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Gravidez que ocorre fora do útero coloca a vida da mulher em perigo

por <b>Bárbara Murayama</b>* (CRM 112.527) Publicado em 20/03/2009, às 16h26 - Atualizado em 02/07/2010, às 13h32

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Uma gravidez é considerada normal quando ocorre dentro do útero. A maioria, felizmente, é assim. Mas há também as que ocorrem fora dele, por isso chamadas ectópicas. O processo de formação de uma gravidez, vale relembrar, é o seguinte: na relação sexual, o homem deposita espermatozóides na vagina da parceira. Eles passam pelo útero e vão até as trompas, onde o primeiro se encontra com o óvulo liberado pelos ovários - em geral liberam apenas um por mês - e o fertiliza, dando origem ao ovo. Imediatamente o ovo começa a crescer e em cerca de cinco dias, etapa conhecida como blastocisto, precisará estar no fundo do útero para fixar-se. Se um fenômeno qualquer o atrasa ou desvia de seu curso, ao final dos cinco dias o ovo se fixa onde estiver, dando origem à gravidez ectópica. A incidência de gravidez ectópica vem aumentando nas últimas décadas; já chegou a uma para cada grupo de 80/100 gestações. Manifesta-se sobretudo em mulheres de 25 a 35 anos, ativas sexualmente. As causas são: aumento do número de diagnósticos, pela própria evolução da Medicina, e da incidência da doença inflamatória pélvica. Essa moléstia resulta da ação de dois microrganismos transmitidos sexualmente, o gonococo e a clamídia, cujos sintomas às vezes são discretos e passam despercebidos. Eles infectam o aparelho reprodutivo da mulher e criam muitas aderências de tecidos, o que dificulta a progressão do ovo. Cerca de 98% dos casos de gravidez ectópica ocorrem nas trompas, mas podem formar-se também nos ovários (0,88%) e no abdome (0,66%). Pode haver atraso ou desvio do ovo também por aderências e cicatrizes resultantes de reversão de laqueadura das trompas; alteração na movimentação dos cílios no interior das trompas, que ajudam na progressão do ovo, por alterações do nível de hormônio no organismo, por exemplo; e uso do dispositivo intrauterino (DIU), que facilita o surgimento da doença inflamatória pélvica. Os sintomas da gravidez ectópica íntegra se confundem com os da gestação tópica: atraso menstrual, dor pélvica ou abdominal de intensidade variável, podendo haver sangramento ou não. Caso a mulher apresente sangramento, deve procurar imediatamente o ginecologista. O mesmo vale para dores intensas, que podem surgir quando o feto vai crescendo na trompa e obrigando-a a se distender, podendo até romper-se. O médico, claro, conversa com ela e realiza exame ginecológico. Solicita o teste de gravidez (Beta HCG quantitativo) e um ultrassom pélvico para confirmar a gestação e saber se é normal ou ectópica. As gravidezes ectópicas devem sempre ser interrompidas, pois existe a possibilidade de levar a trompa a se romper e colocar a vida da paciente em risco por hemorragia interna. Nas situações iniciais, em que a trompa ainda está íntegra, podese tentar o tratamento conservador, com um medicamento quimioterápico, que "dissolve" o "feto". Quando o tratamento clínico falha ou a trompa já se rompeu, indica-se cirurgia. Normalizada a situação, no entanto, é aconselhável que a paciente faça check-up do aparelho reprodutivo. Mulheres que apresentam uma gravidez ectópica têm mais chances de vir a apresentar outras.