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Por Fabiano Rebouças Ribeiro 7 anos atrás

Epicondilite lateral é a causa mais comum de dor no cotovelo

Essa doença, que se manifesta na protuberância externa do osso do cotovelo, ocorre sobretudo em indivíduos de 35 a 55 anos. Os mais atingidos são os que fazem esforços repetitivos, como digitadores, jornalistas e escritores. A causa são os esforços intensos e repetidos nos músculos do antebraço, que acabam provocando uma degeneração. Dor na região é o primeiro sintoma.

Pensava-se no passado que epicondilite fosse a inflamação dos epicôndilos, as duas pequenas protuberâncias dos ossos dos cotovelos. Estudos recentes, porém, constataram que se trata de degeneração. Existem duas epicondilites nos cotovelos: a medial, na protuberância interna, que atinge golfistas, e a lateral, na protuberância externa, que ocorre em tenistas. A epicondilite lateral do cotovelo era freqüente no passado em jogadores de tênis na grama, por isso é conhecida também como tennis elbow, ou cotovelo de tenista. Na verdade, é importante destacar, apenas 5% dos casos da doença são em tenistas e praticantes de squash e golfe e os restantes 95% em pessoas comuns, especialmente de 35 a 55 anos. Os mais atingidos são: quem faz esforços repetitivos e se utiliza de equipamentos maldispostos, como digitadores, jornalistas e escritores; dentistas; professores que têm o hábito de escrever na lousa; operários; donas de casa; e profissionais de limpeza. A causa da moléstia são os esforços intensos e repetitivos nos músculos do antebraço e do cotovelo, que favorecem a formação de microtraumatismos e a conseqüente degeneração. Pesquisadores criaram para o quadro a expressão "infarto do cotovelo", pois, à semelhança do infarto do miocárdio, o músculo cardíaco, o surgimento da degeneração no cotovelo em geral é precedido de uma diminuição na quantidade de sangue no local, o que deixa os tecidos mal-irrigados e, portanto, mal-oxigenados. O primeiro sintoma é dor na lateral do cotovelo, que se irradia para o antebraço. Em atletas, em geral o início é repentino e rápido. Já nas pessoas comuns a dor se instala aospoucos e se torna intensa e persistente. Outra indicação, sobretudo nos casos mais graves, é perda de força no braço, a ponto de não se conseguir levantar uma xícara de chá. Pessoas com sintomas devem consultar logo um médico ortopedista. O diagnóstico de epicondilite é clínico. Um teste praticamente infalível que os médicos usam no diagnóstico consiste em parar a mão direita no ar, na altura do meio do corpo, e pedir que o paciente a empurre para baixo e para cima com a mão do braço que tem epicondilite. A região do cotovelo dói e ele não consegue fazê-lo. Pode-se comprovar a doença com ultra-som, ou até ressonância magnética. Mas, por prudência, o médico pode pedir também eletroneuromiografia, exame com o qual se detecta a chamada compressão do nervo interósseo posterior, outra doença comum no cotovelo. Consiste em fazer passar umacorrente elétrica pelo local; se ela circular facilmente, o problema pode não se relacionar ao nervo. O tratamento da epicondilite é controverso. Em geral os médicos usam grande variedade de modalidades terapêuticas, que vão das mais simples - como aplicação de gelo e fisioterapia - às cirúrgicas. O passo inicial é o afastamento do paciente de suas atividades. Mas isso, infelizmente, nem sempre é possível, pois as pessoas têm medo de perder o emprego e os atletas não querem parar seu esporte. Também é importante corrigir o posicionamento do corpo no que se refere à cadeira, mesa de trabalho e, em especial, do braço em relação ao teclado do computador. Já a dor, sobretudo se intensa, é combatida com analgésicos e mesmo infiltração de corticóide. Esse último procedimento em geral controla rapidamente a dor. Mas, para que ela não retorne, é fundamental que a pessoa faça também fisioterapia e exercícios de reforço muscular e de alongamento, eficazes a longo prazo. Na fase de tratamento o paciente pode usar imobilizadores, pois ajudam a manter a mão e o punho na posição correta, evitando que force em excesso os músculos do braço. Recorre-se à cirurgia só nos casos em que, realizado o tratamento convencional por seis a doze meses, a dor persiste. Consiste em retirar o tecido degenerado e fazer perfurações ósseas para estimular o sangramento e a cicatrização.

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Notícia publicada Qui, 19 Out 2006 as 12:42, por Fabiano Rebouças Ribeiro.


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