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Etimologia

por Deonísio da Silva* Publicado em 02/05/2011, às 18h42

Etimologia
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Também o sentido de querido, estimado. Com o primeiro sentido, o de custo exagerado, apareceu em reportagem do jornal O Globo, que comparou preços de produtos e serviços de referência internacional e comprovou que o corte de cabelo é mais caro no Rio do que em Londres; é mais caro subir ao Pão de Açúcar do que ao último andar da Torre Eifell, na capital francesa; a aula de ioga é mais cara no Rio do que em Hollywood, nos Estados Unidos; o aluguel de bicicletas é mais caro no Rio do que em Amsterdã, na Holanda. Christophe Lidy (46), chef do restaurante Garcia & Rodrigues, do Rio de Janeiro, confessou que monta o cardápio e os preços da casa fazendo comparações: "É no cardápio do vizinho, aqui mesmo, que se confere o quanto as pessoas estão dispostas a pagar". Jennifer Hermann, especialista em câmbio e professora da UFRJ, deu outra explicação: "Esses preços só sobrevivem porque existe demanda. Principalmente na Zona Sul, que concentra hoje um público muito particular, de alta renda. É a lei da oferta e da procura mesmo". Gêmea: do latim gemina. Conhecemos irmãs gêmeas, mas o adjetivo é aplicado também a coisas muito parecidas entre si, como as Torres Gêmeas, em Nova York, derrubadas no atentado de 11 de setembro de 2001. A língua portuguesa tem palavras gêmeas, de que são exemplos: acento e assento, acender e ascender, calão e caução, cela e sela, sessão e cessão, cheque e xeque, comprimento e cumprimento, coser (costurar) e cozer (cozinhar), despensa (parte da casa onde eram guardados os alimentos) e dispensa (licença, desobrigação, demissão), descriminar (inocentar) e discriminar (fazer uma lista ou segregar), despercebido (não notado) e desapercebido (desprevenido), emergir (aparecer, vir à tona) e imergir (sumir, mergulhar), emigrar (deixar um país para não mais viver nele) e imigrar (chegar a um país para viver nele). Intransitivo: do latim intransitivus, intransitivo, intransmissível. No caso dos verbos, chamam-se intransitivos aqueles que dispensam complementos para transmitir significado. Exemplos: o bebê chorou; o cachorro latiu; o boi berrou. Já transitivo é o que precisa de um ou mais complementos para que a frase tenha significado, de que são exemplos comer, quebrar, partir. Nos exemplos que seguem, dispensam complemento: o convidado chegou; a menina nasceu; o paciente morreu. Paronímia: do grego paronimía, semelhança, pela formação pará, ao lado, junto, e onimía, do grego ónomos, nome. É menos aceita a forma sem acento, paronimia. Designa semelhança entre palavras. Às vezes, por motivos etimológicos, outras vezes por convergência fonética. A pessoa ouve o "a" de "a 100 metros" e o "há" de "há dois anos" e, ainda que o som seja o mesmo, sabe que o primeiro é sem agá e o segundo, do verbo haver, tem agá inicial. Outros exemplos: descrição e discrição, vultoso e vultuoso. Redundância: do latim redundantia, abundância excessiva, ligada ao étimo do verbo undare, estar cheio, estar agitado, com altas ondas. Designa defeito de estilo que consiste em dizer o que não é necessário e que por isso fica sobrando, como vemos nestes exemplos: almirante da Marinha (não há o cargo de almirante nas outras duas forças, a aérea e a terrestre); elo de ligação (só pode ser de ligação, o elo); encarar de frente (como encarar, a não ser de frente?); todos foram unânimes (claro, do contrário não haveria unanimidade...); viúva do falecido (se é viúva, é do falecido); pequenos detalhes (lógico, não existem grandes detalhes). Torpedo: do latim torpedus, torpor, entorpecimento e, por extensão, a arraia, cuja descarga elétrica produz efeitos semelhantes. Passou a designar engenho explosivo para afundar navios, inventado no começo do século XIX pelo mecânico norte-americano Robert Fulton (1765-1815). Por metáfora, depois de designar o bilhete entregue pelo pretendente ao garçom para a destinatária, deu nome à mensagem enviada por computador ou por celular. É internacionalmente conhecido pela sigla SMS, de Short Message Service (serviço de mensagem curta).