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Inchaço, de inchar, do latim inflare, soprar, é aumento de volume. Podem sofrer inchaço...

... as partes do corpo, o ego e até os preços, quando ocorre inflação. Se os governos não ficam atentos, a inflação pode elevar o valor cobrado pelos produtos às nuvens, do latim nubes.

Deonísio da Silva Publicado em 09/05/2008, às 11h01

Deonísio da Silva
Deonísio da Silva
Cuidador: do verbo cuidar, do latim cogitare, pensar, preparar, prestar atenção, observar, mas sem o "r" e com o sufixo "dor", indicando ofício, ocupação. Designa hoje preferencialmente o profissional que se dedica a proteger pessoas mais velhas, levando-as para passear, tomar ar fresco, visitar amigos, cuidar da sua higiene. Com o aumento da longevidade especialmente nas últimas décadas e com a entrada das mulheres, que tradicionalmente faziam esse serviço, para o mercado de trabalho, as famílias não têm outra saída senão recorrer a terceiros para cuidar dos avós e dos bisavós, sobretudo quando estes enfrentam dificuldade para se locomover. Antes chamada simplesmente velhice, a faixa etária atendida por tais profissionais passou a receber eufemismos como terceira idade, quarta idade e melhor idade. Grumete: do francês groumete, feminino de groumet, antigo criado, encarregado de servir o vinho, diferenciando-se do gourmet, aquele que aprecia vinhos e sabe degustá-los. No francês antigo era grommes, do inglês grom, rapaz jovem. Na Carta do Achamento do Brasil, Pero Vaz de Caminha (cerca de 1450-1500) diz que vieram na tripulação alguns grumetes e dois deles resolveram ficar entre os índios depois que Pedro Álvares Cabral (1467/1468-1520) seguiu a viagem para a Índia, onde, aliás, morreria o escrivão, em combate travado no desembarque. Mas ele já enviara, por outra nau, sua carta ao rei português, dom Manuel I (1469-1521), o Venturoso. Inchaço: de inchar, do latim inflare, soprar, encher de vento, pela formação "inch" mais o sufixo "aço", que forma aumentativos. Sinônimo de inchação, inchaço aplica-se à vaidade, à presunção e à arrogância, no sentido metafórico, e também a doenças que provocam o aumento de tamanho de alguma parte do corpo, aparecendo ainda a variante inchume. É da mesma família de inflação, processo que consiste na alta de preços, algumas vezes porque aumentam as facilidades de pagamento e o consumo. Com o explosivo crescimento da população mundial, inchaço tem aparecido em textos que tratam da caminhada da humanidade rumo às cidades. O inchaço de megalópoles e metrópoles preocupa. Nova York, Cidade do México e São Paulo já têm, cada uma, cerca de 20 milhões de habitantes. A população de Tóquio beira os 36 milhões. Em outras seis cidades vivem mais de 10 milhões de pessoas: Mumbai, Nova Délhi e Calcutá (Índia); Xangai (China); Daca (Bangladesh); e Buenos Aires (Argentina). Nuvem: do latim nubes, nuvem. Designa aglomerados visíveis de fumaça, gelo ou água, suspensos no ar. Nos começos da língua, dizia-se nunve: o 'n', a consoante nasal do início da palavra, migrou para o meio. Também o "u" de "lua" era pronunciado anasalado, por processo semelhante, já que "lua" veio do latim luna. Assim, a consoante nasal de "nunve" fixou-se no fim, dando a forma atual, nuvem. As duas nuvens estelares visíveis a olho nu, próximas ao Pólo Sul, são conhecidas como nuvem de Magalhães, em homenagem ao navegador português Fernão de Magalhães (1480-1521). Ele as descobriu na viagem que fez ao redor da Terra. Na verdade, não são nuvens, mas galáxias. Nuvem está presente em ditos significativos, como branca nuvem, significando paz e também ausência de comemoração. Francisco Otaviano (1825-1889), poeta carioca, escreveu: "Quem passou pela vida em branca nuvem,/ E em plácido repouso adormeceu;/ Quem não sentiu o frio da desgraça,/ Quem passou pela vida e não sofreu;/ Foi espectro de homem, não foi homem,/ Só passou pela vida, não viveu." E Machado de Assis (1839-1908), morto há 100 anos, aconselhou, em Memórias Póstumas de Brás Cubas: "Não te irrites se te pagarem mal um benefício; antes cair das nuvens que de um terceiro andar". Pajem: do francês page, moço, acompanhante de senhor feudal, príncipe ou dama da nobreza. A origem remota é o grego paidión, criancinha, que chegou ao latim como pathicus, jovem homossexual passivo. Em italiano, é paggio, e designou no passado o menino encarregado de segurar acima do chão a cauda dos longos vestidos femininos. No Brasil, onde as mulheres passaram a desempenhar a função antes privativa do sexo masculino, pajem aplicou-se também à babá e à ama-seca. Passou a designar a menina encarregada de acompanhar a mocinha, primeiramente na casa grande, depois também nas mansões das classes abastadas. Com a evolução de usos e costumes, pajem passou a designar também o jovem marinheiro encarregado da limpeza dos navios, diferenciando-se do grumete.