Amiloidose, doença rara, atinge oito pessoas em cada grupo de 1 milhão

Essa moléstia, pouco conhecida no Brasil, se caracteriza pela deposição anormal de “pedaços” da proteína amiloide nos tecidos em volta dos vasos sanguíneos. Ela se deposita no fígado, rins, medula óssea, coração e língua. Pode matar em até dois anos por falência de órgãos. Inchaço nas pernas, sangramentos e espuma na urina são alguns dos sintomas. Há basicamente três tipos de amiloidose e um deles já tem tratamento eficaz.

por Celso Massumoto* Publicado segunda 24 agosto, 2009

Essa moléstia, pouco conhecida no Brasil, se caracteriza pela deposição anormal de “pedaços” da proteína amiloide nos tecidos em volta dos vasos sanguíneos. Ela se deposita no fígado, rins, medula óssea, coração e língua. Pode matar em até dois anos por falência de órgãos. Inchaço nas pernas, sangramentos e espuma na urina são alguns dos sintomas. Há basicamente três tipos de amiloidose e um deles já tem tratamento eficaz.
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A amiloidose se caracteriza pela deposição anormal de microfibrilas ("pedaços") de uma proteína chamada amiloide nos tecidos humanos localizados ao redor dos vasos sanguíneos. A amiloide, que é produzida em pequena quantidade pelo organismo, foi descrita em 1854 pelo patologista alemão Rudolph Virchow (1821-1902). Doença rara, a amiloidose manifesta-se em homens e mulheres em geral a partir dos 50 anos. Ocorrem, em todo o mundo, oito casos em cada grupo de 1 milhão de pessoas. A amiloide deposita-se sobretudo no fígado, nos rins, na medula óssea, no coração e na língua. Classifica-se a amiloidose em primária, secundária e hereditária. A amiloidose primária é a mais frequente. Deve-se a alterações nos processos sanguíneos, o que favorece a deposição da amiloide nos órgãos citados. Em geral manifesta-se em portadores de mieloma múltiplo - câncer dos plasmócitos, um tipo de célula da medula óssea - e na doença de cadeia leve. Já na amiloidose secundária a amiloide passa a depositar-se naqueles órgãos emconsequência de doenças inflamatórias dos intestinos, infecções crônicas por microrganismos, artrite reumatoide (inflamação da membrana sinovial, tecido que recobre as articulações), osteomielite (infecção nos ossos), tuberculose, hanseníase, entre outras, em geral quando não tratadas de maneira adequada por mais de 10 anos. Na amiloidose genética, de outro lado, a deposição das microfibrilas da proteína advém de mutação genética, ou seja, a pessoa herda dos pais um gene alterado. Mas é preciso destacar que existe um tipo de amiloidose que ocorre só em pessoas que fazem hemodiálise. Os sintomas mais importantes da moléstia são: inchaço intenso das pernas, presença constante de espuma na urina, aumento do volume do fígado, insuficiência cardíaca sem causa aparente, sangramentos, queixas frequentes de fadiga e perda de peso. Às vezes ocorrem também diminuição da sensibilidade nos dedos, diarreia, aumento do volume abdominal e da espessura da língua e tonturas. A amiloidose pode matar em um a dois anos em consequência de sangramentos, anemia, danos à medula óssea, insuficiência dos rins, do fígado e de outros órgãos. Às vezes mata de repente por arritmia (morte súbita) e/ou por insuficiência cardíaca. Pessoas que desconfiam que possam estar com amiloidose devem consultar um médico hematologista. Em cidades pequenas onde não há esse especialista, pode-se ir a um clínico geral. A amiloidose, infelizmente, ainda não é muito bem conhecida no Brasil. Pode-se desconfiar de que uma pessoa tem amiloidose se apresenta insuficiência em vários órgãos sem motivo aparente. Há várias formas de comprovar a doença; uma delas é medindo os níveis de proteína na urina. Outra, fazendo biópsia do fígado ou dos rins para constatar a presença da amiloide. Infelizmente, só o tipo primário da amiloidose tem tratamento, com transplante de medula óssea. Consiste em coletar a medula do paciente, submetê-lo à quimioterapia e, então, reinfundir a medula de volta no paciente. O procedimento tem proporcinado bons resultados.

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