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Implantes para não menstruar e o estresse causam acne em mulheres

Patrícia Guedes Rittes (CRM 48444) Publicado em 12/06/2008, às 16h28 - Atualizado em 07/07/2010, às 18h11

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Patrícia Guedes Rittes
Patrícia Guedes Rittes
A acne é uma doença de pele que se caracteriza pela inflamação da glândula sebácea e do folículo piloso existente junto dela. É a moléstia que mais leva as pessoas ao dermatologista. Ela se manifesta em 85% da população. Atinge 79% a 95% dos adolescentes. E 40% a 54% dos homens e das mulheres com mais de 25 anos apresentam algum grau de acne facial. Ultimamente, temos recebido muitas mulheres com mais de 30 anos no consultório assustadas com o repentino aparecimento da doença. Parte delas teve acne na adolescência e parte não teve. O primeiro grupo de portadoras é composto por mulheres que trabalham fora e ainda cuidam da casa e dos filhos. No caso de algumas delas, o marido passou ou passa por dificuldades financeiras e tiveram de trabalhar para compor o orçamento doméstico. Todas levam, claro, uma vida estressante. O mecanismo que as faz desenvolver acne é o seguinte: o estresse estimula de maneira excessiva as supra-renais e essas glândulas pares localizadas acima dos rins passam a produzir grande quantidade de hormônio masculino. A substância estimula as glândulas sebáceas existentes em grande número principalmente nas faces, no peito e nas costas. Elas produzem sebo em demasia, as bactérias locais proliferam e provocam a inflamação característica da acne. O segundo grupo de portadoras de acne é composto de mulheres que sofriam muito na menstruação com dores de cabeça, irritação, dor nas mamas, inchaço e outros incômodos - com perda de qualidade de vida e queda de produção no trabalho - e resolveram interromper sua capacidade orgânica de menstruar. Para isso, fizeram o implante subcutâneo com hormônio feminino. O implante libera constantemente a substância no sangue. Os níveis do hormônio se mantêm estáveis e não permitem a ocorrência da menstruação. O implante funciona por um tempo. Mas, de repente, não se sabe por quê, há uma elevação dos níveis de hormônio masculino circulante em seu organismo, o que leva a uma produção excessiva de sebo pela glândulas sebáceas, à proliferação das bactérias e ao surgimento da acne. Grande parte das mulheres tem quadros simples de acne, isto é, poucas e discretas inflamações. Mas em uma minoria as manifestações são amplas e intensas. Elas ficam com o rosto, peito e costas cheios de feridas, que às vezes deixam cicatrizes irreversíveis. Mulheres adultas que comecem a desenvolver acne devem consultar um médico dermatologista. O diagnóstico é clínico, ou seja, conversando com elas para ver se o problema vem do estresse ou do implante. É possível, com exames de laboratório, dosar os níveis de hormônio masculino no sangue. Mas é importante também descartar doenças orgânicas, como câncer de supra-renal ou ovário, que podem estar estimulando a produção hormonal. Caso a mulher tenha uma dessas moléstias, terá de ser tratada para resolver o problema da acne. Já a acne, propriamente, conta hoje com inúmeras possibilidades de tratamento, tanto tópicas quanto por via oral e laser. Quando se deve ao implante, a paciente terá de retirálo. Se não puder ficar sem ele, receita-se um remédio para neutralizar a ação do hormônio masculino circulante. O estresse, enfim, também tem de ser combatido. Pode-se fazê-lo, por exemplo, com exercícios físicos e praticando atividades que dão prazer, como natação, culinária e hobbies.