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Andrucha Waddington diz que 'Os Penetras' é um filme politicamente incorreto

Exibido a partir desta sexta-feira 30 nos cinemas, o longa 'Os Penetras', de Andrucha Waddington, com Marcelo Adnet e Eduardo Sterblitch, é uma comédia baseada na malandragem carioca

Redação Publicado em 30/11/2012, às 16h10 - Atualizado em 10/05/2019, às 11h20

Andrucha Waddington - AGNews/Francisco Cepeda
Andrucha Waddington - AGNews/Francisco Cepeda

Ver Marcelo Adnet (31) e Eduardo Sterblitch (25) fazendo comédia juntos poderia ser algo a longo prazo ou até impossível, se não fosse pela grande sacada do diretor Andrucha Waddington (42), que uniu o VJ da MTV e o Freddy Mercury Prateado, do Pânico, no filme Os Penetras. A partir de hoje, sexta-feira 30, o público poderá conferir o resultado dessa parceria num cenário ambientado todo no Rio de Janeiro e que tem como mote o mito do malandro carioca. Colaboradores do roteiro, trabalhado durante cinco meses, Adnet e Sterblitch tiveram que dosar o tom da piada que fazem na televisão. A parceria, segundo Waddington, não poderia ter sido melhor. “Quando vi os dois lendo  juntos na primeira leitura foi explosivo. Eles arrebentaram, foi uma química absurda”, conta o diretor do filme. Os Penetras conta ainda com elenco de peso, entre os quais Mariana Ximenes (31),Suzana Vieira (70) Stepan Nercessian (58) Mièle (74) e Luiz Gustavo (72). Andrucha conversou com exclusividade com CARAS Online na sede da produtora Conspiração, no Rio.

- É difícil fazer comédia?

- Todos os meus filmes foram diferentes um do outro até aqui. O primeiro foi um suspense, o segundo uma comédia dramática, o terceiro um drama, o quarto um filme de época e agora faço uma comédia. Esse é meu quinto filme e cada um para mim foi igualmente difícil porque era um gênero que eu nunca tinha visitado. Independente do gênero, sempre tem o desafio de fazer um filme do zero. Acho que o grande barato é contar uma história. Independente do gênero tem que achar a história certa para contar, achar o elenco certo e acho que nisso a gente foi muito feliz porque é uma história super bacana.

- Como surgiu a história?

- A história do filme nasceu dessas histórias que a gente ouve do mito do malandro carioca. A ideia era fazer uma comédia baseada na malandragem. O malandro carioca é o personagem do Adnet, o Marco Polo, e o Beto, o personagem do Eduardo, é o pato do interior que cai na mão desse cara. Mas nessa jornada de 48h que eles passam, o Beto fica esperto com o Marco e o Marco se humaniza com o Beto. Um personagem transforma o outro. É um filme que, literalmente, é politicamente incorreto. Queríamos brincar com o mito do malandro carioca de uma maneira irreverente, tentando não ser grosseiro. A gente tentou não apelar para a grosseira, mas sem deixar de tocar em temas da malandragem que, às vezes, se evita falar, como a picaretagem. Ninguém presta no filme. Nenhum personagem de fato presta, mas é um filme de ficção. É uma grande brincadeira sobre isso.

- O que achou da parceria dos comediantes Marcelo Adnet e Eduardo Sterblitch?

- Eu poderia definir a parceria dos dois como nitroglicerina pura. Quando vi os dois lendo juntos na primeira leitura foi explosivo. Eles arrebentaram, foi uma química absurda. Eles são colaboradores do roteiro e foram maravilhosos companheiros de trabalho junto com todo o elenco.

- Como se deu a escolha do elenco?

- A turma foi entrando e foi todo mundo adorando estar ali. A gente virou uma grande família. Eu sempre monto o elenco a partir dos protagonistas. Coloquei os dois primeiros, depois entrou o Stepan depois a Mariana, a russa (Helena Sopova) depois a Andrea (Beltrão), e aí entrou Suzana Vieira, Mièle, Luiz Gustavo e todo o elenco.

- Existe diferença em fazer comédia?

- Eu quis um tempo maior de preparação. Normalmente eu faço ensaio de dois a três meses. Esse eu fiz em cinco meses porque tem a coisa do time (tempo) da comédia, de achar o time. Eu queria também um tom e um registro diferentes do que eles fazem na televisão. Eu tinha que achar um tom com eles abaixo, porque no cinema tudo fica grande, e queria pegar toda a capacidade de improvisação que eles têm e transpor no roteiro. Nesses cinco meses de preparação antes da filmagem o roteiro mudou muito.

- Quais características te levaram a comparar Mariana Ximenes com Marilyn Monroe?

- Pelo charme, glamour, precisão, usar a sensualidade de maneira extremamente precisa e econômica a favor do personagem, com uma maturidade absurda. É uma deusa.

- Ximenes se saiu bem na comédia assim como se sai no drama?

- A Mariana hoje é uma atriz completa e uma atriz completa pode fazer qualquer coisa, qualquer gênero.

- Acredita que o brasileiro está mais receptivo com o cinema nacional?

- Acho que sim e acho que tem que estar cada vez mais. Nós fazemos cinema para o público brasileiro.

- Qual carreira projeta para o filme?

- Que alcance o maior público possível. É o que eu posso dizer. O filme está entregue ao público e agora é o público que vai dizer.

- Você também tem um lado cômico?

- Sempre, a vida sem humor não tem graça.