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'Não sei o fim para Ana, Manu e Rodrigo', diz Lícia Manzo, autora de ‘A Vida da Gente’

A autora da novela ‘A Vida da Gente’ afirma: “deixo a trama me levar”

Ana Carolina Giarrante Publicado em 16/01/2012, às 14h04 - Atualizado em 08/08/2019, às 15h43

Lícia Manzo - AgNews
Lícia Manzo - AgNews

A missão dela não era nada fácil: conquistar o público que se rendeu à história mágica de Cordel Encantado na faixa das 18h da Rede Globo. “Era difícil substituir Cordel, que era muito marcante. Natural que as pessoas tivessem certo luto”, disse à CARAS Online Lícia Manzo (46), autora de A Vida da Gente, que já chegou a atingir 27 pontos no Ibope, uma marca importante para o horário.

Lícia começou a trabalhar aos 15 anos, atuando em um espetáculo teatral que ela mesma escreveu. “A primeira peça que eu fiz foi no grupo Além da Lua, e ela chegou a ganhar o Prêmio Molière de melhor grupo para criança. Eu era atriz e autora já com 15 anos. Nesse grupo, eu escrevia coletivamente. Serviu como um primeiro laboratório pra mim, e a atividade de atriz me serve até hoje. Essa experiência me deu noção de oralidade, do que cabe ou não na boca do ator”, explicou Lícia, que atuou no teatro até seus 30 anos de idade. Confira a entrevista que a autora concedeu e descubra como ela escreve a história que está encantando os telespectadores:

- Como você se tornou autora?
Fiquei 15 anos fazendo teatro, e faço até hoje, mas como autora. A estabilidade da minha vida de atriz começou a brigar com meu temperamento, eu funciono melhor recuada, sou muito caseira. Atividade excessivamente coletiva me cansava.

- Conte sobre seu início na carreira de autora.
Fui contratada pela Rede Globo em 1997 como roteirista do Sai de Baixo. Fiz muitos programas humorísticos na emissora, incluindo A Diarista, e, também, Malhação. Em 2008, fui colaboradora da novela Três Irmãs e, em 2009, fui autora e roteirista titular da série Tudo Novo de Novo. Em 2003, publiquei minha dissertação de mestrado em Literatura, um ensaio biográfico sobre Clarice Lispector (1920 - 1977). Foi quando voltei a escrever pra teatro.

Como foi estrear na Globo com a responsabilidade de ser a autora de uma novela?
É desafiador. Você fica um pouco impactado com a responsabilidade, à medida que as coisas vão caminhando, isso lhe dá uma estabilidade.

O que vem achando do sucesso de A Vida da Gente?
Eu estou muito feliz, é muito bacana você perceber que o trabalho que faz sentido pra você, faz sentido para outras pessoas.

A que você atribui tanto sucesso?
Nunca imaginei que isso fosse acontecer. Procuro focar no trabalho. O importante é o trabalho. Ficar de olho na repercussão não é uma boa estratégia, o ideal é se esmerar para que ele seja bem feita. Mesmo assim, atribuo o sucesso ao time de profissionais que está reunido, pelo qual agradeço todos os dias. O elenco é sensacional, a direção maravilhosa, o time de colaboradores é muito bom. Televisão é parceria porque tem muita gente envolvida. E, nesse caso, as pessoas abraçaram a ideia. Encontrar os parceiros certos é muita sorte.

E o seu texto?
Talvez o texto seja o diferencial, pois é uma novela muito próxima da realidade, da vida das pessoas; me esforço pra que seja assim. Tem hora que é cansativo, mas é motivador.

Você chegou a vivenciar de perto algumas das situações ilustradas na novela?
Não necessariamente, mas você acaba bebendo da sua fonte. Tem situações minhas, de amigos meus, de amigos de amigos, misturadas com vários elementos. Também tem parte de muita coisa minha.

O que você reserva para Ana (Fernanda Vasconcellos, 27), Manuela (Marjorie Estiano, 29) e Rodrigo (Rafael Cardoso, 26)?
O bacana de uma novela é que ela é feito a vida, vai se desdobrando à medida que se desenvolve. É um empobrecimento pensar, já no começo, o fim da novela. O final é uma incógnita. Estou caminhando junto com a novela, depende do ator, do público. Claro que tenho uma linha, uma base. Mas ainda temos um mês e meio no ar (a trama termina no dia 3 de março). Ainda acontece muita coisa com eles. O interessante é explorar as situações possíveis para esses personagens. Se eu soubesse, também não contaria, mas a verdade é que não sei. Deixo a trama me levar.

É difícil fazer uma novela sem um grande vilão característico?
Claro que existem casos extremos, mas, de um modo geral, ninguém é inteiramente mau, inteiramente bom. Os vilões são diluídos, estão no nosso dia a dia. É claro que existe o recurso do vilão tradicional em melodramas. Em A Vida da Gente, a proposta é falar do cotidiano.

Como é sua rotina de autora?
Novela é o dia inteiro, não tem jeito. Procuro trabalhar em dois turnos: da hora em que acordo até quando começa a novela. Depois, assisto à novela, janto, fico com minha filha (Clara,13) e volto a trabalhar  madrugada a dentro. Mais no início da novela, eu caminhava no Jardim Botânico, para ter ideias. Ligo para minha própria secretária eletrônica e gravo as ideias. Minha filha nem atende mais o telefone. Quando se está envolvido na história, você tem muitas ideias, fica obstinado em cima do papel.

Como é seu relacionamento com o diretor Jayme Monjardim (55)?
Agradeço todos os dias ter parado nas mãos dele. Ele é talentoso e investido. Faz como se fosse a primeira e é muito sério no que faz. Eu me afinei com ele, de cara, instantaneamente. Temos uma coisa muito harmônica com tons e tomadas de decisões.

Quais são seus planos profissionais após o término da novela?
Só tenho planos de férias com a minha filha! Vamos para Nova York e Disney. Profissionalmente, só continuo em cartaz com a peça A História de Nós Dois, que, agora, está no Teatro Gazeta, em São Paulo.