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ETIMOLOGIA

por <b>Deonísio da Silva</b>* Publicado em 27/07/2009, às 22h02

Arroz: do árabe ar-ruzz, provavelmente com influências do étimo ari, do malaio, com o sentido de limpar, separar, que serviu para designar o arroz limpo, isto é, descascado. No grego, arroz é óryza, e no latim, oryza, de onde chegou a outras línguas, inclusive às neolatinas. Há mais de dois milênios, na antiga China, era costume jogar arroz sobre os noivos nas festas de casamento: o cereal simbolizava a fartura. Denominamos arroz integral o grão do qual é retirada apenas a casca bruta e mantidos a película e o gérmen, onde estão as fibras, as vitaminas e os minerais. O poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) fez em Declaração de Amor uma "Receita para não engordar sem necessidade de ingerir arroz integral e chá de jasmim" Pratique o amor integral/ uma vez por dia/ desde a aurora matinal/ até a hora em que o mocho espia./ Não perca um minuto só/ neste regime sensacional./ Pois a vida é um sonho e, se tudo é pó,/ que seja pó de amor integral". Buquê: do antigo germânico bosk, bosque, madeira, lenha, provavelmente designando também galhos, que poderiam ser floridos, pelo francês, bouquet, ramalhete de flores. Designa reunião de coisas que formam um conjunto e também aroma, como no caso dos vinhos. Já o buquê que a noiva joga de costas para o alto em direção às convidadas solteiras, indicando que aquela que o apanhar é a próxima a casar-se, tem origem na Grécia e na Roma antigas, e não tinha apenas ramos e flores, mas também ervas e temperos. Algumas vezes os buquês eram de alho, para espantar os maus espíritos. As flores do buquê têm significados individualizados: o lírio representa a pureza; a rosa vermelha, o amor; a violeta, a modéstia. As flores de laranjeira simbolizam a fertilidade e a alegria de casar-se. Cacife: Provavelmente variação de cafifo, do árabe, qafiz, medida de cereais que depois passou a designar cofre, riqueza. Veio a indicar em certos jogos de aposta a quantia mínima, previamente estipulada, que cada participante deve depositar. Por metáfora, indica qualidade ou atributo pessoal que habilita ou capacita alguém para fazer alguma coisa. O jornalista Maurício Dias (60) utilizou o vocábulo em matéria da revista Carta Capital sobre a crise que atinge o presidente do Senado Federal, José Ribamar Ferreira de Araújo Costa Sarney, mais conhecido por José Sarney (80), que está ligada às próximas eleições para a presidência da República: "Acuado pelas denúncias, resta ao PMDB agarrar-se ao cacife de Lula". E acrescentou: "Por sinal, tivesse a imortalidade que a Academia Brasileira de Letras promete mas não concede, Machado de Assis teria de tomar o 'Chá das 5' na companhia de Sarney. Um tanto constrangido, é claro". Moeda: do latim Moneta, primeiro designando o templo de Juno Moneta, onde eram fabricadas as pequenas peças metálicas que simbolizavam a riqueza. Depois, com minúscula, moneta passou a designar a peça, tivesse o valor que tivesse. Por exemplo, o denarium, dinheiro, era assim chamado porque valia 10 asses. A deusa Juno ganhou o epíteto de Moneta porque monere, em latim, significa avisar, advertir. E os antigos romanos acreditavam que a deidade teria alertado o povo para um terremoto. Novo: do latim novus, novo, que apareceu recentemente. O dicionário Houaiss registra 19 acepções para "novo", que pode designar de escritor a dinheiro, como no caso de cruzeiro novo e cruzado novo. O Brasil teve a mesma moeda, o real, até 5 de outubro de 1942, quando o presidente Getúlio Dorneles Vargas (1883- 1954) cortou três zeros e a nova moeda, o cruzeiro, passou a valer mil réis, então o plural de real. Em 13 de fevereiro de 1967, o presidente Humberto de Alencar Castello Branco (1897- 1967) tirou três zeros e rebatizou a moeda para cruzeiro novo. No dia 15 de maio de 1970, a moeda perdeu o adjetivo "novo". Real: do latim regalis, real, pertencente ou relativo ao rei. Designou a primeira moeda brasileira, herdada de Portugal, cujo plural era réis. Houve um longo caminho de volta, do cruzeiro ao real. Em 28 de fevereiro de 1986, o presidente José Sarney tirou três zeros e mudou o nome para cruzado, qualificando-o de cruzado novo em 16 de janeiro de 1989. Em 16 de março, o presidente Fernando Collor de Mello (60) mudou para cruzeiro, sem cortar os zeros. Em 1º de agosto de 1993, o presidente Itamar Augusto Cautiero Franco (79) cortou três zeros e mudou o nome para cruzeiro real, extirpando "cruzeiro" no dia 1º de julho de 1994, mantendo só "real" para designar a nova moeda, que na época valia 2750 cruzeiros reais. Os primeiros meios de troca foram animais e grãos. O grão ainda está presente no número dos sapatos. Sapato número 36 indica extensão de igual número de grãos de cevada.