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Leticia Sabatella lança documentário indígena para grande público

A atriz Letícia Sabatella estreou na direção do documentário Hotxuá, sobre os índios Khraô, que co-dirigiu com Gringo Cardia. Ela falou à CARAS Online sobre a experiência

Redação Publicado em 06/02/2012, às 17h25 - Atualizado em 08/08/2019, às 15h43

Letícia Sabatella durante a realização do documentário 'Hotxuá' - Divulgação/ Salete Hallack
Letícia Sabatella durante a realização do documentário 'Hotxuá' - Divulgação/ Salete Hallack

Leticia Sabatella (40) faz sua estreia como diretora com o lançamento de Hotxuá, que chega aos cinemas em 17 de fevereiro. A atriz, que contou com a ajuda do artista plástico Gringo Cardia na direção, disse, em entrevista à CARAS Online, ter assumido as rédeas do documentário quase sem querer.

Comecei querendo me aproximar, fazendo uma ponte entre alguém que quisesse fazer um documentário. Eu estava produzindo, acabei dirigindo e chamei o Gringo para ser meu parceiro. Outras pessoas também contribuíram, passaram pelo processo. Estrear como diretora foi consequência do quanto eu já era meio que mãe do projeto”, explicou a atriz, que foi convidada pelos índios Khraô para falar sobre a aldeia quando fez um laboratório com eles para a peça teatral .

Letícia ficou feliz com o resultado do documentário, que já ganhou o Prêmio do Júri Popular no Festival de Cuiabá e recebeu o FestCine Amazônia, ambos em 2009. “Ficou uma coisa singela da cultura Khraô. Tínhamos muitas entrevistas, com pessoas fantásticas, mas achamos melhor fazer um filme de imersão nossa, do cinema, dentro de uma aldeia, para contextualizar a sutileza daquele riso, daquela vida, para as pessoas entrarem no modo de vida, que é mais interessante. São os próprios índios contando suas histórias”, explicou.

A atriz também contou o que pôde aprender com os índios. “Muitas coisas se aprendem numa tribo indígena. O contato com a natureza é exacerbado, você vive de uma maneira muito essencial. Nesse caso, você aprende sobre o valor da diversidade do cerrado, da noção de equilíbrio. Esse princípio que faz você utilizar os recursos da natureza, mas contribuir também, e não destruir. As lendas, a maneira como as crianças vivem soltas, a relação com os sonhos, os ritos em torno da fogueira.”

O documentário faz um registro poético sobre essa tribo indígena, que vive em Palmas, Tocantins, e mostra o dia a dia dos Khraô e o maior e mais importante evento desse povo, a Festa da Batata, que marca a mudança da estação chuvosa para a seca e celebra a fertilidade da tribo. A dupla de diretores também fala sobre a figura do Hotxuá, um palhaço sagrado profundamente respeitado entre os Khraô, que tem a função de fortalecer e unir o grupo através da alegria, do abraço e da conversa.

Letícia, que sempre esteve envolvida em causas sociais, acredita que usar sua fama de atriz para mostrar a cultura e as necessidades dessa tribo indígena é gratificante. “É um poder você ser ouvido e você pode escolher com o que vai gastar suas palavras. Eu costumo escolher usar as minhas com integridade e ética”, completou a atriz, que, agora, está entregando o resultado final do documentário à tribo, para que os Khraô possa usá-lo a seu favor. "Eles querem se autogerir, não serem patronizados. Querem ser valorizados por nós e ser reconhecidos na sua diversidade e na sua igualdade. O documentário veio com isso: aprender e levar o que eu acho de lindo da aldeia para as escolas, as pessoas."