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Ter uma criança em casa exige adaptações no espaço. Todo tipo de risco de acidentes deve ser eliminado para que ela se desenvolva de forma saudável

Publicado quarta 12 setembro, 2012

Ter uma criança em casa exige adaptações no espaço. Todo tipo de risco de acidentes deve ser eliminado
para que ela se desenvolva de forma saudável
“Não basta instalar equipamentos de proteção. As crianças exigem supervisão 24 horas por dia” - Lucimar Aparecida Françoso, pediatra - Rita Ruiz / Divulgação

Faz parte do desenvolvimento infantil conhecer e explorar o “mundo” com as mãos e com a boca. Naturalmente curiosa, a criança toca em tudo que está ao seu redor porque é a forma que encontra para exercitar suas capacidades cognitiva, motora e psíquica. O comportamento é saudável e deve ser apoiado pelos pais. E para que esse processo de “descobertas” ocorra tranquilamente, eles devem tornar a casa um ambiente completamente seguro a fim de evitar os acidentes domésticos.

“É preciso analisar todos os cômodos com os olhos de uma criança”, diz Lucimar Aparecida Françoso, pediatra. “As crianças tomam conhecimento do espaço onde estão sem ter noção do que pode ser perigoso”, acrescenta. Portanto, cabe aos pais e cuidadores a responsabilidade de permitir e promover as descobertas eliminando o risco de lesões.

Os acidentes domésticos configuram um problema de saúde pública no Brasil. Segundo estimativa do Ministério da Saúde, feita em 2010, as lesões não intencionais foram responsáveis pelo óbito de aproximadamente 4 mil crianças com faixa etária entre 0 e 9 anos. E, quando não são fatais, essas lesões provocam hospitalizações e atendimentos ambulatoriais de emergência. Para a coordenadora nacional da ONG Criança Segura, Alessandra Françoia, “quase 90% dos acidentes poderiam ser evitados se os cuidadores adaptassem o ambiente para receber as crianças. Cuidar significa agir preventivamente sempre”.

Se é possível adaptar a casa a fim de eliminar o perigo, por que o número de acidentes é tão alto? “Falta cultura de prevenção”, afirma Alessandra. “Os pais ficam mais preocupados em conhecer primeiros socorros, para remediar algo que possa acontecer, do que em evitar o acidente”, continua.

O coordenador da Comissão de Prevenção a Acidentes Domésticos da Associação Médica Brasileira (AMB), Rogério Toledo Junior, aponta ainda a falta de informação como fator de risco. “Tudo pode acontecer se as pessoas não souberem exatamente o ‘tamanho’ do risco que determinados objetos oferecem”, diz. É difícil imaginar que, por exemplo, produtos feitos para crianças possam apresentar algum tipo de risco à saúde. Mas podem. E esse foi o motivo que levou o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) a certificar, além dos brinquedos, os artigos infantis. “O Inmetro decidiu investir na certificação de mamadeiras, cadeiras para automóveis, entre outros, por conta do alto índice de acidentes com essas peças”, diz o diretor de qualidade do Instituto, Alfredo Lobo. “Agora, antes de comprar, os pais podem conferir se o produto é certificado”, diz.

Entretanto, “não basta apenas instalar os equipamentos de proteção, ter cuidado com os objetos e realocar os móveis. As crianças exigem supervisão 24 horas por dia”, diz Lucimar. Justamente por serem curiosas e explorarem o ambiente onde vivem, a qualquer momento elas podem descobrir como burlar as travas. Ao ver o protetor de quina, por exemplo, a criança vai mexer e, logo, vai aprender a tirar. Mas os acessórios de segurança dão tempo para que o adulto chegue antes que aconteça algo. Ou seja, aquele “segundinho” em que o adulto dá as costas para o trocador ou para a banheira pode ser tempo suficiente para acontecer uma queda ou afogamento (crianças podem se afogar com apenas 2 centímetros de água).

