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Amamentação na primeira hora é essencial para a mulher e seu bebê

Renato Kalil (CRM 62.703). Publicado em 22/09/2008, às 16h32 - Atualizado em 29/06/2010, às 15h33

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Renato Kalil
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O Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria promoveram, em agosto de 2007, a campanha "Amamentação na Primeira Hora, Proteção sem Demora", em comemoração à Semana Mundial de Aleitamento Materno. Instituições e profissionais da área de saúde maternoinfantil deveriam se empenhar muito mais para a divulgação e a adoção dessa idéia. O contato precoce do recém-nascido com a mãe e a mamada na primeira hora de vida são fundamentais para ambos. Trata-se de um momento em que o psiquismo do bebê está muito estimulado, excitado. O parto significa uma grande mudança na vida do feto e, sobretudo, uma separação brusca de sua mãe, seu único "porto seguro". Afinal, ele usufruiu de proteção, alimentação e temperatura ideais dentro do ventre materno por longos nove meses. Ao nascer, o bebê é capaz de identificar logo o cheiro, o calor , a voz e os batimentos cardíacos da mãe. Precisa ser levado a ela o quanto antes para se sentir seguro e protegido. Em contato com o corpo materno, o bebê logo abre os olhos, se tranqüiliza, procura e abocanha o mamilo e mama. Mamar o colostro da mãe logo ao nascer representa receber uma enorme "injeção" de imunidade. Previne o aparecimento de doenças como alergias, infecções e diarréia - uma das principais causas de mortes de crianças nos primeiros meses de vida - pelo adequado controle e equilíbrio das bactérias que se desenvolvem em seu intestino. Para a mãe, poder amamentar o bebê na primeira hora de vida é um passo fundamental para fortalecer o vínculo afetivo mãe/filho. A sucção precoce do recém-nascido também diminui o risco materno de hemorragias pós-parto e antecipa a apojadura, ou "chegada do leite". Em geral, os bebês que têm essa oportunidade mamam com mais eficácia e suas mães têm menos problemas como fissuras mamilares e o ingurgitamento mamário, ou "peito empedrado". As mulheres que amamentam na primeira hora têm também menor risco de apresentar câncer de mama e de ovário, anemia e depressão pós-parto. Infelizmente, a maioria das crianças não é amamentada na primeira hora de vida e apenas 38 países estão engajados na campanha! Em geral, as maternidades não dispõem de estrutura para tal. A rotina hospitalar afasta os bebês das mães, pois são levados para o berçário após o primeiro exame, que é feito pelo pediatra. Assim, as mães têm um contato rápido com o filho e só poderão amamentá-lo cerca de seis horas após o nascimento. É necessário ter um profissional, em geral uma enfermeiraobstetra, para promover o contato precoce e a mamada na primeira hora, a fim de assegurar o bemestar do bebê e da mãe e aproveitar a oportunidade para instruí-la sobre a amamentação. O médico também pode favorecer a iniciativa; tenho minha enfermeira, Miriam Leal, que cuida também disso nos partos que realizo. Dados mundiais apontam que, dos 10,9 milhões de mortes de menores de 5 anos que ocorrem anualmente, 4 milhões são no primeiro mês de vida. Pesquisa recente apurou que, se todas as mulheres iniciassem a amamentação na primeira hora, 1 milhão de mortes de recém-nascidos poderiam ser evitadas. Como se vê, a amamentação na primeira hora pode ser decisiva para o bem-estar futuro tanto do recém-nascido quanto de sua mãe.