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Casal unido convive melhor com as novas configurações familiares

por <b>Solange Rosset</b>* Publicado em 27/07/2009, às 21h56 - Atualizado às 22h04

A família sofreu muitas mudanças nas últimas décadas. Hoje encontramos configurações variadas e bem diferentes da tradicional, o que gera dúvidas em todos envolvidos sobre os modos mais adequados de agir em determinadas situações. Essas questões interferem profundamente nas relações de casal. Relativamente comum, por exemplo, é que um dos parceiros tenha sido o único responsável durante muito tempo pela gestão dos filhos e da família anterior. Ao iniciar o novo relacionamento fica difícil para essa pessoa aceitar o envolvimento do novo parceiro nas decisões familiares. Ela precisará ter muita disponibilidade para rever valores, conceitos e costumes e aprender a compartilhar as decisões. Aquele que está chegando, por sua vez, precisará se esforçar para compreender as razões e as motivações que geravam as decisões no antigo núcleo familiar do companheiro ou da companheira. Havendo colaboração, um poderá aprender com outro e ambos irão compartilhar dificuldades e decisões, sem cair na crítica, na defesa ou no ataque. Outra situação que gera ansiedade para os cônjuges é aquela em que existe agregamento de muitos subgrupos cujos membros fazem parte de outras famílias. Não falo do já quase tradicional "os meus, os seus, os nossos", mas de casos como o de crianças que após a segunda separação do pai ficaram morando com a madrasta ou de conformações até mais complicadas. Sejam quais forem os formatos das novas famílias, o foco do casal deverá ser sempre possibilitar que as tarefas e funções parentais sejam desempenhadas de forma adequada para o desenvolvimento físico e emocional das crianças e adolescentes. No entanto, não se pode esquecer que os filhos vêm e vão. Para manter a relação viva no decorrer desse processo é necessário que o casal preserve espaço e tempo exclusivos para ele. Assim poderá namorar, se divertir, discutir seus problemas e planos e também trocar impressões, sentimentos e dificuldades em relação à família. Isso evita que se caia numa rotina desgastante de críticas e queixas e permite que os dois possam descobrir juntos as melhores soluções para os impasses que surjam. O ideal é que as decisões com relação à família sejam do casal, de comum acordo. Somente depois que a sua posição estiver definida sobre uma determinada situação é que os demais envolvidos deverão ser informados. Agindo assim, a dupla se sentirá - e de fato estará - fortalecida e unida. E ficará afastado o risco de, descuidadamente, um se contrapor ao outro, rivalizando ou combatendo entre si. Um casal unido lidará melhor com situações delicadas - como o contato com ex-cônjuges e suas respectivas famílias, definições de visitas e questões ligadas a dinheiro - e irá agir de forma a cumprir todas as necessidades das funções parentais, das questões de pertencimento, de identidade e de lealdade, de modo que ninguém se sinta lesado, traído ou roubado. Mas isso só se consegue se houver aceitação do novo modelo familiar, consciência dos sentimentos e dos preconceitos envolvidos e, mais que tudo, flexibilidade. O desafio é grande, porém não impossível de ser enfrentado. Basta ter criatividade e disposição para possibilitar as mudanças e os arranjos necessários na gestão da família e na intimidade do casal.