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AGENDA: Araquém Alcântara lança 3 livros...

Redação Publicado em 16/12/2008, às 11h20 - Atualizado em 06/01/2009, às 17h26

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Araquém Alcântara e Dráuzio Varella, autores do livro de fotografias - Divulgação
Araquém Alcântara e Dráuzio Varella, autores do livro de fotografias - Divulgação
em comemoração aos 40 anos de profissão. Especializado em registrar a fauna e a flora mais escondidas do país, o fotógrafo lançará hoje Cabeça do Cachorro, nome dado à fronteira entre o norte do Estado do Amazonas com a Colômbia pelo fato de o traçado dos mapas representar um cão com a boca aberta olhando para o Oceano Pacífico. Feito em parceria com o médico Drauzio Varella, que o acompanhou por 12 dias em sua expedição na região, o livro será lançado com mais duas coletâneas de Araquém: Bichos do Brasil e Mata Atlântica. "O Cabeça do Cachorro é totalmente inédito. Os outros dois são uma reunião de sonhos que tive ao longo da minha carreira", revelou. Com olhar detalhista e vasto conhecimento em sobrevivência na selva, o fotógrafo se mostra um apaixonado pela natureza brasileira em seus trabalhos. "Cerca de 95% das fotos que tiro são descartadas, mas não desisto enquanto não capturar a melhor imagem", garantiu. por Gabriel Perline- Por que vocês escolheram a fronteira entre Brasil e a Colômbia para transformar em um livro? - O Drauzio sempre foi apaixonado pelo Rio Negro, tanto que conduz uma pesquisa sobre extratos vegetais que combatem alguns tipos de doenças. Ele acabou sendo convidado para produzir uma reportagem para a National Geographic sobre a região e me convidou para ir nessa expedição por saber que eu conhecia bem o local. Em um dos dias de nossa viagem, sentamos em cima do monte Uaupés e ficamos contemplando a paisagem, até que chegamos à conclusão de que toda aquela magnitude não caberia em uma reportagem. Foi daí que surgiu a idéia de fazer o livro. - Como foi a chegada na região? - Encontramos tribos indígenas que há anos não viam gente branca. Na divisa com a Colômbia, nos deparamos com os índios Curipacos e foi uma situação muito bonita. Eles nos tocavam, como se fosse a primeira vez que vissem alguém de outra etnia, mas ao mesmo tempo demonstravam uma enorme carência afetiva. Nos trataram como verdadeiros hóspedes e nos serviram a melhor comida que tinham, que era o peixe defumado e algumas frutas. - A Cabeça de Cachorro é uma das áreas mais preservadas da Amazônia e é habitada, em sua maioria, por índios. Vocês tiveram a proteção de alguma entidade para poder vasculhar o local? - Tivemos apoio da Força Aérea Brasileira (FAB), que nos colocou à disposição os pelotões de selva para que não tivéssemos problemas com os animais e com a tribos mais selvagens. Nesses 200 mil quilômetros de fronteira habitam cerca de 23 etnias índigenas em mais de 450 aldeias, além da vasta fauna. Seria impossível fazer esse trabalho sem contar com algum tipo de ajuda. - Em seu trabalho é fácil notar a preocupação com as espécies em extinção, sejam animais ou vegetais. Por que essa vontade de se submeter a procurar lugares pouco conhecidos e retratar as minorias? - Comecei minha carreira como fotojornalista e meu trabalho sempre foi focado à denúncia. Cresci na região da Baixada Santista (litoral paulista) e em meu primeiro trabalho eu peguei os urubus como mote. Através dessas aves eu mostrei um pouco da miséria da Baixada, flagrando o momento em que iam aos lixões e as idas à praia para caçar peixes mortos. Desde então, eu não parei, e minha vontade é de tornar o desconhecido em público.

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