No primeiro ano de vida, o risco de sufocamento é maior. O bebê pode não conseguir respirar se estiver em posição inadequada ou, até mesmo, dormindo com os pais na cama. Cobertores, lençóis e protetores de berço também podem causar asfixia. “Um bebê não tem força para se debater no berço. Por isso, os protetores são dispensáveis. Quanto mais livre o local estiver, mais espaço a criança terá para respirar e o sono será mais saudável”, diz Alessandra. Por meio de atitudes preventivas, mais do que proteger, os pais vão proporcionar uma infância saudável e cheia de descobertas, da qual as crianças poderão se lembrar na vida adulta com saudade e boas recordações.

CONFIRA ALGUMAS DICAS PARA DEIXAR A SUA CASA MAIS SEGURA

Em Geral:

-Instale redes de proteção nas janelas e faça revisão do equipamento a cada dois anos.

-Não deixe móveis embaixo das janelas.

-Não deixe fios e tomadas expostos. Esconda-os atrás dos móveis e use tampas protetoras.

-Coloque protetores em quinas.

-Verifique a estabilidade dos móveis regularmente.

-Não utilize a mesma tomada para ligar mais de um aparelho doméstico.

-Feche bem as latas de lixo.

Sala de estar:

-Retire a mesa de centro. É natural que a criança caia enquanto está aprendendo a andar.

-Fixe o tapete no chão ou retire-o do ambiente. A criança pode escorregar.

-Mantenha objetos (livros, garrafas, enfeites) fora do alcance das crianças.

-Mantenha a televisão em um móvel alto ou fi xada à parede.

-Não deixe móveis na varanda.

Quartos:

-Não deixe a cama ou qualquer outro móvel embaixo da janela.

-Evite usar cortinas com cordões ou puxadores. Esses acessórios podem despertar a curiosidade da criança e ela pode puxá-los.

-Guarde perfumes e cosméticos em locais fechados.

Quarto das crianças:

-Guarde brinquedos dentro de caixas e feche-as. Até mesmo os brinquedos podem oferecer risco se forem usados sem supervisão de um adulto.

-Não use brinquedos que possam desprender peças pequenas. Respeite a recomendação de faixa etária.

-Não use tapetes escorregadios. Prefira as peças emborrachadas.

-Evite usar mosquiteiros e protetores de berço. Eles podem causar sufocamento.

-Não deixe ursos de pelúcia ou almofadas dentro do berço.

-Não deixe produtos para cuidados de higiene ao lado do berço ou da cama.

-O espaço entre as grades do berço não deve ultrapassar 6 cm.

Cozinha:

-Trave a gaveta de talheres.

-Não utilize suportes para facas sobre a pia ou armário.

-Vire os cabos das panelas para o lado de dentro do fogão.

-Prefira gás encanado.

-Nunca deixe o piso molhado.

-Instale um portão de proteção. Crianças jamais podem ficar na cozinha sem supervisão.

Banheiro:

-Não deixe a tampa do vaso sanitário aberta.

-Não deixe água na banheira.

-Se usar equipamentos eletrônicos, como barbeador e secador, guarde-os após o uso.

-Nunca deixe lâminas, remédios e cosméticos ao alcance de crianças.

-Use película protetora no vidro do box. O vidro “temperado” pode estourar.

-Não deixe cadeira no banheiro.

-Utilize um tapete de borracha no chuveiro.

-Antes de colocar o bebê na banheira, verifique a temperatura da água.

Lavanderia:

-Instale um portão de proteção. Crianças não devem ficar na lavanderia sem supervisão.

-Desligue as máquinas de lavar e secar roupas quando não estiverem sendo usadas.

-Não deixe o chão molhado.

-Nunca deixe os produtos de limpeza em locais de fácil acesso.

-Evite reaproveitar embalagens para guardar qualquer tipo de produto. As crianças podem confundir o conteúdo.

-Não deixe baldes de água no chão.

Corredores e escadas:

-Mantenha os corredores bem iluminados.

-Não deixe objetos ou mesas nos corredores.

-Instale portões ou portas nos corredores que dão acessos às escadas.

-Instale corrimão.

Jardim:

-Não deixe plantas medicinais ou venenosas disponíveis. Em geral, as plantas leitosas são as mais perigosas.

-Mantenha acessórios de jardinagem bem guardados.

-Se tiver piscina em casa, supervisione as crianças a todo momento quando estiverem perto da água.

Último acesso: 23 Oct 2021 - 15:24:15 (214162).

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