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CHICO ANYSIO COM FÉ NA VIDA E NO AMOR DE MALGA

COM APOIO DA ESPOSA, ELE ACEITA VIRAR COBAIA NAS PESQUISAS COM CÉLULAS-TRONCO PARA CURAR ENFISEMA

Redação Publicado em 26/02/2007, às 10h29

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Juntos há oito anos, Chico e Malga brincam com a labrador Branca na sala do apartamento, Rio
Juntos há oito anos, Chico e Malga brincam com a labrador Branca na sala do apartamento, Rio
por Carlos Lima Costa Em outubro do ano passado, Chico Anysio (75) esteve internado em duas ocasiões, deixando a família e os amigos apreensivos. Um dos problemas - uma vértebra fraturada em uma queda - ele já superou. O outro, uma infecção respiratória, deriva de uma doença que o atormenta há duas décadas: o enfisema pulmonar. "Errei em muitas coisas na vida, inclusive em casamentos. Mas arrependimento mesmo só o de ter fumado por 40 anos", garante, em seu apartamento, na Barra, Rio. Hoje, é nos oito filhos e em Malga di Paula (36), sua mulher há oito anos, que Chico se apóia nas fases difíceis. "Não há remédio. Minha esperança é que a célula-tronco entre em uso. Estou disposto a ser cobaia. Tenho um amigo médico, nos Estados Unidos, que ficou de me avisar quando o governo americano liberar as pesquisas", torce ele. "Desde que estamos juntos, Chico já teve algumas fases de crise. Ajudei, cuidei, torci para ele ficar bom. E ele é muito forte", pondera a empresária, que trabalha implantando spas em áreas de lazer de condomínios do Rio e de São Paulo. Chico também utiliza o trabalho como válvula de escape. Além de entrar no elenco da novela Pé na Jaca, como Cigano, dono de um parquinho, ele viaja com o show Chico.Tom, ao lado de Tom Cavalcante (44), além do espetáculo-solo Eu Conto, Vocês Cantam. "Vivo uma fase chata por ter pouco a fazer", confessa Chico, ansioso por lotar a agenda de trabalho. - Como está sua saúde?Chico - Já estou bem da vértebra, mas o problema respiratório vai me acompanhar pelo resto da vida. O cigarro fez mal ao meu pulmão. Parei de fumar há 20 anos, quando havia descoberto a doença, mas o mal que o cigarro causa é irreversível. - Você fumava muito?Chico - A quantidade não importa. Fumar um ou quatro maços diários durante 40 anos dá no mesmo. Faz tempo que uso um balão de oxigênio (por meio de um cateter nasal) o maior número de vezes ao dia. O problema do enfisema é que provoca um cansaço terrível. Por exemplo, no aeroporto, uso cadeira de rodas. Não consigo caminhar de uma só vez da estação de passageiros ao avião. Se ando 20 metros, tenho que parar e descansar. E, após o banho, preciso descansar 20 minutos. - Você já pensou no pior?Chico - Nem quando enfartei pensei na morte. E sou de família longeva. É possível que eu chegue aos 90. Sinto pena de morrer, porque não sei como tudo ficará, pois até hoje tomo muita conta dos meus filhos. E tem a Malga. - A diferença de idade não pesa no cotidiano?Malga - Acho fantástica a convivência, ele sempre tem muita coisa a me ensinar. Sempre gostei de homens mais velhos, que tivessem uma bagagem cultural maior. O Chico é cativante, um gentleman... dá atenção, amor, ele é tudo que uma mulher quer. Chico - Quando casamos, um dos meus irmãos disse que era loucura, que tinha me casado com uma viúva. Mas enquanto ela não enviuvar, eu vou curtir e vai ser bom para ela também. O importante é a cabeça da pessoa. Malga é perfeita para mim. Sou seu admirador. Ela nasceu pobre, andava seis quilômetros por dia para estudar. E hoje ninguém entende mais de spa day no Brasil do que ela. Malga - Ele mudou minha vida. Eu era sonhadora, cheia de vontade de realizar coisas e o Chico me possibilitou tudo. Ele é o meu amor. Chico - Ela é a mulher da minha vida. Mas cada casamento teve uma projeção. Não reclamo nem de quando fui traído. E olha que só soube após ter terminado. Todas me deram filhos e, hoje, convivo bem com minhas ex-mulheres. - Você também traiu?Chico - Sempre fui fiel. Não sou nem mulherengo, sou casador. Eu e Malga nos casamos em 12 dias. - O que gostam de fazer juntos?Chico - Viajamos muito. Mas, no momento, desejo mais é ficar em casa. Isso atrapalha um pouco a Malga. É um erro que cometo, devido ao enfisema. Também não tenho mais condições de fazer o programa vivendo vários personagens. - Do que você mais sente falta? - Do Professor Raimundo, o primeiro que fiz no rádio e na TV. Sempre pedem para a Escolinha voltar. Estou negociando com a Rádio Globo. Vários artistas passaram pelo programa, tenho pena dos que estão desempregados. Até pago aluguel de três, que não têm como sobreviver. Certamente logo irão para o Retiro dos Artistas. Isso poderia acontecer comigo. Ganhei dinheiro, mas gastei tudo. São cinco divórcios. O que já comprei de apartamento... Tirando Alcione (Mazzeo), dou pensão a todas. Produção: Neca Ponichi; Beleza: Rita Fischer. FOTOS:ELIANE COSTER