Revista CARAS
Facebook Revista CARASTwitter Revista CARASInstagram Revista CARASYoutube Revista CARASTiktok Revista CARASSpotify Revista CARAS

Simone confessa o medo de se apresentar

Simone vence timidez para falar de sua trajetória na MPB, de religiosidade e dos gostos pessoais

Redação Publicado em 02/05/2012, às 14h44 - Atualizado em 10/06/2012, às 06h02

Na escadaria do casarão em estilo colonial que abriga festas, a cantora faz balanço de sua vida pessoal e profissional: das quadras de basquete à estrela da MPB. - Selmy Yassuda
Na escadaria do casarão em estilo colonial que abriga festas, a cantora faz balanço de sua vida pessoal e profissional: das quadras de basquete à estrela da MPB. - Selmy Yassuda

O corpo esguio, a voz grave e os cabelos volumosos de Simone (62) fazem dela uma referência em presença de palco e personalidade. No entanto, apesar dos 40 anos de carreira celebrados neste ano, a cantora surpreende ao contar que até hoje sente verdadeiro pavor de encarar uma plateia. “Sou muito tímida. Sempre tive medo de me apresentar, e ainda tenho. Na verdade, é um sofrimento. (risos) Mas amo cantar e respeito meu público, então, tenho que pagar a prenda”, contou, na casa de festas Villa Riso, Rio, após voltar da turnê portuguesa do CD Em Boa Companhia. Formada em Educação Física e jogadora profissional de basquete na juventude, Simone lembra que enveredou pelo caminho da arte por acaso, apesar de a música ter sido uma paixão de infância. “Aos 22 anos, quando já tinha saído da Bahia para morar em São Paulo, conheci o Moacir Machado, gerente de marketing da extinta gravadora Odeon. Fui a um jantar na casa dele e cantei. Ele me perguntou se queria fazer um teste. Deu certo. Logo depois, em 1973, gravei o primeiro LP”, relembrou.

– Você chegou a ser convocada para a Seleção Brasileira. Foi difícil largar tudo pela música?

– A importância de estar na seleção sempre foi enorme, mas, há 40 anos, o esporte não era difundido como hoje. Não se ganhava para jogar, era só ajuda de custo. Amava o basquete, só que a música bateu mais forte. Lembro da primeira vez em que fui ver um show do Milton Nascimento, enlouqueci.

– O que você faz para se manter assim, bem fisicamente?

– Caminho e comecei a fazer yoga. Não gosto de doce ou de fritura e só como grelhados porque minha digestão é lenta. Mas sou literalmente viciada em pipoca. (risos) Levo até meu pacote sem gordura trans para o cinema. Acho que estou bem. Media 1,80m, mas já devo ter encolhido um pouco, e peso 67kg. Engordei uns 10kg com a menopausa, o que considero bom. Depois de certa idade, não dá para ser muito magra.

– É mais vaidosa hoje em dia?

– Nunca fui de me olhar muito no espelho. Esqueço mesmo.

– Nos shows, você usa branco e entra com o pé esquerdo. O que há de religião ou superstição?

– Fui criada na Igreja Católica, mas vejo Deus materializado na natureza. Segui durante algum tempo a Fraternidade Branca, espécie de comunhão voltada para as cores. Na verdade, sou bem ignorante em matéria de religião. Por incrível que pareça, nunca fui a um candomblé, mesmo sendo baiana, mas rezo todos os dias um Pai-Nosso e uma Ave-Maria.

– Tem vontade de voltar às raízes e morar na Bahia?

– Gosto muito de ir para lá. A Bahia tem um cheiro gostoso, muito próprio... Mas morar de vez é difícil. Estou bem no Rio.

– Você está namorando?

– Estou solteira. Gosto de mim e não tenho o menor problema em ficar sozinha. É bom ter alguém quando essa pessoa soma. Solidão a dois, não.