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ETIMOLOGIA

por <b>Deonísio da Silva</b>* Publicado em 21/07/2009, às 13h44

Aurélio: nome pelo qual se consolidou o Dicionário Aurélio, de autoria do alagoano Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (1910- 1989), da Academia Brasileira de Letras, casado com a também lexicógrafa Marina Baird Ferreira (87), a quem desposou em 1945 e com quem viveu até morrer. Já ocorre o mesmo com Aulete, substantivo masculino que designa o dicionário Caldas Aulete, que deve seu nome a Francisco Júlio Caldas Aulete (1826-1878), que deu início ao Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, hoje o mais rapidamente atualizado por dispor de uma versão denominada Aulete Digital, acessível na internet mediante cadastramento e senha de usuários. Caldas Aulete morreu solteiro, aos 52 anos, e foi muito criticado pelo escritor Antero Tarquínio de Quental (1842-1891) em Bom Senso e Bom Gosto. O latim Aurelius, cujo étimo é aurum, ouro, era um nome comum entre os antigos romanos. Bongo: do blulu, bongo, criança, pelo espanhol, falado em Cuba bongó, designando instrumento de percussão originário da África, constituído de dois tambores ligados, de afinações diferentes e tocados com as mãos. Bulu é um dialetos dos grupos de línguas bantas. Nei Lopes(67) no Dicionário Banto do Brasil, transcreve comentários de lingüistas que registraram as variações bongugu, bongu e bongó. Bongô parece ser adaptação de pronúncia no Brasil. O italiano registra bongo como tambor e bongos para bongô, por causa dos dois tambores no mesmo instrumento. É provável que, pelo pequeno tamanho do instrumento, crianças africanas foram as primeiras a brincar com ele, daí ter havido esta curiosa mescla: bongo designando a criança e, por extensão, o seu brinquedo. Circunflexo: do latim circunflectum, circunflexo, particípio passado de circunfere, verbo formado de circum, ao redor, e fletere, dobrar, curvar, flexionar. O étimo está presente no adjetivo flexível e nos verbos flexibilizar, infletir e refletir. Designa o acento, modernamente conhecido como sinal diacrítico, que indica o timbre fechado, diferenciando-o do aberto, como em pode e pôde, por e pôr, forma e fôrma, de que são exemplos as seguintes frases: "fulano está em forma"; "comprei uma fôrma de pão"; "é preciso pôr em prática algum ensinamento por meio de exercícios, como forma de manter a saúde"; e "ela não pôde vir ontem, mas pode vir hoje". Diacrítico: do grego diakritikós, diacrítico, que separa, marca. Em grego existem os verbos krino, separar, e diakrino, separar um dooutro. É nome científico dos sinais de acentuação, como o circunflexo de palavras oxítonas: alô, bongô e nagô; ou proparoxítonas: âmbar, bônus, tênis. Sérgio Duarte Nogueira da Silva (59), que, diferentemente da maioria dos acadêmicos e professores, precisa resolver problemas práticos de redação no do dia-a-dia de empresas, recomenda em sua obra Ortografia (Editora Rocco): "Sugiro que acentuemos fôrma ("fôrma de pizza"), como orienta o dicionário Aurélio e como permite o novo acordo ortográfico, a fim de diferenciar de forma ("forma física ideal). Evangélico: do latim evangelicus, evangélico, que diz respeito ao Evangelho, do grego euaggélion, pela formação "eu", boa, e "aggélion", notícia, mensagem, do mesmo étimo de ággelos, ângelo, mensageiro. Como substantivo, designa membro de igreja dissidente da Católica. No Brasil, de 1980 a 2000, os evangélicos passaram de 6,6% da população para 15,6%, em espantoso crescimento, totalizando 26452174 crentes. Eles se subdividem em vários grupos, sendo o maior o pentecostal, com 77,86%. A socióloga e antropóloga Clara Cristina Jost Mafra (40), professora e pesquisadora da UERJ, autora de Os Evangélicos (Jorge Zahar Editor), escreveu na revista Insigtht Inteligência de junho: " A ruptura pentecostal responde a mensagem contraditória enviada pela própria metrópole aos habitantes de periferias e favelas". Fuleiro: do espanhol fullero, pouco útil, pelo lunfardo fulero, falso, de má qualidade, pobre, feio, desagradável, desleal, do étimo germânico ful, falso. Ligou-se a fulo, irritado, furioso, por força da etnia dos fulos, negros importados como escravos da Guiné para a América, de cor mais clara ou pálida em relação à dos outros negros. Carrancudos, de cor verde-oliva, pareciam estar sempre verdes de raiva. Nei Lopes registra que a raiz ful é de origem africana, presente no quicongo mfulu, pessoa que perdeu tudo, e aparece no linguajar da etnia balufera designando aquele que age irresponsavelmente, sem seriedade, que ou quem não se mostra confiável. Fuleiro passou a designar no Brasil o medíocre ou simplório, que denota falta de gosto ou de refinamento nos modos e no vestuário, sendo um dos sinônimos de cafona.