Revista CARAS
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Etimologia

por Deonísio da Silva* Publicado em 24/11/2010, às 12h57

Etimologia
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Bater: do latim vulgar battere, significando surrar, mas aplicando-se também a bater a massa do pão; bater a porta na cara de alguém, para impedir a entrada; bater à porta de alguém para solicitar alguma coisa; bater a falta, bater o pênalti; bater no rochedo, como as ondas; bater em Brasília, isto é, ir lá para pleitear algo; bater recorde; bater em retirada; bater na casa dos 100 anos, isto é, chegar ao centenário, como o fez o arquiteto Oscar Niemeyer (103) há três anos; bater asas, isto é, partir; bater cabeça, variante para quebrá-la de tanto preocupar-se; bater o santo, isto é, entender-se com alguém cujo gênio é semelhante ao nosso; e, em não sendo, dizer "meu santo não bate com o dele"; bater a cidade toda, isto é, procurar por todos os lugares, centro e bairros. A expressão "bateu, levou" está presente em Mil Dias de Solidão: Collor Bateu e Levou, de Cláudio Humberto Rosa, porta-voz da presidência da República no governo de Fernando Collor de Mello (61). O livro chegava aos leitores no mesmo ano em que a revista CARAS estreava no Brasil, novembro de 1993. Livre-comércio: de livre, do latim liber, entrecasca de árvore sobre a qual se escrevia antes da descoberta do papiro; Liber era também o nome de uma divindade itálica com as funções de Baco; e de comércio, do latim commercium, de merx, mercadoria. Quando a revista CARAS estreou no Brasil, o presidente era Itamar Cautiero Franco (80), vice de Fernando Collor, a quem substituiu porque o titular tinha sido afastado em sessão conjunta do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, em 29 de dezembro do ano anterior. Os dois são atualmente senadores. Nos Estados Unidos, o presidente Bill Clinton (64) festejava a aprovação do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (a sigla em inglês é Nafta) na Câmara dos Representantes, por uma vantagem superior à esperada: 234 a 200 votos. O presidente teve que contrariar os sindicalistas do Partido Democrata, pelo qual se elegera, que combateram sua iniciativa, temendo desemprego. Mais tarde, além dos Estados Unidos e do México, o Chile passou a integrar o tratado. Eleito em 3 de novembro de 1992, Clinton fez um dos melhores governos dos Estados Unidos, mas quase sofreu impeachment por ter mentido ao povo, negando que tivera relações sexuais com a estagiária Monica Levinski (37). O Senado concedeu-lhe perdão, e o povo também. Parador: do espanhol parador, hotel oficial mantido por organismos públicos; de parado, de parar, do latim parare, preparar, tendo também o sentido de interromper. No caso, interrupção da viagem para descanso, com o fim de visitar a cidade ou a vila onde está sediado o parador. Os paradores espanhóis são hotéis especiais, cujos aposentos ocupam monumentos históricos restaurados em toda a Espanha. Faturam 245 milhões de euros por ano e empregam mais de 5000 pessoas. Foram criados em 1928. Por preços abaixo dos praticados pela rede hoteleira, o turista fica em castelos bem decorados, em que predominam o bom gosto das instalações, serviçais preparados e bem treinados, além de culinárias especiais. Em alguns deles, é possível hospedar-se e comer como um cavaleiro medieval, por exemplo. E nos quartos, despir a roupa, não a armadura, naturalmente. Repto: de reptar, do latim reputare, refazer as contas, recalcular, ligado a putare, limpar, cortar, que é o étimo também de podar; as plantas, no sentido denotativo; as pessoas, no sentido conotativo, impondo limites semelhantes àqueles fixados para árvores, arbustos, gramas. Lançar um repto a alguém é desafiá-lo. Sujar: de sujo, do latim succidus, úmido, molhado, gorduroso. O homem suja tudo, pois a sujeira decorre do próprio ato de existir e para isso sempre tomou providências ao longo da história, erguendo cidades à beira de rios, não apenas para aproveitar água limpa em bebidas e comidas, mas também em higiene, retirando o suor que molhava e sujava a roupa, lavando talheres e utensílios, limpando a casa. Mais recentemente, vem cuidando de limpar também os rios, as ruas, os lagos e o próprio mar, depositários de tantas impurezas. Rafael Greca de Macedo (54) assumiu a prefeitura de Curitiba quando CARAS chegava pela primeira vez às bancas de todo o Brasil e a ecologia consolidava-se como tema freqüente na mídia por causa da ECO-92. Ele disse a um grupo de moradoras que reclamavam de um rio, sujo porque havia na localidade centenas de ligações clandestinas que levavam a sujeira diretamente para o pobre rio: "O Barigui está sujo porque vocês o sujaram; rio não faz cocô".