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Por Alexandre Margutti Fonoff 6 anos atrás

Se você tiver dor no abdome, não fique em casa. Consulte o médico

O abdome abriga inúmeros órgãos. Por isso mesmo, as dores abdominais são freqüentes. Dores repentinas que passam logo geralmente não têm maiores conseqüências. Já as dores surpreendentes e persistentes requerem cuidados médicos. Elas podem resultar de moléstias graves, como uma apendicite supurada, levar à infecção abdominal generalizada e até matar.

A dor é um alerta que o corpo emite quando está com algum problema. Pode ocorrer em qualquer parte. A dor abdominal é uma das mais comuns. Segundo os dicionários, o abdome é a região compreendida entre o tórax e a bacia. É a parte do corpo que abriga o maior número de órgãos: esôfago, estômago, intestinos, apêndice, rins, bexiga e reto; glândulas como supra-renal e pâncreas; a artéria aorta, a veia cava e outros grandes vasos. Ao se tratar de dor abdominal, é necessário pensar em uma área maior, ou seja, até a linha dos mamilos, pois sob a costela direita estão o fígado e a vesícula biliar, e sob a esquerda, o baço, que são órgãos toracoabdominais. E, quando órgãos torácicos como esôfago e coração são lesados, a dor pode irradiar para o abdome. Todos podem ter dores abdominais. Elas se dividem em agudas e crônicas. Dor aguda é a que surge de repente em uma pessoa cujo abdome estava bem. O incômodo é tanto, independente de ser suportável ou não, que obriga a pessoa a ir ao médico. Seis grupos de doenças podem causar dor aguda no abdome: Inflamatórias/infecciosas. As mais freqüentes são diverticulite (inflamação das pequenas "bolsas" que se formam no tubo digestivo), apendicite, colicistite (obstrução da vesícula biliar por cálculo), pancreatite e diarréias infecciosas. Obstrutivas. Hérnias, em especial as inguinais (na virilha ou no escroto), tumores, processos inflamatórios crônicos, aderências pós-operatórias e acotovelamentos ou torções intestinais por moléstias como Chagas. Isquêmicas ou vasculares. Embolias arteriais (desprendimento de coágulo ou de placa de gordura que vai obstruir determinado local do vaso sanguíneo), insuficiências vasculares intestinais não oclusivas, tromboses e doenças nas menores ramificações dos vasos. Hemorrágicas. Ruptura de cisto ovariano, rupturas espontâneas de cistos ou tumores no fígado e ruptura da artéria aorta. Perfurativas. As mais freqüentes são a perfuração do duodeno por úlcera; a perfuração da porção final do íleo por doenças infecto-contagiosas como citomegalovírus e aids; e perfurações do intestino grosso por corpos estranhos, como palitos ingeridos. Traumáticas. Acidentes sem penetração, que provocam problemas no abdome (como batidas) ou penetrantes (facadas e tiros). As dores abdominais crônicas vêm basicamente dos mesmos grupos de enfermidades das agudas, porém com uma evolução mais lenta. Tem-se mais: Inflamatórias/infecciosas. As mais freqüentessão colicistite crônica calculosa, pancreatite crônica, esofagite e gastrite. Obstrutivas. Estenoses (estreitamentos) diverticulares e dos intestinos por inflamações. Existem ainda as dores crônicas ligadas a câncer de órgãos abdominais e a processos neurológicos especiais, como as neurites e o herpes-zóster. O ideal é consultar um médico. Dores abdominais do tipo cólica repentina, associadas a fatos comuns como a menstruação, que somem logo, em geral não causam maiores problemas. Mas as que persistem requerem cuidado médico. Em algumas situações, entre elas a ruptura deórgãos como intestinos, pode haver até infecção generalizada abdominal, que às vezes é fatal. O diagnóstico é em essência clínico: o médico conversa com o doente ou familiares, apalpa a região e confirma a suspeita com exames. Ele conta, ainda, com características de cada grupo de doenças para identificar a causa da dor. Dores abdominais provocadas por males inflamatórios/infecciosos em geral são acompanhadas por náusea, perda de apetite e febre; no caso das perfurativas, há rigidez da parede abdominal; nas obstrutivas, interrupção das evacuações, distensão do abdome e vômitos; e, nas isquêmicas, queda da pressão arterial, distensão, palidez de extremidades e desidratação. Em caso de dúvida, o médico pede exames laboratoriais e de imagem. Quanto mais rápido o diagnóstico e o tratamento, claro, maior a possibilidade de cura e menores os riscos.

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Notícia publicada Qui, 1 Mar 2007 as 16:36, por Alexandre Margutti Fonoff.


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