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Espondilite anquilosante pode ser controlada com remédios biológicos

Redação Publicado em 19/09/2011, às 15h48 - Atualizado em 08/08/2019, às 15h43

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Essa doença se caracteriza pela inflamação crônica da articulação sacroilíaca e da coluna vertebral. Pode ser uma causa importante de limitação funcional, comprometimento da capacidade de trabalho e piora da qualidade de vida. Em geral o sintoma inicial é dor na porção inferior da coluna. Ainda não tem cura, mas pode ser controlada com remédios, sobretudo os chamados biológicos.

Aespondilite anquilosante se caracteriza por uma inflamação crônica da articulação sacroilíaca — onde a coluna vertebral se junta à bacia — e da própria coluna. Atinge em torno de 1% da população e pode ser uma causa importante de limitação funcional, comprometimento da capacidade laboral e piora da qualidade de vida.

Em geral aparece entre os 20 e os 30 anos. É mais comum no homem. Ainda não se conhecem as suas causas. Sabe-se, porém, que tem traços genéticos. Filhos de pais portadores, portanto, estão mais suscetíveis a desensolvê-la. Pesquisas mostram também que é mais frequente em pessoas que herdaram o marcador genético HLA-B27. Cerca de 90% dos portadores têm o marcador.

Geralmente o sintoma inicial é dor na porção inferior da coluna. É mais intensa à noite e tende a melhorar ao longo do dia. Pode irradiar para a parte posterior das coxas, levando o portador muitas vezes a interpretar erroneamente como problema com o nervo ciático, em decorrência de hérnia de disco, ou “responsabilizar” seu colchão. Troca-o e continua com a dor. Passa por vários médicos e não recebe o diagnóstico correto. Faz tratamentos equivocados, não melhora e a doença vai avançando. 

A inflamação danifica os ossos e a cartilagem, e pode levar à fusão das vértebras da coluna e à perda de sua mobilidade. A coluna e a região posterior do pescoço se tornam rígidas. Compromete também articulações como pés, tornozelos e joelhos.

A doença pode comprometer ainda os olhos (inflama a úvea e a íris) e o coração (inflama a válvula aórtica). Já a inflamação das articulações que ligam as costelas ao osso esterno dificulta a expansão pulmonar e, claro, a respiração. Com isso, os pulmões ficam mais suscetíveis a inflamações e, pois, à formação de tecido cicatricial (fibrose), o que compromete ainda mais o funcionamento do órgão. Além disso, 10% a 25% dos portadores de espondilite anquilosante desenvolvem psoríase; e 10% a 15%, retrocolite ulcerativa ou doença de Crohn. Às vezes os problemas oculares, que causam dor e vermelhidão, são o primeiro sintoma da espondilite.

Pessoas com dor lombar por pelo menos três meses precisam desconfiar de que podem ter a doença e consultar o reumatologista. O diagnóstico inicial é clínico. O médico pode comprovar a espondilite com exame de sangue, que pesquisa a presença do HLA-B27 e o aumento nos níveis das substâncias indicadoras de inflamação. Pode ainda constatar a inflamação da articulação sacroilíaca com ressonância magnética.

O tratamento emprega remédios e fisiotearapia. A fisioterapia é usada para a manutenção da postura correta ou a correção das alterações posturais. Com os remédios se controla a inflamação e a dor e se evita que a doença avance e destrua as articulações. Ela pode ser controlada com as drogas antirreumáticas modificadoras da doença (Dmards), cujo grande avanço foi a terapia biológica. São medicamentos que agem nas substâncias que causam a inflamação. O SUS os fornece de graça e alguns planos de saúde já os pagam. Mas a partir de janeiro todos terão de cobrir o tratamento com a terapia biológica.

Finalmente, articulações destruídas ou muito desgastadas podem ser recuperadas com a colocação de próteses, devolvendo aos pacientes parte das funções articulares.