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INSPIRADOR LAR DE ROSA MAGALHÃES

INDICADA AO EMMY, A CARNAVALESCA DA IMPERATRIZ ENTRE MEMÓRIA E PROJETOS

Redação Publicado em 11/06/2008, às 17h53

INSPIRADOR LAR DE ROSA MAGALHÃES - Renato Velasco e Ramiro de Jesus
INSPIRADOR LAR DE ROSA MAGALHÃES - Renato Velasco e Ramiro de Jesus
por Ana Sílvia Mineiro O destino profissional da carnavalesca, cenógrafa e figurinista Rosa Magalhães (61) foi traçado quase por acaso. Filha única do jornalista, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras Raimundo Magalhães Júnior (1907-1981) e da também escritora e teatróloga infantil Lúcia Benedetti (1914-1998), a estudante da tradicional escola Sacré Coeur de Marie, em Copacabana, Rio, queria ser advogada. Foi o professor de um curso de desenho que mudou seu caminho. "Por que você não faz vestibular para Belas Artes?", ele perguntou, avaliando o talento da aluna. Rosa resolveu tentar. Passou para a Universidade Federal do Rio de Janeiro, gostou das aulas e ficou. Hoje, acumula prêmios na carreira. Há 17 anos à frente dos desfiles da Imperatriz Leopoldinense, campeã cinco vezes na escola e uma na Império Serrano, em 1982, ela foi responsável pelo espetáculo de abertura do Pan 2007, no Maracanã. O trabalho nos jogos garantiu a ela sete prêmios internacionais, além de indicação ao Emmy, o mais importante da TV americana, em duas categorias: Figurino e Design de Estilo e Direção de Arte, Cenografia e Design Cênico. "Ter sido indicada a um prêmio desse quilate já é muito bom", diz em sua casa, uma construção de 1946, em Copacabana, que reformou e coloriu. "Casa de brasileiro é assim, colorida. Adoro cidade do interior porque não há pudor em usar cor." Além de quatro cachorros, entre eles, a inseparável Mel, um poodle de 9 anos, a carnavalesca coleciona bichos: há onças de madeira, cão robô comprado em Miami por 20 dólares, ornitorrincos, macaco, um panda de pelúcia e até cavalinho de carrossel de parque de diversões. "Ganho, compro. A família de ornitorrincos do meu quarto foi um presente. Conhece alguém que tenha ornitorrincos? Também tenho peixes em forma de cinzeiro, jacaré de madeira...", enumera Rosa, que está às voltas com a criação do cenário e figurino do espetáculo Eu Sou o Samba, que conta a história do carnaval até os anos 1970, com estréia prevista para julho no Teatro Carlos Gomes, Rio. - Há uma hora certa para você criar seus trabalhos? - A hora em que há silêncio. Quando meus pais eram vivos, cada um trabalhava em um lugar, quieto. Silêncio é importante. Odeio aquela coisa de pôr música tocando na orelha, passo mal. - Seus pais eram intelectuais. Como foi sua educação? - Com muita liberdade. Podia ler o que quisesse, estudei inglês, francês, italiano, música... Aos 14 anos, meu pai me ensinou a dirigir. Eu ficava em uma rua sem saída, indo para lá e para cá, até que aprendi. Minha mãe sempre me falava: 'Seu pai a criou assim porque não teve filho homem. Se tivesse, você ia ver realmente o que é ser filha mulher...'. - Ela era mais conservadora? - Não muito. Meu primeiro cigarro foi minha mãe que deu, também aos 14 anos. Eu estava no dentista, desesperada com a dor de dente, e ela disse: 'Fuma um cigarro que melhora'. Depois, fez campanha contra, porque parou de fumar. Eu também quero parar. - Eram da sua mãe esses santos que você tem em casa? - Parte pertencia a ela, que era religiosa. Outros, eu comprei ou ganhei. - Você reza? Algum santo de devoção? - Rezo para a coleção toda, principalmente quando entro em avião. Tenho pavor. Já estive em um que pegou fogo quando foi para a França. As viagens longas são uma agonia. - Como começou a trabalhar em escola de samba? - Um professor da Escola de Belas Artes estava precisando de figurinista para o Salgueiro. O Pamplona (Fernando Pamplona, carnavalesco) iria fazer o desfile de 1971, mas estava com outros trabalhos. Então, eu comecei. Já passei pelo Salgueiro, Beija-Flor, Portela, Império, Imperatriz, Estácio, Salgueiro de novo e voltei para a Imperatriz. - Sabe sambar? - Mal. Não. Sou ruim de samba, mas gosto de ir aos ensaios. Sambar é um dom. Não é qualquer um que sai sambando, não. - Você contou que uma vez não a reconheceram no Sambódromo... - No barracão, nós estamos sempre imundos. Mas em um ano deu tempo de me produzir antes do desfile. Fiz cabelo, me maquiei. Ninguém me reconheceu. Dava ordens e as pessoas perguntavam quem eu era, não me obedeciam. Fiquei azeda. - O que mais gosta de fazer quando não está trabalhando? - Tomar um café nos quiosques à beira da praia para ver a beleza da paisagem. É muito bom. - Já foi casada? - Não. - Nunca quis? - Uma hora você quer e a outra pessoa, não. E vice-versa. É complicado. Há os desencontros. Da minha geração, conto nos dedos os amigos que estão casados. - Faz algum exercício? - Nunca havia feito, mas quebrei o tornozelo e comecei há dois anos com hidroginástica e natação. No primeiro dia, o professor mandou pôr o rosto na água, não consegui. Agora, sei os quatro nados. Mas já bati muito com a cabeça na parede nadando de costas.