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LIVING DESIGN: Décadance avec élégance

Redação Publicado em 19/01/2011, às 11h51 - Atualizado em 01/07/2011, às 15h19

Depois de um dia estafante, nada melhor do que se recolher a sua unidade habitacional, não é mesmo - Divulgação
Depois de um dia estafante, nada melhor do que se recolher a sua unidade habitacional, não é mesmo - Divulgação

Em tempos de crise econômica mundial, a célebre frase "menos é mais", de autoria do grande arquiteto alemão Mies van der Rohe, é mais do que adequada. No entanto, ainda existem aqueles que não conseguem se desapegar de um estilo de vida cheio de ostentação e exageros. É exatamente esse lifestyle cheio de luxo além da conta que o artista plástico e ex-arquiteto taiwanês Kacey Wong critica em um dos seus trabalhos mais recentes - uma performance batizada por ele de "Famiglia Grande", em que pai, mãe e um casal de filhos vivem sua rotina de banquetes, bailes e outras atividades cheias de requinte no meio de uma praça a céu a aberto em Hong Kong. O objetivo do artista é atrair a atenção das pessoas para como a vida está se desenvolvendo nas grandes metrópoles do mundo. Conforme o próprio Wong me disse durante a entrevista que fiz com ele, "o mercado imobiliário daqui de Hong Kong só conhece uma fórmula, que é extrair dos espaços o máximo possível de dinheiro, e com uma imensa falta de criatividade - a essência do trabalho fica muito repetitiva". Aliás, foi exatamente por este motivo que ele desistiu da carreira de arquiteto e passou a se dedicar só às artes plásticas. Na sua opinião, "Arquitetos com A maiúsculo" estão em falta por lá. Os personagens que compõem a "Famiglia Grande" de Wong são: o pai, um típico especulador financeiro que checa o sobe-e-desce da Bolsa de Valores a cada cinco minutos no Blackberry; a mãe, uma mulher que se acha muito linda e está sempre se esforçando para manter a graça e a magreza, e os filhos, cuja rotina é repleta de atividades como aulas de piano, violino, pintura para obedecer à vontade dos pais. Com o advento da crise econômica mundial, eles perdem tudo o que tem, inclusive a casa onde moram - o que sobra é apenas a pose. Um dos aspectos que mais chama a atenção do espectador é a solução encontrada por Wong para resolver o problema de moradia desses novos sem teto: o artista desenvolveu uma espécie de abrigo portátil individual que, segundo ele, se parecem com caixões. "Eu queria que as pessoas começassem a pensar sobre o quanto de espaço elas realmente necessitam. Nós realmente precisamos viver em um palácio para nos sentir em paz? É por isso que os abrigos do "Famiglia Grande" se parecem um pouco com caixões. Eles não são apenas uma unidade funcional de habitação nas ruas, mas também um sinal de aviso. Se continuarmos a viver dominados pelo materialismo sem desenvolver um pensamento autocrítico, a morte será a nossa maior compra", sentencia ele. Veja na galeria de fotos da coluna as imagens dessa performance bem humorada - mas carregada de sarcasmo - de Kacey Wong. E se você quiser saber mais sobre arte, arquitetura, decoração e design, visite também o meu blog (www.monicabarbosa.com.br), onde posto novidades todos os dias.