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Longe de ser inofensiva, a traição virtual também agride e decepciona

por <b>Célia Horta</b>*<BR><BR> Publicado em 16/12/2009, às 13h04 - Atualizado às 13h07

Longe de ser inofensiva, a traição virtual também agride e decepciona
Longe de ser inofensiva, a traição virtual também agride e decepciona
Nestes tempos de Internet, está ficando difícil reconhecer a linha divisória entre a fidelidade e a traição. Afinal, até que ponto o sexo virtual não é também real? Quem navega em sites pornográficos e interage com eles está sendo infiel com seu parceiro? O que a mulher deve fazer ao descobrir no histórico do computador que o marido se envolve com alguém via Internet? Diferentemente das imagens congeladas das revistas masculinas, que sempre fomentaram o imaginário dos leitores, a Internet traz mulheres e homens não só nus, mas em movimento, emitindo sons e interagindo em tempo real com quem quer que seja. Chego a questionar se a palavra "virtual" ainda é válida para se referir ao sexo pela Internet. Segundo o dicionário, virtual é aquilo que não se realizou, que existe apenas potencialmente. O sexo virtual, entretanto, está muito próximo da ação concreta. O termo "virtual" parece fazer sentido apenas para explicitar que a ação é realizada pelo computador. Se o envolvido numa relação desse tipo é compromissado, fica muito difícil dizer que não quebrou a fidelidade conjugal, ainda que não o admita. Claro que há casamentos abertos, em que a prática é aceita e estimulada pelos parceiros. Mas essas uniões representam apenas uma minoria. E, embora mulheres também façam sexo virtual, tenho observado que os homens são os principais visitantes dos sites especializados. Quando flagrados, em geral tentam convencer a esposa de que se trata de algo trivial. Se ela protesta, alegam que sua reação é exagerada e antiquada. É preciso entender, porém, que envolver-se com sites pornográficos não é tão inofensivo assim. Se fosse, não seria comum fazê-lo às escondidas. É bom lembrar, inclusive, que algumas pessoas chegam a viciar-se em pornografia digital. A mulher que flagra o marido quase sempre fica decepcionada, embora não saiba dizer se pode considerar aquilo uma traição. Confusa sobre como lidar com o ocorrido, ela sequer tem confiança para opinar e se posicionar de maneira firme. Então, vai se instalando uma certa permissividade na relação. Ele se sente mais à vontade, posto que seus hábitos passam a ser de conhecimento da mulher. Acredita que a infidelidade que comete, se é que comete, é de uma categoria mais amena, mais aceitável. Algumas mulheres, mesmo contrariadas, toleram o hábito do marido. Outras até concordam em participar das sessões, com medo de não estarem sendo companheiras. Mas há também aquelas que não admitem a prática. A situação é polêmica. Se por um lado a traição até pode ser considerada de um nível mais leve, por outro, saber que a terceira pessoa está ali, ao vivo, ainda que não no mesmo ambiente, pode gerar um descontentamento legítimo naquele que se sente violado, o que pesará no casamento. É por isso que o assunto deve ser discutido. Aquele que está desconfortável precisa se fortalecer e expor ao companheiro suas discordâncias. Este, por sua vez, terá a chance de defender sua posição. É como se a tecnologia viesse impor a necessidade de se criar emendas nas regras que sempre serviram de referência para a vida do casal. Afinal, por ocasião dos juramentos matrimoniais, ninguém se lembrou de estabelecer normas para as visitas íntimas ao mundo chamado virtual.