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Etimologia

por Deonísio da Silva* Publicado em 30/05/2011, às 13h20

Etimologia
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Nos quadrinhos, Popeye come espinafre, do persa aspanâh, para ganhar força. Não é certo que isso ocorra de fato, mas pelo menos já se sabe que o consumo de legumes e verduras é benéfico para a saúde, do latim salute, declinação de salus, conservação da vida.
Cizânia: do grego zizánion, pelo latim zizania, erva daninha às plantações, equivalente às formas latinas lolium e jolium, que deram joio em português. No grego, o sentido original designa a discórdia, a briga, a rixa, a desavença, a falta de harmonia, enfim. O francês zizanie traz embutidos os mesmos étimos gregos e latinos, assim como o espanhol cizaña. Este substantivo tornou-se de largo uso, sobretudo entre os mais jovens, depois que Albert Uderzo (84) e René Goscinny (1926-1977), autores dos textos e quadrinhos de Astérix, deram o título de Zizanie ao 15º volume das divertidas, encantadoras e instrutivas histórias. César (100-45 a.C.), para conquistar a aldeia gaulesa, semeia a discórdia por meio do personagem Tulius Detritus, especialista em estratagemas. A ideia é valorizar Astérix em detrimento de Abraracourcix. E a seguir convencer os gauleses de que o herói vendeu a poção mágica aos romanos. Astérix, Obélix e Panoramix fingem abandonar a aldeia, levando os romanos a acreditarem que a intriga deu certo. Na reviravolta, o impostor é desmascarado e mais uma vez os gauleses vencem os invasores. Espinafre: do persa aspanâh, pelo árabe hipânico isbinâkh, designando planta originária da Ásia, cultivada em todo o mundo e integrante de numerosas dietas por seu alto valor nutritivo e sabor agradável. A espécie cultivada no Brasil, vinda de Portugal, tem folhas grossas e verdeescuras. Deu origem ao verbo espinafrar com o sentido de repreender e xingar, sendo tal sentido de origem controversa. Francisco da Silveira Bueno (1898-1989) informa, em seu Grande Dicionário Etimológico Prosódico da Língua Portuguesa (8 volumes), que é "palavra de gíria onde entra a ideia de espinho, na forma espina, sendo obscura a segunda parte frar". Outra hipótese é que espinafre designa também a pessoa muito alta e magra, motivo de deboche entre colegas, assim como o baixinho, por estar fora da média. Em épocas em que foi abundante e barato, o espinafre serviu como dieta de punição: por ser rico em vitaminas, o castigo era comer apenas espinafre. E até o século XVII foi palavra feminina. Joio: do latim lolium, com a variante jolium, que deram joio em português. Graças à parábola de que é preciso separar o trigo dessa gramínea, que tem os frutos infestados de fungos daninhos, a palavra e a expressão tornaram-se muito populares. Parábolas são comparações que têm o fim de passar algum ensinamento a ouvintes e leitores. São Jerônimo (347-420) traduziu o hebraico meshalim e o grego parabolé para o latim parabola. Com variações de conceito, os três vocábulos indicam analogia, comparação, alegoria. Micro-ônibus: de micro, do grego mikrós, pequeno, curto, composto que se antepõe a mega e macro, grandes, e ônibus, do latim omnibus, para todos, dativo plural de omnis. Na verdade, a denominação reduziu o francês voiture omnibus, viatura para todos. Os primeiros ônibus eram mais ou menos do tamanho dos atuais micro-ônibus, mas começaram a ser fabricados cada vez maiores. Assim, quando o tamanho de algumas versões diminuiu, surgiu a denominação micro-ônibus, que ganhou o hífen depois do Acordo Ortográfico. Saúde: do latim salute, declinação de salus, salvação, conservação da vida, incluindo cuidados médicos e remédios, palavras ligadas ao antepositivo do verbo latino medeor, presente em médico, medicinal, remédio. Desde os primeiros livros sobre a saúde foram postos em evidência os cuidados com a alimentação, com o sono, com o descanso, concebidos como os remédios mais eficazes por diversos médicos, ao lado da higiene. Úmido: do latim humidus, ligado a humus, solo, mas não seco. "As espinafres são frias e úmidas", diz Francisco da Fonseca Henriquez (1635-1731), médico de cozinheiro de Dom João V (1689-1750), recomendando o seu consumo. Ele é autor de Âncora Medicinal: para Conservar a Vida com Saúde (teve recente edição pela editora Ateliê): "O livro trata não apenas do Comer e do Beber, mas do Ar Ambiente, do Sono e da Vigília, do Movimento e do Descanso, dos Excretos e das Retenções e das Paixões. Como podemos ver, assuntos atuais, pois eles sempre condicionaram a qualidade de vida das pessoas".