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Crianças têm mais inflamações no ouvido médio nos meses frios

por <b>Marcos Roberto Nogueira</b>* Publicado em 27/07/2009, às 21h49 - Atualizado em 30/06/2010, às 15h50

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As inflamações no ouvido são chamadas otites. Nas crianças, podem ocorrer o ano todo em qualquer parte do órgão. No inverno, são mais comuns as infecções no ouvido médio - câmara estéril protegida por um muco onde estão os ossículos da audição -, que se situa logo atrás da membrana timpânica e se comunica com o nariz por intermédio de um canal chamado tuba auditiva. Segundo as estatísticas, 90% das crianças de até os 7 anos de idade têm um ou mais episódios da doença ao longo da vida. Depois dos resfriados, é a causa mais freqüente de consultas ao pediatra e ao otorrinolaringologista no inverno. A causa mais comum da otite média é a entrada de microrganismos, principalmente bactérias, no ouvido médio vindos do nariz pelo canal de comunicação. Os bebês, que mamam deitados, também têm maior facilidade de desenvolver otites devido à contaminação do ouvido médio com o leite sugado, quando estão nesta posição. Isso ocorre mais em crianças por questões anatômicas. Nelas, a tuba auditiva é curta, horizontal e larga, enquanto nos adultos é comprida, fina e inclinada. Além desse fator, quanto mais novas as crianças, maior é o risco de desenvolverem otite, pelo fato de suas defesas orgânicas ainda estarem em formação. A partir dos 3 anos, com o reforço imunológico resultante até das vacinas, o número de casos da doença tende a diminuir. As otites médias ocorrem um pouco mais em homens. Os sintomas mais comuns são: dor de ouvido e febre superior a 39 graus. Pode haver também, em crianças menores, agitação, irritabilidade, choro incontrolável, pelo fato de as inflamações no ouvido doerem muito, dificuldade para mamar, diminuição do apetite, náuseas, vômitos, diarréia e letargia. Crianças maiores às vezes se queixam ainda de diminuição da audição e de ruídos no ouvido. Se a criança não é levada ao médico para identificação e tratamento da doença, o pus se acumula e a dor aumenta. Em alguns casos, existe o perigo de o pus, sob pressão, atingir a base do crânio, onde está a meninge, e causar meningite. Também pode migrar para a mastóide (osso atrás da orelha) e gerar uma mastoidite, infecção potencialmente grave. Mais raramente, a inflamação pode se estender ao nervo facial e causar a paralisia da face. Pode ocorrer ainda o rompimento da membrana timpânica e o pus vazar, dando alívio da dor para a criança. O rompimento eventual da membrana normalmente não tem maiores consequências, pois sua capacidade de regeneração é grande. Mesmo membranas rompidas em geral não levam a distúrbios importantes de audição, porque, quando recebem a estimulação da onda sonora, continuam vibrando. Mas algumas infecções de ouvido médio são extremamente necrotizantes. Danificam estruturas importantes e podem até levar a déficit de audição e de equilíbrio. As inflamações de ouvido, como se vê, causam muito sofrimento para as crianças. O ideal é levá-las ao médico à primeira indicação. Existem atualmente nas capitais e nas grandes cidades até prontos-socorros especializados em otorrinolaringologia. O tratamento, que é feito com antibiótico e outros medicamentos, objetiva aliviar o sofrimento e evitar complicações, como a meningite, a mastoidite e os prejuízos para a audição. Felizmente, na maioria dos casos se tem sucesso.