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Em uma relação, é fundamental saber quando falar e quando calar

Redação Publicado em 06/02/2012, às 20h03 - Atualizado em 08/08/2019, às 15h43

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Num casal, assim como em outras relações, a omissão deliberada de certas informações pode ser indício de discernimento e maturidade, mas, dependendo da situação, também pode ser um sintoma de problemas no relacionamento. Por isso, é muito importante saber diferenciar as duas vertentes.

Muitas vezes, a pretexto de ser “sincera”, a pessoa entende ser legítimo dar voz a certos sentimentos ou julgamentos, como se, por lealdade ao princípio da verdade, fosse necessariamente bom expressar o que lhe dá na telha. Acontece que o espontâneo pode coincidir com o impulsivo e com o presunçoso. Não é maduro — nem urbano, construtivo, humilde ou ético — exercer sobre alguém o poder de emitir juízos de valor. Além do risco de provocar dor e ressentimentos na outra pessoa, esse comportamento depõe contra o emissor da mensagem. Omissões, nesses casos, são legítimas, indicam que a pessoa é capaz de escolher se é pertinente expressar algo e, se for, como isso deve ser feito. Mostram que há “semancol”, ou seja, que a pessoa é capaz de parar para pensar se o que teria a dizer pertence ao outro (devendo, então, ser-lhe entregue), ou se apenas denuncia algo sobre sua própria personalidade. Em uma situação assim, omitir é ter a delicadeza de não despejar conteúdos próprios sobre o outro.

A quem retruque “Eu falo mesmo! Não vou me reprimir”, eu responderei: “Pois não! Fique à vontade! E arque com as consequências”. A quem proteste “Eu não me disponho à hipocrisia”, eu alertarei: “Pelo visto, nem à diplomacia”!

Há também quem escolha omitir o que deveria ser expresso. Nesses casos, omitir não é legítimo, assume o significado de sonegar, ludibriar, excluir o outro de algo que também lhe diz respeito e que ele tem o direito (e muitas vezes o dever) de conhecer. Quando isso acontece, há algo de muito errado no reino da conjugalidade. Por que a esposa deveria omitir do marido o fato de ter contratado um serviço que, ela sabe, ele não aprovaria? Por que o marido deveria omitir da esposa o fato de ter comprado um terreno na cidade vizinha? Uma omissão desse quilate é prova cabal de que o sonegador já “se separou” do outro (sem avisá-lo); ou de que o desqualifica; ou de que o exclui.

O que as duas posições (não omitir quando deve e omitir quando não deve) têm em comum é o fato de serem perversas, por serem formas de exercer um ilícito e antiético poder sobre o outro.

O caminho saudável para a superação dessas situações doentias é um exame de consciência. Tanto o “sincero” como o sonegador poderiam se indagar: “O que estou fazendo comigo mesmo?”; “Em que estou me transformando?”; “Em que lugar coloco o outro?”; “Isso é justo?”; “Que mentiras estou contando para mim mesmo e onde pretendo chegar com elas?”; “A quem quero enganar?”; “Com que finalidades?”; “Que tolices se ocultam por trás dessa minha pretensa esperteza?”

Por seu lado, aquele que é vitimado pelas declarações “sinceras” ou pelas sonegações de informação precisa pensar no quanto estranha o que vem de seu parceiro ou parceira. Estranhar é um dos mais saudáveis dentre todos os “verbos psíquicos”, pois permite que, por meio de seus sentimentos (tomados como leituras confiáveis da realidade), a pessoa se afaste do que é tóxico e se aproxime do que é nutritivo em seus relacionamentos.