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Briga por bobagem pode camuflar problemas importantes da relação

Redação Publicado em 29/08/2011, às 18h06 - Atualizado em 08/08/2019, às 15h43

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Questões não declaradas e das quais às vezes não se tem nem consciência, como uma falta não perdoada ou a implicância com diferenças, costumam estar por trás de conflitos detonados por tolices. Quem quer uma relação saudável precisa ter coragem de expor, com o devido respeito, tudo aquilo que o incomoda no parceiro e humildade para ouvir deste as queixas que queira explicitar.

Fiz referência nesta coluna, em artigo publicado na edição 928, de 19 de agosto, a uma pesquisa realizada na Grã-Bretanha, com 3000 pessoas, que indicou que os casais brigam por volta de 10 minutos por dia e em média 312 vezes por ano. Os motivos dessas brigas, mostrou o estudo, quase sempre são banais, como esquecer as luzes acesas, por exemplo. Naquele artigo eu analisei uma das causas que, acredito, levam a essa situação: o hábito de brigar, resultado da falta de habilidade para conviver com diferenças de maneira respeitosa. Agora, vou falar de outra causa comum das brigas por tolices: a necessidade de brigar.

Explico. Frequentemente os motivos banais que geram os desentendimentos não são suas verdadeiras causas, mas formas de mascarar o que realmente está incomodando, em geral alguma pendência não solucionada pelo casal. Esses problemas — que podem ser sérios — ficam escondidos sob a causa banal e por isso mesmo nunca são resolvidos, gerando constante necessidade de brigar. Assim, a briga pelo jornal que ficou espalhado na sala pode servir como uma vingança por algo que não foi perdoado; para testar o controle que um tem sobre o outro; para preencher o vazio que se instalou entre o casal; para aliviar a tensão gerada por insatisfações acumuladas; para provocar o outro; para um dos dois se colocar no papel de vítima e gerar culpa no outro, e por aí vai. O real motivo é camuflado pelo banal.

O leitor pode estar se perguntando por que brigar por razões diferentes das reais e não resolver de uma vez as coisas que realmente incomodam. Bem, em parte porque muitas vezes as pessoas são alienadas e nem se dão conta do que as incomoda de verdade. Vivem seus relacionamentos sem dar a eles a devida atenção e por isso experimentam conflitos inconscientes, que comprometem a qualidade da relação e frustram quem convive com elas. Pior, não percebem as consequências de seu comportamento, nem se preocupam em entender o que está acontecendo com a relação ou com o parceiro. Vão levando a vida e carregando as mágoas, que explodem de vez em quando, por qualquer motivo.

Outra razão para mascarar a motivação real de uma briga é a dificuldade de expor aquilo que nos contraria no outro. Ou de sensibilizá-lo para escutar-nos. Todos nós tendemos a negar defeitos e resistir a mudanças. Isso faz com que os momentos em que precisamos harmonizar as diferenças sejam tensos, desagradáveis e aflitivos. Sendo assim, muitos preferem fazer vista grossa e sonegar a verdade. Outros tentam conversar, mas não obtêm resultados positivos e desistem. As frustrações acumuladas provocam tensões, obviamente. Ao longo dos anos a irritação se transforma em raiva, que “escapa” ao menor sinal de contrariedade, como uma válvula de panela de pressão. Pode ser pelo jornal espalhado na sala, por um atraso ou por qualquer outra bobagem.

Como fugir disso? Por mais difícil que seja, é preciso desenvolver a habilidade de ser franco quanto ao que nos contraria em nosso parceiro e ter humildade para ouvir as queixas que ele tem da gente. O casal tem de lembrar que forma um time, devendo agir em parceria e não como inimigos. Harmonizar diferenças é uma competência essencial para quem pretende ter relacionamentos saudáveis.