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Andrea Dellal em seu lar carioca

Jet-setter mantém em cada detalhe a sua saudade do Brasil

Redação Publicado em 13/07/2010, às 10h47 - Atualizado às 13h27

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O glamour da ex-modelo na sala do apartamento de 600 m2, na praia de Ipanema, decorada com móveis rústicos e mesa de vidro de murano com velas de santos e figa de madeira. - FOTOS: CADU PILOTTO; PRODUÇÃO: CLAUDIA MELLO; BELEZA: DUH
O glamour da ex-modelo na sala do apartamento de 600 m2, na praia de Ipanema, decorada com móveis rústicos e mesa de vidro de murano com velas de santos e figa de madeira. - FOTOS: CADU PILOTTO; PRODUÇÃO: CLAUDIA MELLO; BELEZA: DUH
Socialite e ex-modelo de sucesso radicada fora do país, a brasileira Andrea Dellal (53) costuma dizer que viaja ao Rio levada pelo vento. Ultimamente, ele tem soprado muito na direção das terras cariocas. Só este ano, Andrea voltou várias vezes à cidade onde nasceu. "Gosto de manter as raízes. Mas não é só isso. Por mais piegas que soe, toda vez que venho aqui recarrego a bateria. Mergulhar na minha praia e pisar na minha terra me faz sentir outra", filosofa. Esse é um dos motivos pelos quais a jet setter, que mora em Londres com o marido, o empresário inglês Guy Dellal (52), não se desfaz do apartamento de seis quartos e 600 m2 de frente para o mar de Ipanema. Seu refúgio, pontuado por obras de consagrados artistas plásticos como Vik Muniz (48) e Adriana Varejão (46), é tido por ela como um cantinho de reflexão. Mas volta e meia vira palco de grandes confraternizações com a presença de figuras internacionais como a top Naomi Campbell (40), o fotógrafo peruano Mario Testino (55) e o estilista italiano Valentino (78). "Nunca decorei casa nenhuma, ela vai acontecendo. Há móveis do depósito de um amigo que traz coisas de Bali. Os sofás são italianos, mas comprei em São Paulo. O ambiente vai ficando com a cara do dono, conta um pouco da história da pessoa que ali vive", descreve. Frequentemente, Andrea conta com a companhia de algum dos quatro filhos: a modelo e it-girl Alice (22), a estilista Charlotte (28), dona da marca de sapatos Charlotte Olympia, o estudante de Cinema Max (19) e o fotógrafo Alexander (26), namorado da princesa de Mônaco Charlotte Casiraghi (23), herdeira de Caroline (53) e quarta na linha de sucessão ao trono monegasco. E também do primeiro neto, Ray (1), da primogênita com Maxim Crewe (29). "Faço questão de trazer a prole. Quero todo mundo falando português e vindo muito para cá. Acho importante não perder esse lado brasileiro", atesta ela. - Você sempre se imaginou mãe de quatro filhos? - Meu lado maternal é aguçado desde a infância. Costumava dar ordens aos meus irmãos, tomava conta, defendia, brigava por eles. Sou aquela que protege, mas não atrapalha. Não me meto nas desavenças, não sou assim. Meus filhos tiveram que aprender a lutar as próprias batalhas e isso começou desde que eram pequenos. Amar é deixar voar e foi o que fiz. Mas sou da linha de São Cosme e São Damião, tem sempre alguma criança em volta de mim (risos). - E como é Andrea avó? - Sou apaixonada! Dá até dor de barriga quando fico sem vê-lo. Mas o meu neto... não digo porque é meu não, mas é o menino mais simpático que conheço. É uma luz. Amo dormir ao seu lado e vê-lo sorrindo. Quando você acorda com isso, o dia não pode ficar ruim. Adoro quando vou embora e ele começa a chorar. É uma maldade (risos). Mas nessas horas vejo o quanto Ray gosta de mim. - Todos os seus filhos moram com você em Londres? - O Max sim, mas em setembro vai para a American University, em Washington. Alice vive sozinha, Charlotte se casou e Alex fez sua casa em cima da galeria de arte dele, a 20 Hoxton Square. Ele tem um trabalho superbacana e eu fico tão proud (orgulhosa). Eles aprenderam direitinho a ser independentes cedo (risos). - Por que todos seguiram para o lado das artes, da moda? - É verdade. Cultura ou arte ou moda... A Alice e o Alex são excelentes fotógrafos. Meu marido, Guy, fez cinema e fotografia. Ele adora arte e meus filhos foram expostos a isso, o que os estimulou. E à moda também. Eu sempre gostei, trabalhei nessa área. Acho que, sem querer, a gente influencia os filhos um pouquinho. Mas cada um segue o que quer fazer. Desejo que sejam felizes escolhendo o que gostam e me sinto realizada em vê- los trabalhando. Tem que produzir mesmo, ir atrás. A vida é assim. - Sempre os incentivou a trabalhar, ter o próprio dinheiro? - Sempre disse a eles: hoje vocês podem ter, amanhã, não mais. Conheço tanta gente que perdeu tudo... Não se pode contar com isso. É necessário uma coisa que motive. E se ganhar dinheiro em cima dela, aí é melhor ainda. - Apesar de não morarem juntos, são muito unidos? - Nos chamamos de Brazilian Mafia, parecemos aquele programa, o Extreme Makeover - Home. Quando algum filho está se mudando, arrumo a nova casa, o armário, sou muito detalhista. Aí pego um dos ajudantes da minha casa para trabalhar com ele. - Qual dos quatro herdeiros é mais parecido com você? - Todos têm algo... Não sou punk, não gosto de tatuagem, mas existe um lado irreverente em mim como o de Alice. Nós duas tomamos cuidado para não bater de frente (risos). O Alex me curte, gosta de estar comigo, assim como o Max. Mas a Charlotte é maternal como eu, adora o glamour dos anos 40 e 50. É minha companheira de todas as horas. - Falando em glamour, como é seu dia a dia em Londres? - Movimentado. Há sempre algo acontecendo. Sou controladora, tomo conta das minhas casas na cidade e fora. Administrar é um grande trabalho. Quando o mês começa, já está tudo pago e organizado. Gosto de tudo feito de uma maneira apenas. Treino as pessoas que trabalham para mim para ajudar. Mas a palavra final é minha. - E no Rio, o que faz? - Chego cheia de desejos. Vou ao mercado com dona Maria, que trabalha comigo aqui, e compramos artigos brasileiros dos quais sinto saudade, como melado, goiabada e queijo minas. Quando como vem um flashback. Compro arrudas, orquídeas. Vou sempre aos mesmos restaurantes. E não há nada melhor que o Rio pela manhã. - Seus filhos gostam daqui? - Adoram. Na Inglaterra, quando querem tirar onda, dizem que são brasileiros porque a gente bomba (risos). Mas, na verdade, todos nasceram fora do país. Lá em casa, não falta guaraná. Se não tem feijão com arroz, Max se irrita. It's an anglobrazilian house. - Por que foi para Londres? - Minha irmã Cristina era casada com um inglês e morava lá. Fui visitá-la, me apaixonei pela cidade e não quis voltar. Isso aconteceu em fevereiro de 1973. Fiquei três anos, comecei a trabalhar e conheci o Guy. Foi tudo muito rápido. - Ele apoiou sua profissão? - Depois que casei, ele achava que continuar a carreira de modelo seria perda de tempo. Aí fomos morar na África do Sul, comecei a ter filhos e não deu. Há mulheres que conseguem conciliar a profissão com a maternidade. Tiro o chapéu para elas. A própria Charlotte é assim, guerreira. Mas eu não conseguiria. Além disso, nunca me imaginei trabalhando com a imagem pelo resto da vida. A obrigação do espelho sempre me incomodou. Prefiro não olhar muito para não achar defeitos. Nesse meio, a cobrança é grande e sou perfeccionista. Jamais aguentaria. - Qual o segredo do êxito do seu casamento de 34 anos com Guy? - Sermos bons amigos é primordial. Mas claro que o romance faz parte. Gostamos da companhia um do outro. Quando brigamos, Guy sabe como agir e me deixa falando sozinha. Sou brasileira, passional. Ele é inglês, tem uma paciência de Jó comigo (risos). - Falta realizar algo? - Sou privilegiada. Não peço nada a Deus, que já me deu tanto. Tenho uma vida feliz, filhos ótimos, bons amigos, diversão, viagens e nenhum problema financeiro. Obrigada, Senhor!