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Etimologia

Redação Publicado em 12/06/2012, às 10h59 - Atualizado às 11h08

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Churrasco: de sukkar, da antiga forma dialetal do vasco, língua isolada no País Basco, na Espanha, designando chamas, incêndio, pelo espanhol platino churrasco. A entrada desta palavra para a língua portuguesa foi o Rio Grande do Sul, Estado que espalhou churrascarias por todo o Brasil. Designa carne assada sobre grelha, prato que no começo foi muito simples, apenas com o sal de tempero. A modalidade mais conhecida é o espeto corrido, assim chamado porque os garçons percorrem as mesas com diversos tipos de carne em espetos, oferecendo-os ao freguês.

Grelhar: de grelha, do latim cratis, pelo latim vulgar gradis e daí ao francês grille. No francês antigo foi graille, depois greil e por fim grille ou gril, mas com significados diferentes, aplicando-se à grade das janelas e à grade sobre o fogo para assar carne, peixe ou torrar pão. Nos tempos antigos foi também instrumento de tortura e martírio. São Lourenço (225-258) morreu assado numa grelha. A origem remota é a raiz indo-europeia kert, entrelaçar.

Pronominal: do latim pronominale, adjetivo que qualifica o que é posto no lugar do nome, como ocorrem nas pessoas do verbo. São curiosas as formas pronominais da língua portuguesa, de que é exemplo vosmicê, dos étimos do latim vulgar vossa, por voster, vossa, no latim clássico, e merces, mercê, graça, pagamento, honra. É uma das variantes de vosmecê, vossuncê, vossemecê, vossência, vosselência, formas de tratamento cerimonioso radicadas em Vossa Mercê e em Vossa Excelência, do latim Voster Excellentia. Aparece neste trecho do romance Despojos: A Festa da Morte na Corte, romance histórico cujo tema solar é a Inconfidência Mineira, de Benito Barreto (83): “E por causa de quê que, tão bonita, vosmicê tá só? — Enviuvei. — Deus do céu, o Senhor proteja suncê, Sinhá: morte morrida ou matada? — Marcada, a-quer dizer... Não quero falar disso, não”.

Sapata: de sapato, do turco cabata ou do basco zapata, mas que chegou ao português por intermédio do espanhol zapato. Designa ampla superfície de concreto na base do alicerce, porção de madeira grossa posta sobre o pilar para reforçar a trave que aí assenta e ainda base de apoio a trilho de estrada de ferro. Sapata é também a peça do freio de automóveis que se atrita contra os tambores na frenagem. Chama-se sapata também uma pequena peça de madeira circular, com um só furo no meio, com a figura de um sapato. “Sapata”, cuja variante é “sapatão”, desloca o significado para a sexualidade. A partir da década de 70, no século XX, a mulher que fazia as vezes de marido nos casais lésbicos assimilou o preconceito, consolidando a mitologia do uso de sapatos grandes para designar adepta de sexualidade de orientação diferenciada. Já as que faziam as vezes da esposinha eram em geral menores, mais esbeltas, calçavam sapatos de número menor e por isso foram chamadas sapatinhas.

Trempe: do latim tripes, tripé, que tem três pés ou que se apoia em três pés, pela formação tri, três, e pes, pé. Designa aro de ferro com três apoios, usado para pendurar panelas sobre o fogo, aplicando-se também a chapa de ferro com buracos, colocada sobre o fogo, apoiada em pedras ou tijolos, sobre a qual são postas as panelas. Cada um desses orifícios é chamado boca, denominação que permanece ainda hoje nos fogões. Assim, diz-se fogão de quatro bocas, de seis bocas etc. Provavelmente a variável trampo, que significa bofetada e também serviço temporário mal remunerado, apenas suficiente para sobreviver, procede da mesma origem, pois na vigência da escravatura era comum negros se alugarem a donos brancos para fazerem comida nessas trempes e vender, dando-lhes 50% do lucro líquido obtido, descontadas as despesas pagas, pelos financiadores.

Veado: do latim venatus, caça, depois aplicado só a determinada presa, o cervo ou veado. É também denominação que integra um arsenal de preconceitos que não são dirigidos somente à mulher, mas também aos homens. Como o “veado” é animal magro, esguio e lépido, passou, por metáfora, a designar o homem afeminado.