavalcanti. Há 20 anos encenei esta peça. - É complicado ficar quieta? - Sou elétrica. Mas, por incrível que pareça, neste momento está sendo difícil ser essa pessoa. - Quer um namorado? - Sinto falta de um amor. Mas não sou de ficar procurando. Antes só, do que mal acompanhada. Com o passar dos anos, você fica mais seletiva. Sinto falta de ter alguém, principalmente quando percebo que estou rindo ou chorando sozinha. Tenho os meus casos. Mas agora estou encalhada. Vou começar a dar uns beijos nos meus sapos para ver se algum deles vira um príncipe.