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Por CARAS Online 1 ano e 10 meses atrás

Fogo selvagem se caracteriza pelo aparecimento de bolhas na pele

Conhecida também como pênfigo foliáceo brasileiro, esta doença grave prevalecia no Centro-Oeste, Minas, São Paulo e Paraná. Hoje, predomina em Mato Grosso e Tocantins, mas cresce o número de casos na Região Norte. Ela já matou muita gente sobretudo em consequência de complicações como as infecções por microrganismos, mas atualmente pode ser controlada com medicamentos.

O fogo selvagem, também chamado pênfigo foliáceo brasileiro, caracteriza-se pelo surgimento de bolhas na pele, que se rompem facilmente e formam escamas. A doença foi descrita em 1903 pelo médico brasileiro C. Paes Leme. Ela se manifesta sobretudo em crianças e adultos jovens das áreas rurais que vivem perto de córregos e rios e em algumas tribos indígenas.

De início ocorria só na região centro-oeste da América do Sul, mas já se registraram casos também na América Central e até na África. No Brasil, predominava no Distrito Federal, Região Centro- Oeste, Minas Gerais, oeste de São Paulo e norte do Paraná. Hoje, a maioria dos casos ocorre em Mato Grosso e Tocantins, mas aumentam no Amazonas, Acre, Pará e Rondônia.

As bolhas aparecem no couro cabeludo, nas faces e no peito, podendo disseminar-se pelo corpo. O portador tem uma sensação de ardor e de queimação, o que levou o médico Paes Leme a chamá-la fogo selvagem. Apresenta também grande sensibilidade ao frio. Ainda não se conhece o que causa o fogo selvagem. Ele é considerado uma doença auto-imune, pelo fato de haver anticorpos nas substâncias que “cimentam” uma célula da pele na outra. Acredita-se que, ao se ter contato com algum agente presente no meio ambiente, o organismo reage produzindo anticorpos que atacam a epiderme, camada externa da pele. Com isso, as imunoglobulinas — proteínas do sangue — ligam-se às substâncias “cimentantes”, que não podem cumprir com sua função. As células da pele se separam e dão origem às bolhas. A doença apresenta traços familiares. Pessoas que têm casos na família, portanto, estão mais suscetíveis a desenvolvê-la. E mais: mosquitos simulídeos — conhecidos popularmente como borrachudos — são comuns nas regiões em que há fogo selvagem, mas ainda não se sabe se têm algum tipo de relação com a doença.

O fogo selvagem é terrível. Os portadores enfrentam muito preconceito, porque se pensa que seja contagioso. Eles se sentem feios e diminuídos. O mais grave, porém, é que os deixa mais suscetíveis às infecções por microrganismos. Também pode interferir no desenvolvimento das crianças. Antes da descoberta do tratamento, 40% dos doentes morriam nos dois primeiros anos; 50% tinham uma evolução crônica, com períodos de melhora e de agravamento, o que levava parte deles a óbito por infecções; e em 10%, portadores das formas mais simples, a doença desaparecia sozinha.
Pessoas que suspeitem que possam ter fogo selvagem devem consultar um médico dermatologista. O diagnóstico é feito mediante exame clínico, que é confirmado com biópsia. É fundamental excluir outras doenças que produzem bolhas. 
O tratamento é feito com uma dose diária de corticoides. Conforme o doente melhora, a dose pode ser reduzida aos poucos. As infecções podem ser evitadas com medidas como banhos com permanganato de potássio e cremes e pomadas com antibióticos. Eventuais infecções são combatidas com antibióticos. Como o tratamento com corticoides é feito por longo tempo, infelizmente pode haver efeitos colaterais, como obesidade, hipertensão, diabetes, gastrite, úlceras, insônia, alterações psíquicas e osteoporose. O tratamento também diminui a imunidade, deixando o doente mais vulnerável à tuberculose e a infecções generalizadas e verminoses.
 

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Notícia publicada Ter, 6 Mar 2012 as 11:10, por CARAS Online.


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