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Fafá de Belém: memória

No Castelo, ela relembra os últimos 35 anos

Redação Publicado em 09/12/2010, às 11h04 - Atualizado em 07/06/2012, às 23h25

Na frente do Castelo de CARAS, a cantora faz questão de falar sobre o prazer de viajar, fazer compras em Manhattan e depois descansar na pacata Tarrytown. - FOTOS: JOÃO PASSOS
Na frente do Castelo de CARAS, a cantora faz questão de falar sobre o prazer de viajar, fazer compras em Manhattan e depois descansar na pacata Tarrytown. - FOTOS: JOÃO PASSOS
Longe de ser uma mulher que vive só do passado, Fafá de Belém (54) segue a vida como sempre: livre e cheia de alegria para levar suas origens para todo o mundo. Ao completar 35 anos de carreira, no entanto, a cantora - musa de momentos importantes da história brasileira como o movimento Diretas Já, representante popular da região amazônica e elo de ligação com a cultura portuguesa, entre outros fatos que marcaram sua trajetória - olha para trás e faz um balanço de sua cronologia musical. "Fico feliz de ter tanta história boa para contar. Fiz amigos. Nunca me vendi, nunca me submeti a nenhum esquema. Tenho orgulho da carreira que construí, da trajetória que percorri até agora e que vou continuar seguindo", diz a artista. No Castelo de CARAS, em Tarrytown, a 40 minutos de Manhattan, Fafá relembra, a pedido da revista, os momentos que mais a marcaram de alegrias, tanto profissionais quanto pessoais. Nascida Maria de Fátima Palha de Figueiredo, ela acumula vários títulos, entre eles o de maior vendagem nacional de discos, no ano de 1976, quando lançou seu primeiro LP, Tamba Tajá. A turnê, que rodou todo o País, é emblemática para a cantora. "Eu não pensava em ser cantora", relata. "Entrar no Theatro da Paz, em Belém, pela primeira vez com um espetáculo e voltar 30 anos depois para gravar um DVD é bom demais", conta. De lá para cá, Fafá acumula histórias de vitória, contadas com carinho. O nascimento de sua única filha, a cantora Mariana Belém (29), fruto do relacionamento com o saxofonista Raul Mascarenhas (57), figura como um dos momentos que mais a emociona. "Eu sempre mantive minha vida pessoal discreta. Quando o Raul entrou para a banda, eu o namorei por um ano sem ninguém saber. Mas depois descobriram, nos flagraram, e tivemos de contar para a imprensa da época. Só sei que Mariana, nove meses depois da descoberta, nascia estampada na capa da extinta revista Manchete", diverte-se. A paraense pontua parcerias musicais com o italiano Sergio Endrigo (1933-2005), 31 anos atrás, com o rei Roberto Carlos (69) e com o cantor texano Willie Nelson (77). "Me lembro que o rei ligou e falou que tinha uma música para mim, que iria me mandar para eu ouvir. Pensei: 'Com ele eu gravo até Mamãe Eu Quero!'. As pernas ficaram bambas." Fafá deixou fortes lembranças na memória do povo brasileiro com seu engajamento nas Diretas, quando o País saía do sofrido regime militar, nos anos 1980, e com a voz que entoou o Hino Nacional na morte do presidente Tancredo Neves (1910-1985) - acontecimentos históricos que são divisores de águas para ela. "Foi uma grande caminhada pela abertura do Brasil. A campanha me fez conhecer um País que eu não conhecia. As Diretas me mostraram a cara da nação, pois fui a todos os comícios. Foi ali que conheci o Brasil mais popular", recorda a devota de Nossa Senhora de Nazaré, que ainda destaca o momento em que cantou para o papa João Paulo II (1920-2005), durante visita dele no Rio, em 1997. Ídolo em Portugal, terra que visita frequentemente e considera extensão de sua pátria, Fafá se gaba de ter sido a única brasileira a gravar um CD de fado com produtores de Amália Rodrigues (1920-1999), o Meu Fado, de 1992, em projeto criado para revitalizar o ritmo. No próximo ano, ela comemora 25 anos de carreira entre os portugueses, para quem levou o folclore nacional com a música Vermelho, toada de boi-bumbá que é sucesso nacional e cantado até hoje. "Vermelho foi um presente. Finalmente trouxe o colorido da Amazônia para o Brasil e o levei para Portugal", orgulha-se. Fafá faz questão de demonstrar sua felicidade ao lembrar que foi homenageada ainda em vida por uma escola de samba de Belém, em 2002. Para celebrar os 35 anos, 2011 será um ano de muito trabalho: ela fará uma série de shows para grandes plateias em São Paulo, Rio, Norte e Nordeste. O período terminará com um disco de inéditas. "Ainda tenho muito para caminhar. Estou com 54 anos e quero cantar mais uns 50 anos, sempre inquieta, buscando coisas. Vou lançar quatro DVDs e, no final do ano, farei um disco com composições contemporâneas, de gente nova."