Revista CARAS
Busca
Facebook Revista CARASTwitter Revista CARASInstagram Revista CARASYoutube Revista CARASTiktok Revista CARASSpotify Revista CARAS

Etimologia

por <b>Deonísio da Silva</b>* Publicado em 15/12/2009, às 09h20

WhatsAppFacebookTwitterFlipboardGmail
Chita: do sânscrito chitra, matizado, pelo neoárico chhit, pinta, designando pano estampado, de algodão, colorido. No período colonial os portugueses importavam chita do Oriente. Em dias de festejos, os escravos trocavam as roupas de algodão branco por outras, de chita. A chita prevaleceu também nas roupas dos pobres, nas toalhas de mesa, em colchões e travesseiros. Epílogo: do grego epílogos, pelo latim epilogus, o que é juntado em cima (epi) do logos, tratado, escrito. No grego, o prefixo epi está presente em epiderme, em cima da derme, pele; e também em epidemia, em cima do demos, povo, região, pois originalmente epidemia designava a estadia num lugar e mudou de significado para mostrar que é a doença que fica. Epílogo tomou o significado de conclusão, o que se põe por cima por último, como faz Carlos Alberto Libânio Christo (65), o Frei Betto, no romance Entre Todos os Homens, título mudado nas reedições para Um Homem Chamado Jesus (Editora Rocco), na parte em que explica o destino da dançarina que, ouvindo um mau conselho da mãe, pediu ao rei Herodes (20 a.C.- 39 d.C.) a cabeça de João Batista (entre 4 e 6 a.C.- 28 ou 35 d.C.): "Num dia de inverno, ao dançar sobre o leito congelado de um rio de Lugdunum, na Gália, o gelo partiu e Salomé morreu afogada". Frade e escritor, o autor tem mais de 50 livros publicados e o epílogo de seu trabalho como assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (64) deu-se por discordâncias profundas com o governo, que podem ser vistas em Calendário do Poder e A Mosca Azul, livros que nasceram dessa experiência singular. Gongo: do malaio gong, pelo inglês gong, gongo, designando instrumento de percussão originário do Oriente. É um disco metálico convexo, no qual se bate uma baqueta com algodão na ponta com o fim de produzir um som grave e forte. Na Idade Média e até meados do século XVII, a catalepsia não era ainda muito conhecida. Por isso, algumas pessoas foram enterradas vivas. Quando exumaram cadáveres, para mudança de cemitério ou outros fins, se constatou que alguns caixões tinham arranhões ou os mortos estavam de bruços ou de lado, por esforços vãos para sair dali, após acordarem do estado cataléptico. Por isso, os ingleses passaram a usar caixões com gongo e corda para o caso de o morto ressuscitar. Surgiu a expressão "save by the bell", já que "bell", sino, era palavra mais conhecida. O boxe adotou a expressão "salvo pelo gongo", porque a pancada no instrumento marca o fim dos assaltos. Jornalista: do francês journaliste, jornalista, de journal, jornal, por sua vez ligado ao que se faz num jour, dia, mas que passou a designar nos tempos modernos o profissional da imprensa. Ainda que seja falada, voltando, no rádio, às origens de comentar a vida, a tarefa do profissional está sempre ligada ao jornalismo. Foi também o caso dos cinejornais, no cinema, e dos telejornais, na televisão, que ensejaram o surgimento de novas palavras para designar quem faz jornalismo: radialista, cinejornalista, telejornalista. Em Veneza, na Itália, com o nome de gazzeta, gazeta, moeda com que era pago, surgiu um dos primeiros jornais. No italiano, como no francês, giornalista, jornalista, está ligado, como no francês, ao que se faz num giorno, dia. A origem comum para as três línguas - francês, italiano e português - é o latim diurnum, diurno, período de um dies, dia. No espanhol, como periódico, jornal, é a designação dominante, quem nele trabalha é periodista, jornalista. Rodar: do latim rotare, rodar, andar em volta, viajar, do mesmo étimo de roteiro e rodovia. Adquiriu vários significados no português, sobretudo no do Brasil, no qual veio a designar ser derrotado - de derrota, do mesmo étimo de rodar -, perder-se, ser reprovado, andar com destino ou sem destino. Tantã: de origem controversa, talvez vindo da associação com tamtam, do concani tam'tam, do bengali tan tan, pelo francês tam-tam, designando instrumento chinês de percussão, semelhante ao gongo, e também tambor de bronze. Com influências da onomatopeia, tantã veio a designar o tonto porque seus gestos e comportamento dão a ideia de que a baqueta foi batida em sua cabeça, não no gongo.

Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!