Escola de mães ensina a lidar com o “lado B” da maternidade

A mãe perfeita é uma lenda. Não existe um ‘jeito certo’ de ser mãe, muito menos uma fórmula única
A mãe perfeita é uma lenda. Não existe um ‘jeito certo’ de ser mãe, muito menos uma fórmula única Shutterstock


Dificuldades com o bebê e dúvidas sobre a capacidade de cuidar do filho afligem mulheres do mundo inteiro. Mas muitas se calam sobre esse conflito para não destoar do estereótipo da mãe perfeita. Escola de Mães propõe cursos para lidar com o ‘lado B’ da maternidade, e faz sucesso com vídeo na internet. Confira

“Eu não vou dar conta”. Que mãe nunca se sentiu assim diante de seu bebê recém-nascido? As dificuldades de se ter um filho são muitas, mas a maioria só descobre isso após o parto. “A mulher passa por intensas mudanças biopsicosociais, que afetam seu corpo, mente e o modo como se relaciona com a sociedade”, diz o psicólogo Glauco Martins, especialista em psicologia da saúde da mulher e do recém-nascido. “Tudo muda: os hormônios estão em ebulição e a mulher experimenta alterações na libido. O pós-parto pode ser considerado um trauma”, afirma.

Assim, um momento que teoricamente deveria ser sublime, torna-se uma fase permeada pela culpa. “A ideia da perfeição da grávida é uma construção social, muitas vezes reforçada pela religião, que coloca a gestante como um ser sagrado”, diz Martins. Isso acaba gerando culpa, pois a mulher não se sente nada perfeita, ao contrário: além do cansaço físico, sobram dúvidas, angústias, inseguranças e até mesmo tristeza. “O choque entre a expectativa e a realidade é muito grande e as mães se sentem ‘erradas’ por se sentirem tristes”, conta Fernanda Tegoni, uma das idealizadoras da Escola de Mães Perestroika. A escola também fez sucesso na web com um vídeo onde mulheres respondem à pergunta “O que você gostaria de saber antes do seu filho nascer, mas que ninguém nunca lhe contou?”. A obra brasileira, inspirada no vídeo Nummies Maternity Bras, mostra que os dilemas maternos são bastante comuns e não se limitam a um país ou grupo social (confira os dois vídeos ao final desta reportagem).

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Máximas como ‘quando nasce um bebê também nasce uma mãe’ e ‘o amor pela criança surge à primeira vista’ nem sempre correspondem à realidade. “E quem não experimenta essas sensações acaba se sentindo totalmente inadequada”, diz Fernanda. Foi a partir de sua experiência com o primeiro filho que Fernanda e suas sócias Mariana Zanotto Alves e Fernanda Almeida resolveram fundar a escola. Os cursos preparam as gestantes - a maioria mães de ‘primeira viagem’ - para o que está por vir, sem romancear ou idealizar o momento. “Abordamos assuntos que geralmente não somos preparadas para enfrentar. Mas não é uma escola de regras, e sim de possibilidades”, diz. Fernanda conta que o conteúdo dos cursos tenta difundir o fato de que não existe um ‘jeito certo’ de ser mãe, muito menos uma fórmula única. “Poder falar e dividir as angústias é um alívio para as mães. O fato de elas se identificarem com os problemas umas das outras é terapêutico”, revela. “Conhecer o cenário antes do parto é benéfico porque a mulher não se sente a única a experimentar ansiedade, tristeza e dúvidas”, concorda o psicólogo.

Além de preparar as gestantes, a escola oferece cursos para mães de bebês de 0 a 4 meses e também tem um módulo especial sobre a fase batizada de “terrible two”, quando a criança na faixa dos dois anos começa a ter limites e rotina no dia a dia. Tudo coordenado por Mariana Zanotto, que é doula de parto e pós-parto, e especialista em treinamento de sono noturno e cuidados com recém-nascidos. Martins lembra que o pós-parto pode vir acompanhado da ‘maternity blues’ e da depressão pós-parto. “Se a mulher for propensa, o puerpério é um momento vulnerável que pode desencadear inclusive um transtorno psicológico”, alerta. “Caso a gestante já vivencie conflitos em relação à maternidade, a terapia é uma opção recomendada”, diz o psicólogo. O mais importante é ter consciência de que não existe a mãe perfeita. Cada mulher tem o seu jeito de cuidar do filho e a seu modo saberá atender a todas as necessidades do bebê. Então, não se compare a outras mães nem se cobre tanto. A mãe é um ser humano como outro qualquer e tem todo direito de também ‘pedir colo’.

Assista ao vídeo da Escola de Mães:

 

E veja Nummies Maternity Bras, que inspirou a versão brasileira:

por Ana Paula de Andrade
Atualizado sexta 22 fevereiro, 2013 (225467) | 21/04/2019 17:55:20

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