Sheron Menezzes: "Gosto de ter opinião. Claro que procuro não magoar ninguém"

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Por Luciana Marques

Sheron Menezzes: "Gosto de ter opinião. Claro que procuro não magoar ninguém"

Na Ilha de CARAS, atriz revela orgulho por autenticidade e consciência

Uma das atrizes mais requisitadas de sua geração — em 15 anos de TV Globo acaba de estrear sua 14ª novela, Novo Mundo —, Sheron Menezzes (33) também passou a ser hoje referência de mulher negra na televisão. E se orgulha disso. “Cresci vendo Tais Araújo e Isabel Fillardis. Elas me inspiraram. Hoje já somos mais na TV. Acho que é nosso trabalho abrir portas e, quanto mais a gente faz, mais as pessoas se identificam. E não é só em relação ao trabalho de atriz, é de conscientização racial também. Me veem, por exemplo, como a pessoa que assume o cabelo e se gosta”, avisa, na Ilha de CARAS. Engajada, Sheron conta hoje com uma parceria especial para difundir essas e outras lições de amor próprio e inclusão para crianças negras: a mãe, Veralinda, que a homenageou com o lançamento do livro Princesa Violeta. A autenticidade é outra característica marcante na personalidade da atriz. Isso, inclusive, é algo em comum com a Diara, sua personagem na trama das 6, uma escrava que, ao casar com um nobre austríaco, papel de Jonas Bloch (78), ganhará o título de baronesa. “Vai ser uma dupla improvável que dará certo. Diara é muito para fora, parecida comigo, fala o que pensa ou, melhor, não pensa muito. (risos) É engraçada, espalhafatosa. Diferente de tudo o que já fiz”, explica, feliz por fazer o terceiro trabalho com o diretor Vinícius Coimbra (45) e sua equipe.

– O fato de ser muito autêntica já a prejudicou?

– Gosto de ter opinião. Claro que procuro não magoar ninguém com isso. Mas todas as nossas qualidades também podem ser defeitos. Se uma pessoa está muito feliz, nem sempre é bom, pode ser uma forma de esconder a tristeza. Procuro ver os diferentes lados de tudo. Ser muito sincera é bom, nunca vão poder dizer que menti. Mas ruim, porque não consigo esconder o que sinto ou penso.

– Quais os ganhos da idade?

– Minha maturidade não veio com a idade, mas com o crescimento pessoal e profissional. Aos 18, vim morar sozinha no Rio. Resolvi que, a partir dali, não voltaria para a casa de meus pais e nem dependeria mais financeiramente deles. Então, venho construindo meu amadurecimento. Aos 27, me achava supermadura. Mas hoje sei que não era bem assim. Os anos passam e você vive coisas novas, conhece pessoas que ajudam a repensar ideias. E vai descobrindo o que é importante. As prioridades mudam.

– Como vê o carinho de crianças que a têm como referência?

– Tenho uma outra função por ter a minha mãe como exemplo. Esse nosso projeto de inclusão social, de identificação, estimula o amor próprio nas crianças. Acho que tenho um público infantil grande. Elas me veem e falam: ‘Nossa, seu cabelo é assim? Então, o meu também pode ser’. E começam a se gostar desde pequena. De se olhar no espelho e se achar linda. Você cresce se amando. Fui criada assim. É meu trabalho, cuidar dessa faixa de idade. Também atinjo jovens. O legal é receber mensagens de pessoas dizendo que fui responsável pela transição capilar delas. E as crianças que antes queriam ser igual às coleguinhas da escola se acham agora maravilhosas como a princesa Violeta, do projeto com a minha mãe.

– Em relação à boa forma, quais são os seus cuidados?

– Não malho para novela, carnaval, malho porque gosto e faço isso o ano o inteiro. Corro, pratico musculação, pilates e muay thai. Em casa, minha alimentação é regrada, evito pão, massa, como muito legumes, carne, coisas saudáveis. Mas, se estiver na rua, em uma festa, não vou deixar de comer nada. É questão de equilíbrio.

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Notícia publicada Sáb, 8 abr 2017 as 08:04, por Luciana Marques.






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