ENTREVISTA: Bombom espera fim do preconceito

Publicado segunda 24 novembro, 2008

Adriana Bombom - Divulgação
A atriz Adriana Bombom está no olho do furacão: na semana passada, foi à polícia alegar ter sido vítima de preconceito em um vôo dos Estados Unidos para o Brasil e, no fim de semana, foi afastada do comando da bateria da Portela. Em entrevista ao Portal CARAS, ela falou que acredita que o racismo está com os dias contados após o resultado da eleição presidencial norte-americana. "Acho que alguns americanos ainda estão perplexos com a eleição de Barack Obama, mas eles terão que aceitar que um negro pode governar esse país tão cheio de preconceito." Com a agenda cheia devido às gravações da personagem Ana Balanço, do programa Uma Escolinha Muito Louca, que estréia no próximo dia 15 na Band, a moça afirma que não tem mais tempo para se dedicar aos ensaios do desfile da escola de samba. "Realmente estou trabalhando muito e isso tem prejudicado os ensaios", resumiu a artista, que não irá desfilar na Sapucaí no ano que vem. "Não sei quando volto, nem se volto", completou. Por Patrícia Moraes - Você quis deixar o Carnaval ou a escola de samba forçou a sua saída? - O que forçou a minha saída foi a agenda de trabalho. Estou gravando diariamente, de segunda a sábado, a Uma Escolinha Muito Louca, na Band, em São Paulo, e a rotina está muito corrida. Não tenho tido tempo para me dedicar aos ensaios. Eu desfilo por amor ao Carnaval, ao samba. Mas não é isso que paga minhas contas. O que me sustenta é o meu trabalho na televisão e é a isso que irei me dedicar exclusivamente. - Mas você volta em 2010 para a Sapucaí? - Meu contrato com a Band é de dois anos renováveis. Enquanto estiver trabalhando na emissora, só vou me dedicar a isso. Não vivo de Carnaval. Não sei quando volto para a avenida, nem se volto. - E como concilia as gravações em São Paulo e a vida em família no Rio de Janeiro? - Só com muita energia e contando com pessoas que me ajudam. Tenho funcionárias muito boas administrando as coisas quando estou fora e uma babá de confiança, que fica com as meninas o tempo todo. Morro de saudade delas. Por isso, fomos viajar, só nós quatro, Dudu, Olívia, de 6 anos, Thalita, de 5, e eu. Sem babá. Aí eu curto muito minhas filhas. Sou coruja. Dou banho, comida, levo para passear e faço tudo. Vocês sabem como são os homens, ficam sentados vendo TV e só aparecem na hora de dar beijinhos (risos). - E já teve tempo de pensar sobre o episódio que você e o Dudu enfrentaram na semana passada? Vocês irão processar a companhia aérea? - Já conversamos com nossos advogados que irão entrar com um processo por racismo e agressão, mas ainda não sabemos nada sobre valores. Fomos ofendidos de todas as maneiras e queremos ser indenizados por isso. Acho que os americano não têm respeito com as pessoas. Fomos maltratados porque somos negros, mas também porque somos brasileiros. Acho que o novo presidente deles deve mudar as coisas por lá. Tenho esperança nele, o primeiro presidente negro da história dos EUA. Com certeza as coisas vão melhorar, ele não vai decepcionar. - Você acha que a eleição de Barack Obama muda o papel do negro na sociedade americana? - Com certeza. Espero que ele faça um "belelê", que proíba essa falta de respeito. Acho que alguns americanos ainda estão perplexos com a eleição de Barack Obama, mas eles terão que aceitar que um negro pode governar esse país tão cheio de preconceito. Muitas pessoas conversaram comigo e contaram que também foram humilhadas em condições parecidas. Por sermos famosos, o caso fica mais evidente, mostra que falta consciência sobre os direitos das pessoas.

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